Enquanto a esquerda se apresenta como defensora da justiça social, o que se observa, na prática, é a destruição deliberada do tecido social por meio da narrativa. Uma narrativa que não busca resolver problemas concretos, mas produzir dicotomias permanentes: nós contra eles, pobres contra ricos, negros contra brancos, opressores contra oprimidos.
Esse método não é novo. Ele tem nome, história e consequências conhecidas. É o método de Robespierre.
Maximilien Robespierre acreditava que a sociedade só poderia ser purificada pela divisão moral absoluta. Ao se autoproclamar intérprete exclusivo da virtude, transformou adversários em inimigos e diferenças em crimes. O resultado foi um regime sustentado pelo medo, pela delação e pela eliminação simbólica e depois física de todos que não se enquadravam na narrativa dominante.
Hoje, a guilhotina foi substituída por instrumentos mais sofisticados, mas a lógica é a mesma. A divisão é cultivada desde cedo, pela doutrinação de jovens, pela cooptação de professores em instituições públicas e pela captura do campo cultural, onde mecanismos legais de fomento, como a Lei Rouanet, deixam de ser incentivo à arte para se tornar financiamento ideológico. Artistas, militantes e até “idiotas úteis” inclusive entre os mais velhos, passam a reproduzir discursos prontos, acreditando agir em nome do bem comum, quando na verdade servem a projetos de poder excludentes.
A história mostra que regimes e movimentos que prosperam na divisão acabam devorando a própria base. Foi assim na Revolução Francesa, é assim em toda experiência política fundada no conflito identitário permanente. Quando tudo vira luta de identidades, ninguém mais é cidadão, todos se tornam peças descartáveis de um projeto maior, que não admite dissenso, nuance ou pluralidade.
Enquanto isso, a direita, com todas as suas imperfeições tem, em regra, buscado atuar dentro das quatro linhas institucionais, respeitando limites legais e constitucionais. Há exceções, naturalmente. Mas é revelador que, quando alguém rompe o protocolo, o faça alegando a necessidade de proteger sua população, e não de impor uma moral única ao conjunto da sociedade.
O verdadeiro perigo não está na firmeza do Estado, mas na politização da moral. O método de Robespierre ensina que quando a política se transforma em cruzada ética, o próximo passo quase sempre é a supressão de direitos, sempre em nome de uma virtude abstrata, definida por poucos e imposta a muitos.
Democracias não morrem apenas por golpes. Morrem quando a divisão se torna política de Estado e a narrativa substitui a verdade.
Esse é o alerta da história. Ignorá-lo é repetir o erro, com novos nomes, novos slogans e o mesmo desfecho.
João Batista de Oliveira é ex-secretário de Governo na gestão Blairo Maggi e ex-secretário de governo e comunicação na gestão Mauro Mendes.
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