Cuiabá, Segunda-Feira, 23 de Março de 2026
ALVO DA SODOMA
19.06.2018 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

Defesa diz que dono de grupo "nunca recebeu nada de Nadaf”

Grupo Gazeta de Comunicação e residência de João Dorileo Leal foram alvos de busca e apreensão nesta manhã

Reprodução

Advogado do grupo Gazeta de Comunicação, Cláudio Stábile

Advogado do grupo Gazeta de Comunicação, Cláudio Stábile

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O advogado Cláudio Stábile, que faz a defesa do Grupo Gazeta de Comunicação, negou que o proprietário da corporação, João Dorileo Leal, tenha recebido apartamentos do ex-secretário Pedro Nadaf, relativos a pagamentos de serviços gráficos prestados na campanha de 2014.

 

O Grupo Gazeta, a Grafica Milenium - que pertence ao empresário - e a residência de Dorileo Leal foram alvos de busca e apreensão pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (19).

 

As buscas e apreensões são relacionadas à quinta fase da Operação Sodoma, baseada nas delações do ex-secretário Pedro Nadaf e do ex-governador Silval Barbosa, que assumiram diversos crimes de corrupção.

 

Nadaf, em delação premiada, contou que para sanar uma dívida de campanha do ex-governador Silval Barbosa relativa a materiais gráficos, entregou dois apartamentos ao empresário, obtidos mediante propina da construtora Concremax.

 

"O Dorileo nunca recebeu nada de Pedro Nadaf. Nem imóvel, nem pagamento, nem valores. Nada. Disso eu tenho certeza”, disse o advogado.

João Vieira/A Gazeta

João Dorileo Leal - Sup. Gazeta

Presidente do Grupo Gazeta, Dorileo Leal

 

A defesa do Grupo Gazeta informou ao MidiaNews que os agentes da Defaz levaram apenas notas fiscais dos imóveis alvos dos mandados cumpridos pela Polícia Civil.

 

“Não há o que esconder, o Dorileo sempre trabalhou dentro da legalidade. Vamos verificar qual é a acusação e esclarecer esses fatos”, afirmou Stábile.

 

O advogado relatou que não teve acesso ao processo, que corre em segredo de justiça, mas que não acredita que Dorileo e o grupo tenham cometido ilegalidades.

 

“Hoje à tarde teremos acesso ao processo para saber qual é a acusação e quais os fatos temos que esclarecer. Tanto a empresa, quanto Dorileo, estão tranquilos e à disposição das autoridades para esclarecer todos os fatos”, disse a defesa.

 

Serviços gráficos

 

Conforme delação de Silval Barbosa, a gráfica Milenium realizou serviços gráficos de materiais produzidos na campanha dos candidatos ligados ao seu Governo no valor de R$ 3 milhões. Estes, pagos de duas formas.

 

A primeira foi paga em serviços não prestados para a Secretaria de Comunicação do Estado R$ 1,8 milhão.

 

"O valor de R$ 1,8 milhão foi pago através da Secom, através de serviços não prestados pelo Grupo Gazeta ao Estado com o devido recebimento, sendo tal fato realizado pelo secretário da Secom", consta em documento de delação do ex-governador.

 

A outra parte, R$ 1,2 milhão, foi paga por meio de dois imóveis entregues a Dorileo Leal, por Pedro Nadaf.

 

De acordo com delação de Nadaf, os apartamentos teriam sido fruto de propinas pagas pela construtora Concremax a Silval Barbosa.

 

"Silval Barbosa me solicitou que eu procurasse por João Dorileo Leal, proprietário do Grupo Gazeta, a fim de negociar para ele, Silval Barbosa, o pagamento desta dívida", disse em delação.

 

Nadaf disse que no início de 2015, após o término do mandato de Silval, se reuniu com João Dorileo para negociarem a dívida, ocasião em que o ex-secretário perguntou se ele aceitaria receber imóveis como pagamento, "o que foi aceito pelo empresário".

 

"Eu sugeri a Silval Barbosa entregar a João Dorileo dois imóveis que eu recebi em razão de propinas pagas pela construtora Concremax, sendo eles dois apartamentos localizados no Bairro Morada da Serra [...], no valor de R$ 250 mil cada, perfazendo assim o montante de R$ 500 mil, registrados em nome da própria construtora Concremax, bem como um imóvel residencial de minha propriedade [...] registrado em nome de minha ex-namorada Geiziane Antelo, de quem eu havia adquirido, no valor de R$ 700 mil", contou Nadaf.

 

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