Cuiabá, Quarta-Feira, 7 de Janeiro de 2026
ONOFRE RIBEIRO
06.01.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

Trump e a América Latina

Brasil terá um atenção especial e é questão de tempo; logo após a Colômbia

Desde o último domingo as atenções mundiais recaíram, sobre a Venezuela por conta da prisão do ditador Nicolas Maduro pelos EUA. Vejo o assunto ser tratado exclusivamente pelo ângulo político. É mais. O ângulo correto seria o geopolítico. Mas para compreendê-lo é preciso voltar 80 anos atrás quando acabou a segunda guerra mundial e iniciou-se a Guerra Fria entre os Estados Unidos e os países que formavam o bloco da União Soviética,

 

Era a polarização política e ideológica do mundo entre as duas potências. Durou até 1989. O mundo ficou monopolar já que a União Soviética se dissolveu. Em 1990, os presidentes do Brasil, da Venezuela e de Cuba lideraram um movimento para a criação de algo parecido com a União Soviética, preservando o comunismo russo na América Latina e no Caribe. Nasceu o Foro de São Paulo com o propósito de criar as condições para implantar o comunismo na região, e fazer frente aos Estados Unidos. Lideravam o Foro, Lula, Hugo Chavez e Fidel Castro.

 

Os Estados Unidos nunca deram importância ao movimento e continuaram tratando a América Latina e o Caribe como seu quintal. Porém a geopolítica mundial começou a mudar a partir de 2000 com a entrada da China na economia mundial e a sua associação com alguns países: Rússia, Irã, Cuba, Nicarágua, Coreia do Norte, Venezuela e Brasil.

 

A Venezuela trouxe pra dentro do seu território todos eles e, por último o movimento terrorista Hezbolá. Pagava pelos serviços militares de proteção, armas e aviões em petróleo. E A China entrou muito rapidamente na maioria dos países da área do Foro de São Paulo, preocupando os EUA de perderem o seu quintal e trazer os seus inimigos pra muito perto de si.

 

E eleição fraudada de Maduro em 2024 acedeu a luz amarela nos EUA. Usando como justificativa o narcoterrorismo, a eleição que feriu a democracia, e o petróleo, prendeu Maduro. Mas não é essa a verdadeira questão. A questão é tirar aqueles países inimigos do seu quintal. A organização da Venezuela pós-Maduro é coisa de algum tempo e os EUA não vão deixar na mão das lideranças venezuelanas por conta dos seus comprometimentos políticos. É só tempo mesmo.

 

A Colômbia será o passo seguinte e o Brasil o terceiro passo. O Brasil, pelo papel que tem no continente e por suas possibilidades econômicas. O Brasil junta as questões de ataques à democracia, o aparelhamento do narcotráfico sob a proteção do Estado, ataques aos direitos humanos pelo DTF e pelo governo e a corrupção interna. Trump pensa em substituir a liderança atual por outra confiável aos EUA. As posições nacionais e internacionais de Lula ajudam nessa leitura dos EUA. Em 1964 a queda do presidente João Goulart se deu sob a força do braço norteamericano. Há antecedentes aqui e no mundo todo. Venezuela acaba de ser o último.

 

Trump pretende desmontar do Foro do São Paulo. Isso significa fortíssima presença norteamericana no continente. Brasil terá um atenção especial. Questão de tempo. Logo após a Colômbia.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
2 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

aloisio  06.01.26 23h27
Existe um enorme desejo de empurrar o Brasil nessa lama. Essa coisa que se chama de direita não tolera ninguém no poder que não seja de sua franquia.
0
0
Ernani  06.01.26 10h24
Parou no tempo. Em 1964 o Brasil era um país com cerca de sessenta milhões de habitantes, com um presidente não eleito para o cargo (foi vice-presidente). Era uma nação com pouca instrução e politização, poucas e mal aparelhadas forças armadas, militares que se julgavam superiores, mais de 70% da área inexplorada economicamente. Temos atual e praticamente 80% do território ocupado e acessível, tropas mais bem treinadas e armadas (respeitando-se a superioridade norte-americana), com mais de 9.000 quilômetros de costa (-por onde invadir?). Melhor pararmos de discutir essa possibilidade. Ou tem alguém torcendo para entregar nossa soberania a estrangeiros?...
7
0



Leia mais notícias sobre Opinião:
Janeiro de 2026
07.01.26 05h30 » Vespeiro!
07.01.26 05h30 » Eu sou do mundo da bola
06.01.26 05h30 » O semeador
06.01.26 05h30 » Antonieta de Barros
06.01.26 05h30 » Trump e a América Latina
05.01.26 05h30 » Entre a fé e o voto