O ex-secretário de Estado Nilton Borgato e o lobista Rowles Magalhães se encontraram em Cuiabá dias antes da chegada, no Brasil, de um jato onde foram apreendidos 578 quilos de cocaína que eles transportariam para Portugal.
Os dois foram presos pela Polícia Federal na terça-feira (19), durante a Operação Descobrimento, acusados de tráfico internacional de drogas.
Conforme as investigações da Polícia Federal, o encontro ocorreu no dia 14 de janeiro do ano passado, no posto ao lado do Hotel Paiaguás, na Avenida do CPA.

A aeronave chegou 13 dias depois, no dia 27 de janeiro, em Salvador (BA). A apreensão da droga ocorreu no dia 9 de fevereiro.
O encontro foi umas das provas usadas pela Polícia Federal para apresentar um novo pedido de prisão preventiva contra Borgato.
O primeiro havia sido negado pela Justiça Federal por falta de provas de que ele seria o integrante da organização criminosa com o codinome “Índio”.
A PF interceptou conversas no celular de Rowles em que ele comenta sobre o encontro com Borgato e com o empresário Ricardo Agostinho, que também foi preso pela PF.
“O primeiro fato que chama atenção desse encontro é que o Rowles estava preocupado com a sua segurança, uma vez que após informar o local do encontro afirma: ‘Se eu não falar c vc já sabe onde procurar kkk (sic).”, diz trecho da investigação da PF.
Outro fato interessante, segundo a PF, é que após a reunião, às 20h02, Rowles pede para Ricardo não atender Borgatto.
“Ao analisarmos os diálogos entre o Ricardo e Nilton, percebe-se que de fato, no dia 14/01/2021, o Nilton (Índio) ligou para o Ricardo duas vezes, às 20h e 06min e às 20h e 16min, bem como mandou mensagem, às 20h e 18min, pedindo para o Ricardo ligar para ele no dia seguinte”, diz outro trecho da investigação da PF.
Reunião virtual
Outra prova usada pela Polícia Federal para demostrar que Borgato era de fato o "Índio" foi uma reunião realizada entre os investigados no dia da chegada da aeronave no Brasil.
“Nesse sentido, Nilton indaga Ricardo onde estaria o ‘nosso homem’, bem como que ‘entrou 12, mas kd o homem' (sic). Ricardo afirma que está mandando mensagem e ligando para o tal homem”, diz trecho da investigação da PF.
MidiaNews
Rowles Guimarães, acusado de tráfico internacional
“Por fim, já no período da noite, quando a aeronave que veio buscar o entorpecente já se encontrava no Brasil, em Salvador/BA, Nilton manda o seguinte áudio a Ricardo: “Oh, vê se você consegue falar com ele, por que o rapaz tá aqui e não pode perder isso aqui agora não” (sic), diz outro trecho da investigação.
Segundo a Polícia Federal, nesse áudio, quando Borgato fala que 'o rapaz tá aqui' deve estar se referindo ao avião ou ao investigado, e mecânico de aeronave, Mansur Mohamed Ben-Barka Heredia que, por ter conhecimentos técnicos de aeronave, estava no voo e deve ter vindo ao Brasil para auxiliar na desmontagem para realizar o carregamento do entorpecente.
Prisão aceita
Ao analisar as novas provas, o juiz federal Fábio Roque da Silva Araújo afirmou que Borgato não só é membro da organização criminosa envolvida no tráfico internacional de entorpecentes, como também possui um papel de destaque
“Diante de todas as evidências, e, principalmente, diante da comprovação de que o número de telefone constante nas conversas dos demais membros da organização pertence ao investigado Nilton Borges Borgato, entendo que a sua prisão preventiva se faz necessária”, disse o juiz na decisão.
A organização
Conforme as investigações, junto a Rowles, Borgato e Ricardo Agostinho, também seriam os “cabeças” do esquema a doleira Nelma Kodama, primeira delatora da Lava Jato e ex-namorada de Rowles, o empresário Cláudio Rocha Júnior e o membro da facção criminosa PCC, Marcelo Mendonça, conhecido como Marcelo “Grandão” ou Marcelo “Infraero”.
Todos tiveram prisão preventiva cumprida na operação, exceto Cláudio, que já havia sido preso em Portugal por envolvimento com tráfico de drogas em data anterior.
A PF ainda detalha outros dois escalões da organização, sendo o segundo dividido em parte operacional e financeira. Já no terceiro estariam os responsáveis pelo carregamento da droga.
A parte operacional, segundo a PF, seria composta pelo empresário Marcos Paulo Barbosa Lopes, conhecido como “Papito”, e Fernando de Souza Honorato. Já a parte financeira seria administrada pelo doleiro Marcelo Lucena da Silva e o contador Edson Carvalho Sales dos Santos.
Já o terceiro escalão seria composto pelo consultor aeronáutico Mansur Mohamed Benbarka Heredia, Lincon Felix dos Santos, Dilson Borges dos Santos, o mecânico de aeronaves Richard Rodrigues Consentino e Cícero Guilherme Conceição Desidério.
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