Cuiabá, Domingo, 22 de Fevereiro de 2026
PRIMEIRO DISCURSO
31.10.2022 | 07h25 Tamanho do texto A- A+

“É hora de baixar armas que jamais deveriam ter sido empunhadas”

Petista criticou o atual presidente e prometeu que vai governar "para 215 milhões de brasileiros"

Fotoarena/Folhapress

O presidente eleito Lula, que fez discursos após a vitória no segundo turno

O presidente eleito Lula, que fez discursos após a vitória no segundo turno

DO UOL

Em seu primeiro pronunciamento após ser eleito presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom conciliador. Sem citar nominalmente o adversário, Jair Bolsonaro (PL), o petista criticou o atual presidente e prometeu que vai governar "para 215 milhões de brasileiros e não apenas para aqueles que votaram" nele.

 

“É hora de baixar as armas que jamais deveriam ter sido empunhadas. Armas matam e nós escolhemos a vida”.

 

Depois do pronunciamento, Lula foi à avenida Paulista, em São Paulo, e discursou para apoiadores e militantes. Diante de uma multidão, ele disse que "derrotamos o autoritarismo e o fascismo deste país".

 

Lula foi eleito neste domingo (30) para o seu terceiro mandato como presidente da República. Com 100% das urnas apuradas, o petista tinha 50,90% dos votos, ante 49,10% para Bolsonaro.

 

O petista é o primeiro a ser eleito presidente da República pelo voto direto três vezes —antes, venceu em 2002 e 2006. Rodrigues Alves (1902 e 1918), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) venceram duas vezes. Getúlio Vargas foi eleito indiretamente em 1934 e pelo voto direto em 1950.

 

Lula e sua esposa, Janja da Silva, subiram ao palco visivelmente emocionados. Nas primeiras palavras, o petista agradeceu a Deus e às senadoras Simone Tebet (MDB-MS) —que foi candidata derrotada no primeiro turno da disputa à Presidência—, e Eliziane Gama (Cidadania-MA). As duas embarcaram na campanha no segundo turno e foram peças-chave em discursos entre conservadores e evangélicos.

 

Subiu o tom

 

Um dos debates da campanha era se, eleito, Lula iria rapidamente repetir as duras críticas a Bolsonaro feitas durante a campanha.

 

Parte da cúpula defendia que ele focasse mais no futuro, com citações de seu governo passado (2003-2010), enquanto outros diziam que era preciso pontuar as diferenças em relação ao atual presidente.

 

Pelo tom adotado no discurso nesta noite, o segundo grupo venceu.

 

“Nós não enfrentamos um adversário. Nós enfrentamos a máquina do Estado brasileiro colocada a serviço do candidato da situação para tentar evitar que nós ganhássemos as eleições”.

 

No discurso, Lula não só pontuou as falhas da gestão Bolsonaro nas questões econômica, social e ambiental como tocou sutilmente em outros pontos críticos do presidente, como os sigilos de 100 anos adotados sobre diversos assuntos, que o petista criticou durante toda a campanha.

 

"As grandes decisões políticas que impactam a vida de 215 milhões de brasileiros não serão tomadas em sigilo, na calada da noite", afirmou o petista.

 

Operações

 

A votação deste domingo foi marcada pelas operações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que, segundo relatos, teriam atrapalhado viagens a locais de votação ao redor do país.

 

Quase metade das blitze ocorreram no Nordeste —onde Lula venceu em todos os estados. Assim que a votação acabou, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, classificou as operações como "criminosas" e disse que a situação apontava a "utilização da PRF para fins eleitorais”.

 

As grandes decisões políticas que impactam a vida de 215 milhões de brasileiros não serão tomadas em sigilo

Prisão

 

Lula também falou indiretamente sobre sua prisão em decorrência da operação Lava Jato.

 

“Tentaram me enterrar vivo e estou aqui para governar esse país”.

 

Em pronunciamentos e entrevistas, o petista sempre destaca que sua prisão foi motivada para impedi-lo de disputar a eleição de 2018. Ele foi preso em abril de 2018 e solto no ano seguinte.

 

Em 2021, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou os processos de Lula e considerou o então juiz Sergio Moro (União Brasil) parcial.

 

Paz e foco no combate à fome

 

O presidente eleito repetiu discursos de paz, adotados ao longo da campanha, e destacou que o Brasil precisa de união e que "esse povo não quer mais brigar".

 

Lula afirmou que a pauta mais urgente de seu governo é acabar com a fome —atualmente, esse problema atinge 33 milhões de pessoas no Brasil.

 

O petista também elencou medidas de defesa das minorias, como combate da violência contra mulher e o enfrentamento do racismo.

 

“Nosso compromisso mais urgente é acabar com a fome outra vez. Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário”.

 

Paulista com apoiadores

 

Lula chegou ao hotel, na região da avenida Paulista, por volta das 20h30.

 

Ele acompanhou a apuração em sua casa, na zona oeste da capital, com a esposa Janja da Silva. Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente eleito, e outros integrantes da campanha e do PT permaneceram no hotel em uma sala no subsolo.

 

“Essa é a vitória mais consagradora, porque nós derrotamos o autoritarismo e o fascismo deste país. A democracia está de volta no Brasil. O povo vai poder sorrir outra vez”.

 

Aos apoiadores, o petista falou que queria saber se o "presidente que derrotamos" permitirá a transição do governo.

 

"Tenho dois meses apenas para montar o governo, para conhecer a máquina como está, e eu preciso escolher bem cada pessoa que vai participar da nova democratização do país”.

 

Reação de Bolsonaro

 

O atual presidente decidiu não discursar sobre o resultado das urnas, segundo assessores ouvidos pela colunista do UOL Carla Araújo. Bolsonaro votou no Rio, pela manhã, e depois viajou para Brasília.

 

Estados Unidos, Alemanha, França e outros países reconheceram a vitória de Lula. O presidente norte-americano Joe Biden foi um dos primeiros a entrar a emitir comunicado. Ele parabenizou "Luiz Inácio Lula da Silva por sua eleição para ser o próximo presidente do Brasil, depois de uma eleição livre, justa e crível".

 

Veja:

 

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