Cuiabá, Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026
OPERAÇÃO POLICIAL; NOMES
28.01.2026 | 09h00 Tamanho do texto A- A+

Seis vereadores destinaram R$ 5,5 mi a grupo suspeito de esquema

Chico 2000 repassou 66% das emendas recebidas pela Ibrace; operação investiga esquema de lavagem

Victor Ostetti/MidiaNews

Os vereadores Chico 2000, Luiz Fernando, Kássio Coelho, Wilson Kero Kero, Dídimo Vovô e Lilo Pinheiro: citados pela Polícia

Os vereadores Chico 2000, Luiz Fernando, Kássio Coelho, Wilson Kero Kero, Dídimo Vovô e Lilo Pinheiro: citados pela Polícia

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

Investigações da Polícia Civil, no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada na última terça-feira (28), apontam que seis vereadores de Cuiabá destinaram R$ 5,5 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (Ibrace), suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

 

O vereador Chico 2000 destinou elevados valores, por meio de emendas impositivas, para o instituto Ibrace realizar eventos

São eles: Chico 2000; Luiz Fernando (Republicanos); Kássio Coelho (Podemos); Wilson Kero Kero (PMB); Lilo Pinheiro (PP); e Dídimo Vovô (PSB),

 

A operação apura o desvio de recursos públicos e a prática dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes.

 

Alvo da operação, a Ibrace é uma organização, sem fins lucrativos, foi fundada em 2021 e tem sede em Cuiabá e que recebia as emendas parlamentares para organização de eventos esportivos.

 

Segundo os documentos da investigação ao qual o MidiaNews teve acesso, o instituto recebeu R$ 5.489.787,00 provenientes de emendas de seis vereadores.

 

Desse total, R$ 350 mil foram destinados pelo vereador Luiz Fernando; R$ 400 mil pelo vereador Kássio Coelho; R$ 317.213,00 em repasses atribuídos aos vereadores Wilson Kero Kero e Lilo Pinheiro; R$ 307 mil exclusivamente de Kero Kero; além de R$ 365.574,00, cujo autor do repasse não foi identificado.

 

Além desses nomes, o vereador Chico 2000, principal alvo da operação, aparece como o maior responsável por repasses à entidade. Em transferências individuais, ele teria destinado R$ 3,5 milhões ao instituto.

 

Já em parceria com o vereador Dídimo Vovô, os repasses somam R$ 200 mil.

 

Veja fac-símile

 

 

Três anos de repasses

 

Segundo a Polícia Civil, Chico 2000 foi responsável por aproximadamente 66% do valor total recebido pelo Ibrace, no período compreendido entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025.

 

Entre os valores que chamaram a atenção dos investigadores está o repasse de R$ 600 mil, realizado em 4 de abril de 2025, para a organização da 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Cinco dias depois, em 9 de abril de 2025, Chico 2000 destinou mais R$ 400 mil ao instituto, também por emenda impositiva, para a realização da 6ª Corrida do Legislativo.

 

Nas redes sociais, o instituto afirma ter como objetivo promover a cidadania, a inclusão social e o fortalecimento comunitário, por meio de ações sociais, esportivas, culturais e educacionais, além da defesa de direitos sociais.

 

De acordo com os registros, a estrutura administrativa do Ibrace é composta pelo presidente Alex Jony Silva, que foi alvo da operação, pelo secretário Valdomiro Everson Rigolin e pelo tesoureiro Joaci Conceição Silva. O conselho fiscal é formado por Osvaldo de Souza Brito, Suzana Parreira Oliveira e Eleuza Maria da Silva.

 

Apesar de não constar formalmente no quadro de associados do instituto, os policiais ressaltaram a atuação de João Nery Chiroli, que, segundo as investigações, representava informalmente o Ibrace e organizava os eventos esportivos. Chirolli é outro dos alvos.

 

“O vereador Chico 2000 destinou elevados valores, por meio de emendas impositivas, para o instituto Ibrace realizar eventos (corridas) em Cuiabá. No entanto, do conteúdo extraído, verifica-se que o organizador de fato dos eventos era a empresa Chiroli Esportes, por meio de seu proprietário João Nery Chiroli, que informalmente representava o instituto IBRACE”, diz trecho do documento.

 

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em 9 de abril de 2025, mesma data do repasse de R$ 400 mil realizado por Chico 2000 ao instituto. Nesse dia, João Nery Chiroli, por meio de transferência via PIX, encaminhou R$ 20 mil à construtora responsável por uma obra vinculada ao vereador, localizada em Chapada dos Guimarães.

 

“Cientes dessas datas de pagamento e das conversas entre ‘Chiroli’ e ‘Chico 2000’, causou estranheza o fato de Chiroli, por meio da empresa Chiroli Esportes, ser o organizador dos eventos e, ao mesmo tempo, atuar em procedimentos de interesse do Ibrace, mesmo sem integrar formalmente os quadros da associação”, afirma outro trecho do documento.

 

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GONCALO   28.01.26 10h20
GONCALO , seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Rodrigo  28.01.26 09h49
A Câmara de Vereadores de Cuiabá deveria adotar o apelido de "Casa dos horrores", cabe muitíssimo bem pros políticos que por lá passaram ou estão no momento.
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