Cuiabá, Quinta-Feira, 5 de Fevereiro de 2026
ESTUPRADA EM DELEGACIA
05.02.2026 | 14h24 Tamanho do texto A- A+

Policial teria ameaçado matar vítima e a filha de 8 anos: “Terror”

Crimes teriam ocorrido durante plantão nos dias 9 e 10 de dezembro, em delegacia de Sorriso

Reprodução

O advogado Walter Rapuano, que falou sobre acusação contra Manoel Batista da Silva (no detalhe)

O advogado Walter Rapuano, que falou sobre acusação contra Manoel Batista da Silva (no detalhe)

LIZ BRUNETTO
DA REDAÇÃO

O investigador da Polícia Civil de Sorriso Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso preventivamente na manhã do último domingo (1), acusado de ter estuprado, por quatro vezes, uma mulher que estava presa na delegacia do Município, ameaçou de morte ela e a filha dela, de apenas 8 anos. A denúncia foi feita pelo advogado Walter Rapuano, que faz a defesa da vítima.

Se ela fizesse alguma coisa, ele disse que mataria ela e a filha. Ela tem uma filha de mais ou menos 8 anos de idade

  

“Situação completamente chocante, aterrorizante, aberrante e que traz asco”, afirmou o advogado em entrevista ao programa SBT Comunidade.

 

O investigador é acusado de ter cometido o crime nas dependências da Delegacia de Sorriso, enquanto estava de plantão. Segundo o advogado, o crime aconteceu quatro vezes entre os dias 9 e 10 de dezembro.

 

Conforme Rapuano, a vítima foi presa temporariamente no dia 8 de dezembro e levada à Delegacia. No dia seguinte, ela passou por audiência de custódia, na qual teve a prisão mantida, e então foi levada para exame de corpo de delito pelo investigador acusado.

 

O terror, segundo o relato, teria começado quando retornaram da Politec para a delegacia. Por volta das 18h, teria ocorrido o primeiro estupro. Algumas horas depois, a vítima teria sido novamente abusada.

 

“Só que, quando chegou na delegacia, por volta das 18h, segundo o relato da minha cliente, no lugar de levá-la de volta para a cela, a levou para uma sala, trancou a porta, a ameaçou de morte, ameaçou a filha de morte. Se ela fizesse alguma coisa, ele disse que mataria ela e a filha. Ela tem uma filha de mais ou menos 8 anos de idade”, disse o delegado.

 

Segundo o advogado, após o primeiro abuso sexual, a vítima teria sido colocada de volta na cela e, algumas horas depois, retirada novamente e levada para uma sala, onde teria sido vítima do segundo abuso sexual.

 

Na madrugada e no amanhecer do dia 10, conforme o advogado, houve os supostos terceiro e quarto estupros. “De madrugada, perto do amanhecer, ele a retirou mais uma vez da cela e praticou o quarto abuso sexual. Isso tudo dentro da Delegacia de Sorriso, durante o plantão, horário em que ficam poucos policiais civis”, disse.

 

“Com a minha cliente, chegamos à conclusão de que esse fato não poderia ficar escondido, que a gente tinha que tentar levar a público, apesar de se tratar de um policial civil. A nota traz um relato detalhado de como foi a noite de terror pela qual a minha cliente, a vítima, passou enquanto ela esteve presa”, completou.

 

A delegada Laíssa Crisóstomo de Paula Leal informou que o confronto de DNA do material genético encontrado na vítima resultou positivo com o do policial.

 

Denúncia

 

Conforme o relato, assim que foi solta, na noite do dia 11, a vítima entrou em contato com o advogado e relatou ter sido estuprada na delegacia.

 

Como o crime teria sido cometido há pouco tempo, o advogado orientou a vítima a permanecer sem tomar banho para realizar a denúncia e os exames periciais, a fim de comprovar que o crime teria sido cometido com conjunção carnal.

 

Gravei e encaminhei esse vídeo, em sigilo, ao Ministério Público, que, quando viu, ficou aterrorizado 

“Na manhã do dia 12, fiz uma videochamada com a vítima, gravei e encaminhei esse vídeo, em sigilo, ao Ministério Público, que, quando viu, ficou aterrorizado com aquilo e imediatamente solicitou a mim que a trouxesse até o Ministério Público para, de forma sigilosa, iniciar as investigações”, explicou o advogado.

  

“Dentro de uma delegacia ocorrer tamanha barbaridade, uma noite de terror como a que ela foi submetida, não tem precedente. Hoje, a vítima, está deveras abalada. Quando ela soube da prisão do policial civil, rememorou tudo na cabeça e está destroçada”, disse.

 

O advogado afirmou ainda que o procedimento adotado na delegacia em relação à custódia de presas não é adequado, especialmente nos plantões, quando há predominância de policiais homens. Para ele, é necessário que o protocolo da Polícia Judiciária Civil seja revisto, garantindo sempre a presença de uma policial nos atendimentos e procedimentos envolvendo presas.

 

“Ninguém está acima da lei, não importa o cargo que ocupe. Não importa se é delegado, não importa se é policial civil, não importa se é policial militar, se é juiz, se é promotor, qualquer advogado. Ninguém está acima da lei. Uma hora, o telhado de vidro quebra”.

 

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