Cuiabá, Sexta-Feira, 9 de Janeiro de 2026
BANCO MASTER
09.01.2026 | 14h24 Tamanho do texto A- A+

Fundos investigados têm ligação com operação que mirou PCC

Banco Central enviou nome dos fundos ao MPF; Banco Master não respondeu aos questionamentos

Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo da Polícia Federal

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo da Polícia Federal

DA FOLHAPRESS

O BC (Banco Central) identificou seis fundos de investimento suspeitos de fazerem parte do esquema de fraude capitaneado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Todos esses fundos mapeados também aparecem nas investigações que miram a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal, de acordo com cruzamento de dados feito pela Folha.

 

Da lista dos nomes dos fundos, à qual a reportagem teve acesso, constam: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. Juntos, eles têm um patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões, de acordo com os dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

 

Os fundos foram citados em denúncia apresentada pelo BC ao Ministério Público Federal em 10 de novembro, no âmbito das investigações que levaram à prisão de Vorcaro sete dias depois.

 

Todos os seis fundos são administrados pela Reag, parceira de longa data de Vorcaro, e aparecem também nas investigações da megaoperação Carbono Oculto, que teve como alvo a infiltração do PCC em negócios da economia formal, como os setores de combustíveis e financeiro.

 

Procurado, o Banco Master não respondeu ao pedido de informações da reportagem. A Reag não quis comentar porque afirma que não tomou conhecimento da denúncia.

 

Entre os ativos do Astralo 95, a reportagem encontrou o Fundo Galo Forte, através do qual Vorcaro tem uma participação no Clube Atlético Mineiro, time da sua cidade natal, Belo Horizonte.

 

A cadeia de fundos leva também à casa que Vorcaro ocupa quando vem a Brasília, a debêntures da Reag e a CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) do próprio Banco Master.

 

O Astralo 95 detém certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina). Chamados de cártulas, esses papéis são um documento físico que representa uma ação do antigo banco, que foi incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.

 

A Carbono Oculto foi uma operação da Receita Federal deflagrada em agosto de 2025 que teve cerca de 350 alvos. Ela visava atingir o núcleo financeiro do PCC e chegou à Reag, que sofreu uma busca e apreensão na sua sede.

 

À época, a empresa afirmou que colabora com as investigações e disse ter "certeza de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos."

 

Em outro relatório enviado pelo BC ao MPF, a autoridade monetária tinha apontado operações com falhas graves entre julho de 2023 e julho de 2024 em dois fundos estruturados por Master e Reag: o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

 

As fraudes envolvendo fundos fazem parte das diversas denúncias feitas pelo BC ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master. A primeira foi a revenda ao BRB (Banco de Brasília) de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores.

 

Foi essa operação que levou à prisão preventiva de Vorcaro, quando ele se preparava para embarcar em um voo para fora do país. O esquema com os fundos de investimentos tinha como etapa empréstimos feitos pelo Master para empresas para desviar dinheiro, numa ciranda financeira para aumentar o patrimônio dos fundos com a compra de ativos de baixo valor por um preço elevado.

 

Os ativos supervalorizados transitavam de um fundo para outro, algumas vezes em mais de uma operação no mesmo dia. O valor inflado dos ativos era registrado no patrimônio dos fundos.

 

A suspeita dos investigadores é que os fundos tenham como donos laranjas de Vorcaro para lavar dinheiro numa cadeia de fraudes. A denúncia aponta que pelo menos R$ 11,5 bilhões tenham sido lavados pelo esquema.

Esses recursos foram captados pelo Master via CDBs de investidores e serviram para bancar os empréstimos do Master para as empresas que abasteceram os fundos.

 

Veja o passo a passo do esquema descoberto pelos investigadores

 

1.     O Master emprestava dinheiro para uma empresa, que tinha outro dono não relacionado diretamente com o banco, mas que também fazia parte do esquema de fraudes.

 

2.     A empresa pegava o dinheiro do empréstimo e aplicava os recursos em fundos da Reag.

 

3.     O que aparecia nos sistemas monitorados pelo BC era que o empréstimo tinha sido feito dentro dos limites que a legislação bancária exige (regra de Basileia).

 

4.     O gestor do fundo da Reag, que recebeu o dinheiro cuja origem inicial era o empréstimo do Master, comprava um ativo podre com baixa liquidez pagando um preço muito acima do que ele vale. Ele então registrava no patrimônio do fundo o ativo adquirido com preço supervalorizado.

 

5.     O vendedor, por outro lado, ficava com lucro de um ativo de pouco valor que foi adquirido por um preço elevado.

 

6.     Em seguida, o vendedor usava o dinheiro recebido pelo ativo também em outro fundo. Dessa forma, os valores passavam de fundo em fundo até desaguar em carteiras que tinham titularidades de laranjas ligadas ao grupo Master.

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