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22.02.2026 | 16h55 Tamanho do texto A- A+

Governo Lula não consegue abrir mercado de aves na Índia

Recusa do Brasil para itens indianos como romã e lentinha foi central para a negociação

Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); governo não finalizou a abertura do mercado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); governo não finalizou a abertura do mercado

VICTORIA DAMASCENO
DA FOLHAPRESS

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiu finalizar a abertura do mercado de aves e ovos na Índia na passagem da comitiva por Nova Déli, voltando sem um dos mais importantes resultados esperados para a viagem.

 

Um dos motivos pelos quais a Índia recusou as importações brasileiras é porque o Brasil não aceitou a romã, lentilha e os lácteos indianos, segundo membros do governo e do setor relataram à Folha.

 

O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, responsável por cerca de 35% do mercado global, segundo o Ministério da Agricultura.

 

A comitiva estava no país para acompanhar a viagem de Lula, que foi convidado pelo primeiro-ministro Narendra Modi para participar de uma cúpula de inteligência artificial e de uma visita de Estado, onde temas como a abertura de novos mercados foram tratados.

 

As negociações sobre o agronegócio eram uma das mais importantes para a gestão nesta passagem do presidente pelo país asiático, uma vez que a Índia é um grande mercado consumidor das commodities por ser a nação mais populosa do mundo e pelo frango ser a principal fonte de proteína animal no país.

 

Além disso, trata-se de uma população com baixo índice de consumo de carne bovina, uma vez que a vaca é considerada um animal sagrado em tradições religiosas e o consumo é visto como um tabu no país.

 

A Constituição indiana também orienta os governos a se empenhar para combater o abate de vacas, bezerros e outros animais leiteiros. Estados pelo país proibiram o abate de vacas ou impuseram restrições rígidas.

 

As negociações para abertura de mercados do agronegócio começaram, principalmente, em outubro com a ida do vice-presidente Geraldo Alckmin. Na viagem, que funcionou como uma preparação para a visita de Lula, Alckmin foi acompanhado por representantes do setor que desejavam ampliar a sua atuação na região.

 

Na ida mais recente, o governo também foi acompanhado por uma série de empresários do setor de proteínas, especialmente aqueles que buscavam a abertura do mercado de aves e ovos, com o agronegócio entre os principais acompanhantes, segundo dados da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

 

A decisão do governo indiano afeta a estratégia do Brasil de diversificação de mercados, especialmente na área de proteínas animais, que tem a China como um dos principais compradores.

 

O governo quer evitar que novas decisões sanitárias chinesas com relação às aves afetem a economia brasileira, como no ano passado quando Pequim suspendeu a exportação da commodity brasileira devido a um caso de influenza aviária em uma granja no Rio Grande do Sul.

 

A proibição ficou em vigor por cerca de seis meses, mesmo o Brasil recebendo o certificado de livre da influenza cerca de algumas semanas depois da restrição chinesa.

 

Após a reabertura do mercado chinês, as exportações de aves subiram cerca de 17,5% no mês seguinte, segundo dados da S&P.

 

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