Cuiabá, Quinta-Feira, 8 de Janeiro de 2026
OPERAÇÃO DA PF
06.01.2026 | 16h35 Tamanho do texto A- A+

Rubens cita US$ 500 mil em paraíso fiscal e compra de apês em SP

Imagens constam em relatório da Operação Bilanz, que investigou desvios patrimoniais da cooperativa

MidiaNews

O ex-presidente da Unimed, Rubens Carlos Oliveira Júnior, que é réu por supostos desvios e fraude na Unimed

O ex-presidente da Unimed, Rubens Carlos Oliveira Júnior, que é réu por supostos desvios e fraude na Unimed

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

O ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens Carlos Oliveira Júnior, revelou em conversa com o ex-consultor executivo Eroaldo de Oliveira, ser proprietário de três apartamentos em São Paulo, avaliados em R$ 1,5 milhão, e que dispunha de US$ 500 mil em um paraíso fiscal na Europa.

 

Daqui um ano e meio chego aos 500 mil dólares que guardo em um paraíso fiscal perto da Inglaterra (ilhas mand) que guardo desde 2014 e intensifiquei quando entrei na gestão da Unimed (hoje deposito 7,5 mil dólares por mês, cortando muita coisa que gosto pra isso)

Os prints do diálogo no WhatsApp constam em relatório da Polícia Federal, produzido no âmbito da Operação Bilanz, que identificou um rombo de R$ 400 milhões no balanço contábil da cooperativa entre 2020 a 2022, durante o mandato de Rubens.

 

Além de Rubens e Eroaldo, são réus em ação penal na Justiça Federal, derivada da operação da PF, Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma (ex-diretora financeira), Jaqueline Proença Larrea (ex-assessora jurídica e namorada de Maurício), Ana Paula Parizotto (ex-superintendente administrativa-financeira) e a contadora Tatiana Gracielle Bassan Leite (ex-chefe de núcleo de compliance).

 

Na conversa, o ex-presidente da cooperativa conta sobre a aquisição dos imóveis: “Meu apto aqui em Sampa quando vocês quiserem usar! Já estou com três aqui! (sic)”.

 

Eroaldo, então, reage com emojis animados, e Rubens continua: “Não compro mais imóvel em Cuiabá nem a pau!”.

 

“Três apartamentos aí vale uma fortuna”, responde Eroaldo. 

 

“Povo querendo meu oco”, diz Rubens. 

 

“Aqui já era, carreira aí agora no Brasil pro mundo”, fala o ex-consultor, se referindo ao último comentário de Rubens, que por último escreve que os imóveis valem “um milhão e meio os três juntos”.

 

Veja:

 

 

 

 

 

Reprodução

EROALDO DE OLIVEIRA

O ex-consultor executivo da Unimed, Eroaldo de Oliveira

Mais adiante na conversa, o relatório expõe Rubens afirmando que desde que foi eleito para presidir a Unimed, aumentou a transferência de dinheiro que “esconde” na Ilha de Man, território da Coroa Britânica conhecido por favorecimento em tributos fiscais.

 

“Daqui um ano e meio chego aos 500 mil dólares que guardo em um paraíso fiscal perto da Inglaterra (ilhas mand) que guardo desde 2014 e intensifiquei quando entrei na gestão da Unimed (hoje deposito 7,5 mil dólares por mês, cortando muita coisa que gosto pra isso)”. 

 

“Aí poderia investir na compra de um imóvel lá e ter o passaporte europeu…”, continuou.

 

“É isso mesmo”, incentivou Eroaldo. “Em Portugal comprar imóvel tem green card”.

 

Veja:

 

 

 

Já em outros prints, o ex-presidente da Unimed e o ex-consultor executivo falam sobre a aquisição de uma lancha. 

 

“E a nossa lancha? Está bem cuidada?”, questiona Rubens. “Semana que vem está pronta. Limpa, dedetizada”, responde Eroaldo.

 

Rubens, então, afirma que precisam acelerar a divisão das custas para evitar “estresse”, pois isso costuma “acabar com a relação”.

 

“A gente faz um contrato das cotas dela, até para se formos vender futuramente fica melhor”, diz Eroaldo.

 

 “Exato! Sem moage! Você e Jaq (Jaqueline Proença Larrea) são eternos para mim!”.

 

Veja:


 

 

O caso

 

Em outubro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Bilanz, contra o ex-presidente Rubens Carlos de Oliveira Júnior, que chegou a ser preso, e os outros cinco ex-gestores da cooperativa.

 

Eles foram investigados por organização criminosa, além de práticas de crimes de falsidade ideológica e estelionato, entre outros.

 

A operação se deu após denúncia da atual direção da cooperativa, que tem como presidente o médico Carlos Bouret. Segundo auditoria independente, o balanço contábil de 2022 teria sido “maquiado”, uma vez que apresentava saldo positivo de R$ 370 mil, quando na verdade havia um rombo de R$ 400 milhões.

 

Conforme a investigação, durante sua gestão, uma vez por mês, Rubens entregava pacotes de dinheiro em espécie, entre R$ 10 mil e R$ 15 mil a funcionárias da cooperativa, para que realizassem depósitos fracionados em suas contas nos bancos do Brasil, Santander e Safra. 

 

A manobra, segundo o Ministério Público Federal (MPF), visava ocultar a origem dos valores, provenientes de fraudes contábeis e desvios patrimoniais praticados dentro da Unimed, que alcançaram os R$ 400 milhões. Os procuradores da República também não descartam que os valores tenham sido posteriormente distribuídos aos outros ex-gestores investigados. 

 

Leia mais:

 

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Relinda Maria   07.01.26 09h24
Parabéns a PF pelo trabalho, agora vem a pergunta, já se sabe de todo o esquema que foi feito, pois bem para a justiça ser completa esse camarada e sua equipe tem que devolver tudo que roubou, será que vai acontecer isso? Cena dias próximos capítulos.
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