Cuiabá, Segunda-Feira, 5 de Janeiro de 2026
MEDULA ÓSSEA
04.01.2026 | 10h17 Tamanho do texto A- A+

Transplante parcial tem segurança igual ao 100% compatível

Estudo considerou familiares; resultado foi apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Hematologia

Reprodução

O estudo foi liderado pelo Einstein Hospital Israelita e pela SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea)

O estudo foi liderado pelo Einstein Hospital Israelita e pela SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea)

VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

Um estudo brasileiro mostrou que transplantes de medula óssea de doadores familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos) são tão seguros e eficazes quanto os de doadores não parentes totalmente compatíveis (MUD).

 

Os resultados foram apresentados durante o encontro anual da ASH (Sociedade Americana de Hematologia), que aconteceu em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 9 de dezembro.

 

O estudo foi liderado pelo Einstein Hospital Israelita e pela SBTMO (Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea), e os dados validados pelo CIBMTR (Centro Internacional de Transplante de Medula Óssea).

 

Várias doenças hematológicas, como leucemias, que afetam o sangue, a medula óssea e os órgãos relacionados, são curadas pelo Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH) —o transplante de medula óssea, como é popularmente conhecido. O processo, porém, exige um doador. E o ideal é que ele seja 100% compatível.

 

Doadores com esse perfil de compatibilidade são conhecidos como MUD (Matched Unrelated Donor, na sigla em inglês), ou seja, um doador sem grau de parentesco com o paciente, mas que apresenta compatibilidade máxima. Esses doadores são encontrados em bancos de doadores.

 

Segundo a líder do estudo, Mariana Kerbauy, especialista em hematologia e transplante de medula, e médica do Einstein Hospital Israelita, muitos pacientes não acham doador perfeito devido à miscigenação étnica no Brasil.

 

"Como o Brasil é um país muito miscigenado, isso dificulta na hora da gente achar um doador 100% compatível no banco. Então, o fato da gente poder fazer um transplante equivalente com alguém da família metade compatível é muito importante, porque a maioria dos pacientes tem alguém que seja metade compatível", afirma.

 

Estudos de outros países já haviam concluído que transplantes com doadores "metade compatíveis" funcionam tão bem quanto com doadores 100% compatíveis.

 

Kerbauy afirma que o Brasil precisava de um estudo próprio sobre transplantes de medula, mesmo com dados internacionais positivos. Isso porque o país tem peculiaridades locais que poderiam mudar os resultados, como a própria questão étnica, mas também infecções mais prevalentes, como megalovirus, Doença de Chagas e toxoplasmose.

 

O estudo coletou dados de 501 pacientes de 21 hospitais brasileiros que passaram por transplante de medula entre 2018 e 2021. Do total, 335 (66,8%) receberam transplante parcialmente compatível (haplo) e 166 (33,2%) receberam de um doador 100% compatível (MUD).

 

Os pacientes tinham idade igual ou superior a 18 anos e tinham leucemia mieloide aguda (LMA) ou linfoblástica aguda (LLA) em remissão completa - sem sinais da doença no momento do transplante.

 

Após dois anos de acompanhamento (mediana de 26 meses), o estudo concluiu que não houve diferenças clinicamente significativas de sobrevida, recidiva (retorno do câncer) e toxicidade entre transplantes de doadores haplo e MUD.

 

"Com isso, a gente reafirma que um transplante metade compatível é factível, eficaz e seguro", diz Kerbauy.

 

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