O jornalista Cláudio Roberto Natal Junior, preso nesta segunda-feira (26), em Cuiabá, no âmbito da investigação do homicídio do advogado Renato Nery, foi classificado pela vítima como "blogueiro e grampeador de telefones", "estelionatário" e integrante de um "escritório do crime".
As acusações constam em uma representação protocolada por Nery na OAB-MT (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso) dias antes de seu assassinato.

Cláudio foi alvo de mandado de busca e apreensão, por suspeita de envolvimento na alteração de documentos e assessoramento a escritórios de advocacia ligados aos suspeitos do homicídio de Nery, ocorrido em julho passado. Ele foi detido após os investigadores encontrarem dezenas de munições ilegais em sua casa.
A representação de Nery foi protocolada em 26 de junho, nove dias antes dele ser morto. Nas 7.854 páginas, Nery representa contra o advogado Antônio João de Carvalho Júnior, e cita outros advogados, entre eles o filho de um magistrado e um ex-secretário de Estado, além de um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que teriam agido para prejudicá-lo.
"Para corroborar com essa lastimável conduta na esfera judicial, o Representado contou com o auxílio de várias trapaças produzidas pelo seus asseclas na esfera extrajudicial. O bloqueiro (estelionatário) Claudio Natal sempre se encarregando de noticiar, nas suas maledicentes linhas, inúmeras inverdades sobre a conduta social do advogado Renato (Representante). Por meio deste expediente ele lhe imputa ignomiosos qualificativos (canalha, usurpador de direitos e etc.)", consta no trecho sobre o jornalista.
Reprodução
O advogado Renato Nery, que escreveu a representação enviada à OAB, cita Cláudio Roberto Natal Júnior
Conforme apurado pela DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Cuiabá, cerca de 15 dias antes da Operação Office Crime - A Outra Face, em 6 de março, Cláudio teria ligado para a empresária Julinere Goulart Bentos, suspeita de ser a mandante do crime, pedindo que ela providenciasse dinheiro para custear advogados que defenderiam os policiais acusados pela morte de Nery.
Quando foi aboradado pelos investigadores da Polícia Civil, Cláudio estava dentro de seu Mercedes, em frente ao condomínio Solar das Torres, no bairro Santa Cruz, onde reside. Após o flagrante, ele foi conduzido à DHPP e aguarda ser submetido à oitiva.
As prisões e indiciamentos
Julinere e seu marido, o empresário César Jorge Sechi, foram presos no dia 9 de maio, em Primavera do Leste. Desde então, nenhum dos dois se manifestou sobre as acusações.
Até o momento, a DHPP prendeu e indiciou o policial militar ex-Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, que confessou ter arquitetado o crime, e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, que confessou ser autor dos disparos.
Já tinham sido presos em 17 de abril o suposto intermediador do homicídio, o PM Jackson Pereira Barbosa, em Primavera do Leste, e o PM da inteligência da Rotam, Ícaro Nathan Santos Ferreira, que é suspeito de ter dado a arma do crime.
As confissões
No início de maio, Heron Vieira confessou na DHPP que recebeu R$ 150 mil pelo crime. O acordo inicial, segundo ele, era de R$ 200 mil. Na confissão, Heron ainda afirmou que os mandantes teriam sido o casal de empresários, além de apontar que contratou o caseiro Alex Roberto para executar Nery.
Conforme revelado na investigação, o valor combinado não teria sido pago na totalidade, o que teria gerado uma série de extorsões contra o casal, mas sem sucesso, pelo silêncio dos envolvidos.Heron ainda informou que os R$ 150 mil foram dividos somente entre ele e o caseiro.
O policial também confirmou a participação, como intermediador do homicídio, do PM Jackson Barbosa, que é vizinho de condomínio de Julinere e César.
Dias depois, em 15 de mario, o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, decidiu confessar ter sido o autor dos disparos em depoimento na DHPP.
Conforme apurado pelo MidiaNews, Alex Roberto se mostrou arrependido do crime e confirmou todas informações reveladas, também em confissão, pelo policial militar ex-Rotam, Heron Teixeira Pena Vieira, que admitiu tê-lo contratado para executar o crime.
Ocultação da arma
No dia 30 de abril, os PMs da Rotam Leandro Cardoso, Wailson Ramos, Wekcerlley de Oliveira e Jorge Martins, que estavam presos desde 6 de março, foram indiciados por forjar um confronto para plantar a arma do homicídio de Nery com terceiros.
Conforme a Polícia Civil, eles foram acusados de homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.
Segundo a investigação, o crime ocorreu no dia 12 de julho, sete dias após o assassinato do advogado, no Contorno Leste, em Cuiabá, que resultou na morte de um homem e feriu outros dois.
O homicídio
Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.
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