Cuiabá, Terça-Feira, 14 de Abril de 2026
ASSASSINATO DE NERY
14.04.2026 | 17h00 Tamanho do texto A- A+

STJ aponta “elevada periculosidade” e mantém prisão de PMs

Os militares teriam forjado confronto para plantar arma usada no homicídio do advogado Renato Nery

Reprodução

No detalhe, os quatro PMs da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides e Wailson Alessandro Ramos

No detalhe, os quatro PMs da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides e Wailson Alessandro Ramos

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão dos policiais militares da Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (Rotam) de Cuiabá Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso.

Mostra-se necessário resguardar a instrução processual, diante do evidente risco de intimidação das vítimas sobreviventes

 

Eles são réus por forjarem um confronto que terminou com uma pessoa morta e outra ferida, com o objetivo de plantar a pistola Glock G17 usada no homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá.

 

A decisão foi assinada pela ministra Maria Marluce Caldas e publicada na última sexta-feira (10).

 

Os policiais chegaram a ser soltos em maio de 2025, por decisão do juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, que foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). No entanto, voltaram a ser presos em fevereiro deste ano, por determinação da ministra.

 

No recurso, a defesa pediu a suspensão da prisão até o julgamento do caso. Alegou, ainda, que não havia fatos novos que justificassem a detenção e que os policiais vinham cumprindo as medidas impostas, sem interferir no andamento do processo.

 

Ao rejeitar os argumentos, a ministra apontou que a soltura dos policiais representa risco à sociedade, diante da gravidade dos fatos e da conduta atribuída ao grupo. Também ressaltou que a prisão é necessária para garantir o andamento do processo, apontando risco de intimidação das vítimas que sobreviveram.

 

"Em que pesem os argumentos das defesas, tenho que a liberdade dos agravantes coloca em risco toda uma comunidade, tendo em vista que o contexto em que foram praticados os delitos denota a elevada periculosidade dos agentes", escreveu a ministra.

 

"De igual modo, conforme já consignado, mostra-se necessário resguardar a instrução processual, diante do evidente risco de intimidação das vítimas sobreviventes", completou.

 

O confronto 

 

Reprodução

Jorge Rodrigo, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides e Wailson Alessandro Ramos

Jorge Rodrigo, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides e Wailson Alessandro Ramos são réus por crimes relacionados a um confronto forjado em 2024

Os militares respondem pelo homicídio de Walteir Lima Cabral, duas tentativas de homicídio contra Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa.

 

O suposto confronto, conforme o boletim de ocorrência, ocorreu na madrugada de 12 de julho de 2024, uma semana após a morte de Nery, na Avenida Contorno Leste, no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, quando os quatro PMs atenderam a uma denúncia do roubo de um Volkswagen Gol.

  

O roubo teria acontecido cerca de quatro horas antes dos três suspeitos serem localizados pelos PMs, quando estavam a caminho de um desmanche de carros. Na ação, os policiais afirmam que houve reação e disparos por parte dos suspeitos.

 

Assim, os tiros foram revidados e resultaram na morte de um dos ladrões, deixando um segundo baleado. Já o terceiro envolvido fugiu. Conforme o B.O., onde consta o relato dos policiais, o trio estava com duas pistolas, uma Glock G17 e uma Jericho.

 

Entretanto, a perícia feita no local não encontrou nenhuma cápsula deflagrada das pistolas. A suspeita da Polícia é que os PMs tenham plantado não somente a Glock utilizada na morte de Nery, mas também a Jericho.

 

Na denúncia do MPE, consta que o criminoso que foi baleado e sobreviveu afirmou que eles cometeram o roubo do carro utilizando somente uma arma falsa que compraram online.

 

Ainda conforme apurado pelo MidiaNews, a vítima do roubo afirmou em depoimento à Polícia Civil que os criminosos portavam somente uma arma. De acordo com o MPE, ambas as pistolas que supostamente estavam em posse do trio não foram encontradas no local do confronto.

 

Tanto a Glock quando a Jericho foram entregues pelo sargento Jorge Rodrigo Martins ao, na época, delegado titular da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa), Rodrigo Azem.

 

Morte de Nery 

 

Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. 

 

Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

 

As investigações apontaram o casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi como mandantes do crime. Eles estão presos e respondem por homicídios qualificado e organização criminosa. 

 

Ambos, conforme a denúncia, teriam agido movidos por ressentimento após perderem uma disputa judicial contra a vítima, relacionada à posse de uma área rural avaliada em mais de R$ 30 milhões, em Novo São Joaquim.

 

Também são réus o sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira, acusado de ser articulador do crime, o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como autor dos disparos, e os também policiais Jackson Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira. 

 

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