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30.01.2026 | 07h10 Tamanho do texto A- A+

Saiba quem são os irmãos Zahran, alvos de operação em MS

Camillo e Gabriel Zahran são herdeiros do grupo de empresas e acusados de aplicarem golpes em SP

Reprodução

Camillo e Gabriel Zahran são de família tradicional da política e do meio empresarial em MS

Camillo e Gabriel Zahran são de família tradicional da política e do meio empresarial em MS

ADRIEL MATTOS
DO MIDIAMAX

Os empresários Camillo Gandi Zahran Georges e Gabriel Gandi Zahran Georges têm um longo histórico de problemas com a Justiça antes de serem alvos da Operação Castelo de Cartas, da PCSP (Polícia Civil de São Paulo). Os sul-mato-grossenses são suspeitos de uma série de fraudes que deixaram várias pessoas do estado vizinho no prejuízo.

Eles fazem parte da família que é proprietária de um grupo de empresas no Mato Grosso do Sul. Utilizando dessa falsa credibilidade, eles acabavam enganando as pessoas

 

Em fevereiro de 2025, Gabriel fez acordo com uma moradora de Campo Grande após se envolver em um acidente no Jardim Autonomista. O processo não traz detalhes de quem causou a colisão nem se houve feridos.

 

A condutora de uma Yamaha Fazer assinou acordo de conciliação com Gabriel, em que o empresário assumiu os custos do conserto da motocicleta. Ele conduzia uma Dodge Ram Rampage, apreendida na ação da polícia paulista. Com o acordo, o processo foi concluído ainda em 2025.

 

Não foi o primeiro acidente que Gabriel se envolveu. Em 2021, um motociclista ficou em estado grave após uma colisão com o Volkswagen Passat que o empresário conduzia.

 

Camillo e Gabriel são filhos do ex-deputado federal Gandi Jamil e da empresária Ana Karla Peluffo Zahran. A mãe deles é filha do empresário Ueze Zahran, já falecido.

 

A defesa dos irmãos Zahran, feita pelo advogado Márcio Ávila, informou que não irá se manifestar. Em nota, o Grupo Zahran esclareceu que Gabriel e Camillo não têm vínculo com qualquer empresa do conglomerado nem o grupo tem relação com as empresas citadas.

 

Camillo Gandi Zahran: dívida milionária

 

Camillo Gandi Zahran Georges — considerado foragido — é cobrado na Justiça de Mato Grosso do Sul por dívidas que somam, em valores atualizados, R$ 6,86 milhões (R$ 6.864.475,05).

 

Em Mato Grosso do Sul, tramitam dois processos contra Camillo que cobram valores pactuados em confissão de dívida. Nesse documento, o credor reconhece que possui um débito e se compromete a quitá-lo conforme as regras e condições estabelecidas. Não há confirmação se as duas pessoas que processam um dos herdeiros da família Zahran seriam vítimas do esquema de fraudes. 

 

Camillo teria assinado documentos em que admitia dívidas com os autores das ações, mas não teria honrado com os pagamentos. As duas pessoas teriam procurado o empresário para tentar resolver o débito de forma amigável, mas, sem sucesso, acabaram processando Camillo. 

 

Um dos contratos de confissão de dívida foi assinado em 26 de fevereiro 2024 e soma atualmente R$ 5,38 milhões (R$ 5.381.300,00), enquanto o outro é de R$ 1,48 milhão (R$ 1.483.175,05) e foi assinado em 4 de dezembro de 2023.

 

Em um dos processos, a parte autora narra que teria investido todo o capital na instalação de três negócios com Camillo, mas acabou descobrindo, posteriormente, que o valor destinado a montar o comércio foi desviado e nenhuma das empresas teria sido constituída.

 

A parte autora, que estava grávida na época, estaria endividada, devendo o cartão de crédito, banco e tendo que entregar o imóvel que alugava por não ter renda para pagar o aluguel. Ela estaria sem renda e o marido, desempregado.

 

Gabriel Zahran: indiciado por homicídio

 

Gabriel Zahran já foi alvo da polícia anos atrás. Em setembro de 2021, ele foi indiciado pelo homicídio que vitimou Rosevaldo Matias Moitinho, de 46 anos. A vítima foi assassinada com um tiro no abdômen durante caçada em 29 de agosto dentro de um haras, localizado em Campo Grande.

 

Na época, o Jornal Midiamax noticiou que, em depoimento, Gabriel alegou que caçava durante a noite e, ao atirar em um javali, percebeu que Rosevaldo foi atingido no abdômen. Gabriel também apresentou para a polícia a autorização de caçador, o CAC e a arma de fogo utilizada no momento dos disparos.

 

Meses antes do homicídio, Gabriel se envolveu em outra ocorrência policial. Em abril de 2021, ele conduzia um veículo Passat quando atingiu dois motociclistas no cruzamento da Avenida Nelly Martins — o prolongamento da Via Park — com a Rua Santa Bárbara.

 

Na ocasião, os motociclistas atingidos foram socorridos em estado grave, com politraumatismo. Gabriel também foi socorrido por um parente e levado para atendimento médico em um hospital particular.

 

Operação Castelo de Cartas

 

A quadrilha prometia lucros elevados e um suposto vínculo com um grande grupo do setor de gás e energia chefiado por uma tradicional família sul-mato-grossense. Segundo o delegado Fernando Tedd em coletiva de imprensa, publicada pelo Diário do Rodrigo Lima, os irmãos criaram uma empresa de fachada.

 

“Eles fazem parte da família que é proprietária de um grupo de empresas no Mato Grosso do Sul. Utilizando dessa falsa credibilidade, eles acabavam enganando as pessoas como se elas estivessem investindo nas empresas do grupo. Eles criaram a empresa de fachada, que simulava essa situação, e foram angariando dinheiro como se as pessoas tivessem realmente investindo nesse grupo empresarial”, explicou.

 

As vítimas, algumas de São Paulo, sofreram prejuízos milionários ao saberem do golpe. “Quando foram cobrar os dividendos, descobriram que estavam sendo enganados, aí procuraram as delegacias em cada região e fizeram o registro das ocorrências”, revelou o delegado.

 

Empresa de Fachada

 

Ainda conforme Fernando Tedd, os irmãos não fazem parte da administração de nenhuma empresa da família tradicional sul-mato-grossense. Contudo, simulavam que as empresas de fachada seriam terceirizadas do grupo empresarial da família. Um dos irmãos foi ouvido pela polícia, e o outro está foragido.

 

“Pelo que conseguimos saber, eles não fazem parte da administração de nenhuma dessas empresas do grupo e acabaram criando essa situação falsa de investimentos para angariar dinheiro. São dois irmãos que administram essa associação criminosa. Um deles está sendo ouvido agora, não tinha mandado de prisão contra ele. O outro irmão tinha mandado de prisão, mas não foi localizado. A partir desse momento, ele é considerado foragido”, detalhou o delegado da Deic.

 

“Era investimento como se tivesse aplicando dinheiro nessas empresas de fachada, que seriam terceirizadas do grupo empresarial, e seriam investimentos com um retorno financeiro elevado. […] Por enquanto, está sendo apurado estelionato comum e fraude eletrônica”, acrescentou Fernando.

 

A primeira fase da operação foi deflagrada em condomínios de alto padrão no município de Rio Preto. Lá, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Já a segunda fase, deflagrada nesta quarta (28), cumpriu mandados de busca e apreensão em dois condomínios residenciais no bairro Carandá Bosque, região nobre de Campo Grande.

 

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Benedito   30.01.26 08h04
Isso a Globo não mostra !!
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