O procurador de Justiça Paulo Prado, que chefiou o Ministério Público Estadual em quatro biênios não-consecutivos, afirmou que “nunca mais” quer comandar a instituição.
A declaração foi feita no último dia 3, durante sessão do Conselho Superior do Ministério Público (ouça no áudio abaixo).
Na ocasião, o colégio julgou um procedimento em que o analista de sistemas do MPE, Douglas Renato Ferreira Graciani, pedia uma investigação em âmbito administrativo contra Prado, acusando-o de ter concedido licenças-prêmios irregulares a um servidor.
Ao término da sessão e com o arquivamento do pedido, Prado desabafou sobre o caso e disse que, antes de ser alvo de tais acusações, ele mesmo havia chamado Douglas Graciani para trabalhar ao seu lado.
“Eu o convidei para ser gerente, para trabalhar comigo. Esse senhor foi exonerado da Procuradoria Geral do Estado. No estágio probatório, eu entendi que o desempenho dele era tão bom aqui que nós homologamos o estágio probatório”, contou.
O procurador disse ao atual chefe do MPE, Mauro Curvo, que por conta desse tipo de situação, atualmente já não tem qualquer intenção de retornar ao comando do órgão.
“Por essas e outras, doutor Mauro, que eu não quero nunca mais sentar nessa cadeira. É por essas e outras que eu vou deixar aqui de público: os senhores nunca mais me verão sentados nessa cadeira. Porque você dá doze anos da sua vida, você deixa de almoçar doze anos com os seus filhos, e com a sua esposa”.
“De 2005 até hoje eu fui procurador-geral, coordenador do Gaeco, e procurador-geral de novo. Durante 12 anos eu fui acusado até de almoçar aqui embaixo e estar usando recurso de servidor que é amigo de todo mundo aqui para me alimentar. É por essas e por outras que eu rogo a Deus que o senhor [Curvo] tenha bons anos aí nessa cadeira. E pode contar sempre comigo, porque eu sei o que significa ser ordenador de despesas”, disse.

A polêmica
A inimizade ocorreu após Douglas Ferreira acusar Prado de ter cometido crime ao conceder licença-prêmio um servidor relativa ao período em que tal servidor trabalhava no Bemat, conduta que seria ilegal.
Porém, a primeira representação já havia sido arquivada pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos.
Ramos entendeu que, embora hoje seja pacífico nos tribunais que o tempo de serviço em empresa pública ou sociedade de economia mista não pode ser computado para efeito de licença-prêmio, na época em que Prado concedeu o benefício o tema ainda era controverso e “admitia o tempo de trabalho prestado em sociedade de economia mista para todos os efeitos legais”.
Ouça o áudio com a declaração de Prado:
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4 Comentário(s).
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| servidor publico 24.07.17 22h53 |
| servidor publico , seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas |
| Johann Azambuja 24.07.17 10h15 | ||||
| O Dr. Paulo Prado luta pelos interesses públicos e coletivos. Valoriza a instituição e exerce LITERALMENTE o cargo que ocupa. Não passa 30 dias apenas aguardando o salário ao fim do mês. Homem sério que enfrenta os problemas de frente, não se livra deles jogando poeira embaixo do tapete. | ||||
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| Pedro 24.07.17 09h06 | ||||
| Muito bom! O MPE e a população matogrossense agradece a decisão de vossa excelência! Ja passou da hora de renovar! | ||||
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| Guilherme 23.07.17 20h15 | ||||
| Infamia, dr Paulo é um homem probo e íntegro, jamais agiu movido por qualquer interesse que não fosse republicano. Todos estes anos dedicados à coisa pública tiveram o único objetivo de engrandecer a causa dos promotores. | ||||
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