Walter de Lima
Comerciantes da Avenida Tenente Coronel Duarte, a Prainha, no Centro Histórico de Cuiabá, enfrentam uma série de transtornos provocados pelas obras do sistema BRT, em andamento na região desde meados do ano passado. Ao MidiaNews, eles relataram impacto direto no faturamento com queda de até 50% nas vendas.

Segundo os comerciantes, os problemas são variados e afastam os clientes, que acabam optando por estabelecimentos mais acessíveis de carro e com trânsito mais fluido, seja em outros pontos do Centro ou em bairros vizinhos.
Gerente de uma oficina mecânica na avenida, Walter de Lima afirmou que as vendas despencaram pela metade. Embora reconheça que a obra não seja o único fator, ele diz que boa parte das dificuldades está diretamente ligada à intervenção.
“O principal transtorno é o trânsito em geral. Ele acaba colapsando todo o entorno da Prainha e afasta o cliente. A pessoa não vem ao Centro ou procura outra loja, em outro ponto, por causa da dificuldade de acesso. Depois da obra, nossas vendas caíram bastante”, afirmou.
A empresária Sueli Sto, proprietária de uma loja de materiais para artesanato, reforçou a queixa e apontou os horários de pico como os mais críticos. “De manhã e à tarde o trânsito fica tumultuado. É um transtorno, com certeza”, disse.
Além dos congestionamentos, comerciantes relataram que acidentes têm sido frequentes na avenida, especialmente no início do bloqueio, quando os motoristas precisaram se adaptar rapidamente às vias liberadas. Segundo eles, a sinalização é insuficiente para evitar colisões.
“Depois que fizeram esse buracão, você quase não vê gente andando desse lado. Fora quando os carros batem ali no bloqueio da ponta. Não tem espaço para passar, um bate no outro e vira uma ‘buzinação’ danada”, relatou Juliana Patrícia, funcionária de uma loja de eletrônicos.
Outros problemas mencionados são a poeira constante, o barulho das máquinas e a falta de informações claras sobre o andamento da obra.
“É muita poeira. Você limpa a loja hoje, amanhã já está tudo sujo de novo. Não tem como manter”, desabafou Sueli.
Ela também criticou a ausência de comunicação prévia. “Eles deviam avisar: ‘essa semana vai ter muita poeira’. Mesmo jogando água, levanta poeirão do mesmo jeito. Se a gente soubesse antes, dava para se preparar. Do jeito que está, é muita desorganização e trabalho perdido".
Walter também reclamou da falta de transparência. Segundo ele, os comerciantes não recebem qualquer informativo e a obra parece estar parada na mesma fase há meses.
“A gente não recebe comunicado nenhum. É sempre a mesma coisa: coloca pedra, tira pedra, põe aterro, tira aterro, cava, tampa. Parece que nunca sai do lugar. Só transtorno, poeira e prejuízo, tanto para quem trabalha aqui quanto para quem passa pela via”, afirmou.
Durante a visita da reportagem ao local, foi constatado baixo fluxo de pedestres no trecho em obras, com exceção das paradas de ônibus. O cenário contrasta com outro ponto da mesma avenida onde não há intervenções.
A locomoção na região está comprometida pelo canteiro central, que dificulta a travessia, além da poeira e do barulho constante das máquinas.
“Atrapalha demais. Se eu fosse cliente, não iria querer ir a um lugar só com barulho de trânsito, máquina furando o chão o dia inteiro. Ninguém quer isso”, disse Juliana.
Segundo ela, o canteiro também provocou um impacto visual negativo, afastando ainda mais os pedestres.
Yasmin Silva/MidiaNews
Obra na região da Prainha, em Cuiabá
“Quando estava tudo arrumado, o pessoal atravessava para esse lado. Agora, com esse buraco, não dá. Tem uma passagem ali, mas não é direta. O pessoal atravessa correndo".
Em meio ao cenário de obras, queda no movimento e falta de informações, os comerciantes seguem trabalhando sem grandes expectativas de conclusão a curto prazo ou explicações mais claras por parte do Governo.
“Para ser sincera, eu nem sei exatamente o que é essa obra. Uma hora dizem que é uma coisa, depois dizem que é outra. Quando chove, então, vira uma lama só”, afirmou a funcionária.
“Se é para fazer, que faça logo. Se não, que feche o buraco, porque assim não atrapalha o trânsito nem dá transtorno para ninguém”, completou.
Bloqueio total
A Avenida Tenente Coronel Duarte ainda passará por bloqueio total no trecho entre as avenidas Getúlio Vargas e Bom Bosco para a realização de obras de drenagem da concessionária Águas Cuiabá.
A intervenção ocorre por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a empresa, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) e o Ministério Público.
A interdição começou no último sábado (24) e tem previsão de término na quarta-feira (28). Durante o período, o trânsito será desviado para vias alternativas, o que também deve impactar o movimento nos comércios da Prainha.
O que diz a Sinfra

A equipe do MidiaNews entrou em contato com o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Padeiro, para esclarecimentos sobre o andamento da obra e o prazo de conclusão.
Sobre as reclamações de poeira e barulho, o secretário afirmou que o trecho está na fase de aplicação do concreto magro, etapa anterior à colocação do pavimento rígido definitivo. Segundo ele, os trabalhos atuais envolvem apenas pedras, o que, na avaliação da pasta, não justificaria excesso de poeira.
Padeiro também informou que equipes atuam no período noturno para reduzir transtornos e garantir a conclusão do trecho até o fim de fevereiro.
Em relação ao bloqueio promovido pela Águas Cuiabá, o secretário disse que a atuação conjunta é necessária para garantir a drenagem adequada da região e evitar alagamentos.
Sobre as demais queixas, ele afirmou que a Sinfra realizou reuniões com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL) para explicar o cronograma e a execução da obra.
Por fim, Padeiro pediu paciência aos comerciantes e motoristas, ressaltando que os resultados serão permanentes.
“Toda reclamação que a Sinfra recebe é respondida, sem exceção. Tivemos reunião com a CDL, mostramos como seria a atuação. A Sinfra fez isso”, afirmou.
“Obra é complicada. A Prainha é uma avenida de ligação importante e o impacto no trânsito existe, mas a obra precisava ser feita. São intervenções definitivas, que a gente espera que tragam benefícios permanentes. Então, é preciso ter paciência”, concluiu.
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