A empresa Family Medicina e Saúde, contratada pela Saúde de Cuiabá para fornecer serviços às UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), alegou não poder honrar com o contrato porque não é paga pela gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) desde outubro.
A empresa é alvo de uma ação judicial por parte do interventor estadual para que reestabeleça imediatamente os serviços médicos prestados às unidades de saúde municipais.
O desembargador Orlando Perri determinou a retomada dos serviços no dia 31 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 200 mil.
Em recurso contra a determinação, a empresa alegou Emanuel selecionava quais empresas iriam receber pelos serviços prestados e que sofreu um calote da Secretaria de Saúde de Cuiabá - veja documento na íntegra AQUI.
“Pois bem, desde o mês de outubro de 2022 não há o pagamento dos serviços prestados por parte da Administração Pública Municipal, o que, fatalmente, impede a empresa de dar continuidade aos serviços prestados”, consta em recurso da empresa encaminhado ao TJ.

“[...] Na antiga gestão houve verdadeiro direcionamento quanto aos pagamentos para algumas empresas que prestam serviços de mesma natureza, o que veio a prejudicar a continuidade das atividades dos Requerentes para SMS”, consta em outro trecho.
A empresa ainda alegou que, por conta da falta de pagamentos, os médicos contratados para fornecer os serviços nas unidades se recusaram a trabalhar.
“A situação se tornou ainda mais crítica em razão dos médicos que prestam serviços a empresa Family se recusarem a fazer os plantões, tendo como justificativa o receio de não receberem. Desse modo, torna-se impossível o restabelecimento dos serviços prestados, pois não há profissional disponível para tanto, o que deixa a empresa de ‘braços amarrados’”.
A Family diz que já havia comunicado informalmente o interesse em romper com o contrato, e o pedido havia sido aceito. No entanto, não houve tempo para fazer isso formalmente.

A Family Medicina e Saúde pertence ao ex-secretário de Emanuel, Milton Correa da Costa Neto. Ele atuava como adjunto de Planejamento e Operações na Saúde quando foi alvo da Operação Overpriced, em junho de 2021.
A ação investigou suposta compra de medicamentos com sobrepreço e acima da necessidade de consumo da população de Cuiabá.
Ainda não há decisão sobre o pedido da empresa.
Entenda o caso
O interventor Hugo Lima ingressou com um pedido no Tribunal de Justiça para reestabelecer os serviços prestados pela empresa à Saúde de Cuiabá. Segundo alegou o interventor, o empresário Milton Correa teria abandonado o contrato, de modo ilegal.
O contrato que a empresa declinou foi assinado no dia 11 de setembro deste ano e o período de vigência deveria ser de doze meses.
Ao analisar o pedido, Perri argumentou que entende ser imprescindível a continuidade da prestação de serviços pela empresa por, no mínimo, cinco dias.
Além disso, determinou que a Family apresente, em um prazo de duas horas, a escala atualizada e individualizada dos médicos plantonistas de cada unidade de saúde.
Esse é uma das ações consequente da determinação liminar que tira a administração da Saúde Pública de Cuiabá das mãos do prefeito Emanuel Pinheiro e a repassa ao Governo do Estado.
No último dia 28 de dezembro, Orlando Perri atendeu a um pedido do procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, que demonstrou que o setor vive uma “completa calamidade pública” e está colapsado.
A intervenção tem prazo de 180 dias, “salvo se houver motivos justificados e comprovados, que não advenham de desídia, incúria ou incompetência do interventor no afastamento da atual Secretária de Saúde”, disse o desembargador.
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