O Carnaval é uma das poucas experiências em que o Brasil consegue se reconhecer por inteiro. É diverso, criativo e profundamente marcado pela mistura. Um período em que o país se expõe entre realidade e fantasia, ocupando ruas e avenidas com a diversidade de sons e identidades.

Resultado direto da formação cultural brasileira, a festa tem no samba seu eixo central, mas não exclusivo. Dialoga com o frevo, com o maracatu, com o axé e com blocos independentes que misturam tradição e experimentação. A celebração não pertence a um único ritmo, porque o Brasil também não se limita a uma única matriz cultural.
Com o tempo, essa ocupação também se tornou mais democrática. Se antes a folia parecia concentrada em modelos únicos de celebração, hoje se fragmenta em múltiplos espaços.
Há blocos infantis, festas voltadas para públicos religiosos, eventos alternativos, encontros de rock e manifestações culturais de bairro. A ampliação dessas possibilidades revela uma sociedade que disputa e amplia seu direito à festa. Deixa de ser um modelo fechado e passa a ser um campo aberto de escolhas.
Não se trata apenas de entretenimento, mas também de narrativa. A manifestação reafirma que cultura popular vai além da superfície, é uma leitura do país. Ao reunir gêneros, povos e estéticas distintas, evidencia que nossa identidade não é uniforme. Ela se constrói no encontro entre diferenças.
Transformar a própria existência em expressão pública e coletiva talvez seja a maneira mais honesta de traduzir o Brasil. Como cantam os Tribalistas: “vamos pra avenida desfilar a vida, carnavalizar”.
Bruno Moreira é publicitário e gestor de marketing
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
|
0 Comentário(s).
|