Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
CACHÊ DE R$ 950 MIL
27.08.2025 | 16h30 Tamanho do texto A- A+

Advogado vai à Justiça para impedir show de Ana Castela em MT

Paulo Marcel Grisoste Santana apontou sobrepreço na contratação pela Prefeitura de Sapezal

Reprodução

A cantora Ana Castela, que foi contratada para a 26ª Exposapezal

A cantora Ana Castela, que foi contratada para a 26ª Exposapezal

BRENDA CLOSS
DO FOLHAMAX

O advogado Paulo Marcel Grisoste Santana Barbosa ingressou com uma ação popular pedindo a suspensão do show da cantora Ana Castela, previsto para 18 de setembro na 26ª Exposapezal, em Sapezal (473 km de Cuiabá).

 

O cachê de R$ 950 mil, segundo o jurista, seria superior à média paga por outras prefeituras mato-grossenses e apresenta indícios de sobrepreço e irregularidades no processo de contratação. Ainda não há decisão no processo.

 

A ação foi protocolada contra a Prefeitura de Sapezal, o prefeito Cláudio Scariote (Republicanos) e a empresa Boiadeira Music Ltda, de propriedade da cantora nesta terça-feira (26). No pedido, o advogado solicita que a Justiça suspenda o pagamento e, consequentemente, a realização do show. “O cachê de R$ 950.000,00 para contratação do show da Ana Castela em Sapezal/MT, o ‘Pipoco’ não é no palco: é no erário”, afirma Barbosa na inicial. 

 

Na ação, o advogado apresenta dados do Radar de Preços do TCE-MT e do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), que indicam valores inferiores em apresentações recentes da artista. Segundo o levantamento, a média dos cachês pagos em Mato Grosso gira em torno de R$ 775 mil, como nos casos de Pedra Preta (R$ 650 mil em 2024), Sorriso (R$ 750 mil em 2024) e Cáceres (R$ 800 mil em agosto de 2025). “Há justificativa técnica idônea para tamanha diferença em intervalo inferior a um mês?”, questiona o jurista.

 

Um relatório do Núcleo de Apoio Operacional do MPMT também apontou sobrepreço de R$ 200 mil no contrato de Sapezal, equivalente a 27% acima do valor de mercado. Grisoste ainda aponta vícios na condução do processo de inexigibilidade de licitação, conduzido por uma pregoeira comissionada, e não por servidor efetivo, como determina a Lei de Licitações. “A estabilidade protege a independência técnica: o servidor efetivo pode dizer ‘não’ ao gestor, pode ir contra a um preço mal justificado, sem receio de exoneração no dia seguinte”, destacou. 

 

Além disso, ele lembra que o município já esteve na mira do Ministério Público por contratações suspeitas de shows e por compras polêmicas, como a tentativa de aquisição de 700 kg de erva-mate para chimarrão, suspensa pela Justiça por falta de interesse público legítimo. Na petição, ele pede que a Justiça proíba qualquer pagamento à empresa Boiadeira Music e suspenda o show de Ana Castela.

 

Alternativamente, sugere que o município seja obrigado a depositar em juízo R$ 200 mil como garantia antes da realização do evento. “A desproporcionalidade do valor da contratação, somadas à crise financeira enfrentada pelo município, revelam a necessidade de pronta intervenção judicial para preservação do erário e respeito à moralidade administrativa”, argumenta.

 

Ao final, pediu para ser declarada nula a inexigibilidade de licitação nº 010/2025, e o respectivo contrato firmado e a condenação solidária dos responsáveis ao ressarcimento (se já houver pagamento) e às custas. O caso será analisado pela Vara Única da Comarca de Sapezal.

 

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COMENTÁRIOS
3 Comentário(s).

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Ivair Caetano  28.08.25 09h27
Não existe nenhum artista musical no Brasil que cante por algumas hora e que vale uma quantia exorbitante dessas....
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Celso Luiz  28.08.25 08h24
Prabens Doutor...na verdade quem paga é a população, e o resultado vem,.. E essa cantora ai ja não era mais estar cantando em eventos do Agro pois fez um clip com Dj Alock que é esquerdista igual os outros...Parabens...
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lucas  27.08.25 16h47
Cáceres toda fudida do jeito que está e ainda pagou por um show porcaria desses a bagatela de 850 mil reais? PARABÉNS AO DOUTRO PELA AÇÃO POPULAR, TEMOS QUE AGIR DESSA FORMA MESMO PELO BEM DO ERÁRIO, INFELIZMENTE NÃO SÃO TODOS QUE PENSAM DESSA FORMA, INTERVALO CURTO DE TEMPO E 150 MIL REAIS DE DIFERENÇA, FATO É QUE DEVERIA SER PROIBIDO PREFEITURA CONRATAREM SHOWS COM VALORES EXORBITANTES,MESMO QUE SÃO EMENDAS PARLAMENTARES, ISSO É SURREAL E O POVO APLAUDE ENTÃO VÃO TOMAR TODOS NO BRIOCO PRONTO FALEI TÔ MAIS LEVE EU QUE NÃO SAIO DE CASA PRA VER E OUVIR ESSAS PORCARIAS...
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