Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
EM CLÍNICA DE REABILITAÇÃO
09.06.2025 | 17h10 Tamanho do texto A- A+

Justiça marca júri de assessor de deputado por morte de músico

O acusado Kleber Ferraz Albuês é ex-policial civil; o caso aconteceu em 2011, em Cuiabá

Montagem/MidiaNews

O músico Thiago Festa Figueiredo (no detalhe); júri de acusados marcado

O músico Thiago Festa Figueiredo (no detalhe); júri de acusados marcado

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso marcou para o dia 27 de junho de 2025, às 9h, o júri popular do ex-policial civil Kleber Ferraz Albuês, que é acusado de sequestrar, matar e esconder o corpo do músico Thiago Festa Figueiredo.


O crime ocorreu em dezembro de 2011, em uma clínica de reabilitação de propriedade da mãe do policial, em Cuiabá.

 

Kleber foi demitido do cargo de investigador e atualmente trabalha como assessor do deputado estadual Júlio Campos (União).

 

Além dele, também será levado a júri o técnico em informática Hueder Marcos de Almeida.

 

A data do julgamento foi definida pela juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, do Núcleo de Atuação Estratégica (NAE) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

A decisão foi tomada após o TJ acolher um recurso do Ministério Público Estadual (MPE) e derrubar a decisão que havia absolvido os réus.

 

“Posto isso, designa-se o dia 27 de junho de 2025 às 09h para a realização de sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri no plenário da 1ª vara criminal, a ser realizada na forma presencial”, decidiu a juíza.

 

Kleber responde pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe), sequestro qualificado e falsidade ideológica.

 

Já Hueder Marcos de Almeida responde por homicídio simples, sequestro qualificado e falsidade ideológica.

 

O caso

 

Segundo a denúncia do Ministério Público, Thiago Festa Figueiredo e um amigo, identificado apenas como André, foram detidos por policiais militares após comprarem entorpecentes e encaminhados à Central de Flagrantes (Cisc Norte), em Cuiabá.

 

Preocupada com o filho, a mãe de André procurou o então investigador da Polícia Civil, Kleber Ferraz Albuês, solicitando a internação dele em uma clínica de reabilitação. No entanto, conforme o Ministério Público, Thiago também acabou sendo internado à força, mesmo sem qualquer autorização da família, ordem judicial ou consentimento próprio.

 

Ainda de acordo com a acusação, Kleber, armado, coagiu Thiago a dirigir até a clínica, ligada à sua família. Já no local, o técnico em informática Hueder Marcos de Almeida preparou, sem qualquer habilitação técnica, um coquetel de medicamentos controlados, apelidado por funcionários de “danone”.

 

Mesmo após Thiago alertar que era alérgico a certas substâncias, os dois acusados o teriam forçado a ingerir a mistura. Ele foi então trancado no chamado "quarto da disciplina", onde começou a agonizar, apresentou dificuldades para falar e morreu por intoxicação medicamentosa.

 

Após a morte, Kleber e Hueder, com o auxílio de um terceiro ainda não identificado, teriam retirado o corpo da clínica e o abandonado às margens da estrada para o Distrito da Guia, na zona rural de Cuiabá. Em seguida, foi elaborado um boletim de ocorrência, redigido por Kleber, no qual o caso foi registrado como se o corpo tivesse sido encontrado de forma fortuita, sem qualquer vínculo com a clínica.

 

A manobra, segundo o Ministério Público, tinha como objetivo mascarar o crime e dar à morte a aparência de uma simples overdose por uso de drogas, o que permitiria que o próprio Kleber conduzisse o inquérito no Cisc Norte, evitando a apuração pela Delegacia de Homicídios.

 

 

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