Cuiabá, Sábado, 7 de Março de 2026
CRÍTICA À ESQUERDA
07.03.2026 | 18h00 Tamanho do texto A- A+

“Lula está cercado de escândalos; o PT exala cheiro de podridão”

Coronel Assis aponta falhas do Governo petista, defende prisão perpétua e fala da disputa do PL

Victor Ostetti/MidiaNews

O deputado federal Coronel Assis fala na entrevista ainda sobre sua filiação ao PL, a CPMI do INSS e os rumos da direita em MT

O deputado federal Coronel Assis fala na entrevista ainda sobre sua filiação ao PL, a CPMI do INSS e os rumos da direita em MT

JONAS DA SILVA
DA REDAÇÃO

O deputado federal Coronel Assis (União Brasil) reforçou o tom das críticas contra o Governo Lula e o PT ao apontar a ligação do partido e do presidente aos escândalos políticos e à corrupção recente no Brasil.

Com todo o respeito à figura de um Governo do país, mas o cheiro da podridão, da corrupção, ele exala toda vez que eles estão à frente do poder

 

Ele diz que a opinião pública e parlamentares da oposição querem respostas, por exemplo, sobre as viagens pagas pelo chamado careca do INSS, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, ao filho do presidente Lula, o Lulinha.

 

O careca está preso desde setembro de 2025 por conta do escândalo do desconto indevido dos aposentados e pensionistas do INSS. O tema é investigado por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que reúne deputados e senadores, no Congresso Nacional.

 

“Com todo o respeito à figura de um Governo do país, mas o cheiro da podridão, da corrupção, ele exala toda vez que eles estão à frente do poder”, lamentou em entrevista ao MidiaNews.

 

“Teve um determinado período em que a CPMI deu uma esfriada. O que eu sei é que esse Governo do Lula hoje que estamos vendo é um Governo que está cercado de escândalos”, afirmou o deputado.

 

Vice-líder da oposição, Coronel Assis, defende uma legislação mais dura contra crimes em geral, principalmente feminicídio, com referendo e mudança em cláusulas pétreas da Constituição. "Vamos convocar uma constituinte e vamos derrubar a cláusula pétrea. Vamos abrir um referendo", propôs. "Um referendo para falar para o nosso público: você é a favor ou você é contra prisão perpétua?".

 

O parlamentar ainda afirma que os mato-grossenses têm sentido o aumento do custo de vida por conta da política econômica liderada por Lula e seus ministros. Ele citou a recente reforma tributária do Governo, que aumentou o imposto de serviço de 5% para 25%. “Não existe almoço grátis na política. A máquina do PT é inchada, é cheia de cargos, é cheia de ministérios e eles gastam desmedidamente”, comparou.

 

Nesta entrevista, Coronel Assis confirma sua filiação ao PL e critica o STF. “Nós não precisamos de um Judiciário perseguidor, nós precisamos de um Judiciário justo”. E fala dos esforços para organizar a campanha de Flávio Bolsonaro a presidente no Estado. 

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews – Lulinha admitiu que o careca do INSS pagou viagem e hotel dele em Portugal e que viajaram juntos. A direita no Congresso vai fazer o quê nesse caso dos desvios do INSS?

 

Coronel Assis – Os vídeos, as audiências, a explanação do relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, de Alagoas, descortina esse emaranhado de pessoas que se beneficiaram desses descontos indevidos de pessoas que trabalharam a vida inteira. Mas isso é só um pedaço da situação. Cadê a Polícia Federal? Com as investigações, que até agora vi muito pouco.

 

Nós tínhamos que ter aí operações acontecendo porque tudo que se faz aqui na CPMI realmente já era um espelho da investigação feita pela Justiça ou pela Polícia Federal e gente não consegue enxergar isso ou ter isso de maneira crível, de maneira que possa sentir essa situação.

 

Agora, não pode tomar uma decisão por uma quebra de sigilo e ela ser questionada dentro do parlamento e esse questionamento ir para a Justiça e a Justiça falar que isso não vale. É muito ruim. E o primeiro passo agora é tentar prorrogar o prazo da CPMI do INSS para que a gente possa trazer mais elementos, mais situações para poderem ser levadas ao público.

 

Mas teve um determinado período que a CPMI deu uma esfriada. E aí vem um novo assunto, vem um novo escândalo. O que eu sei é que esse governo do Lula está cercado de escândalos. Com todo o respeito à figura de um governo de um país, mas o cheiro da podridão, da corrupção, exala toda vez que eles estão à frente do poder.

 

MidiaNews – Quais são as comparações que o senhor pode fazer do benefício da eventual eleição do Flávio Bolsonaro e do prejuízo de uma reeleição de Lula?

 

Coronel Assis – Se Lula ganhar essa eleição, o Brasil vai quebrar. E quando falo isso, falo justamente por tudo que está acontecendo. Eu ouvi um estudo esses dias que há 16 anos atrás, o que valia 100 reais hoje está valendo 54 reais. Então o poder de compra do brasileiro está caindo. Em menos de quatro anos de governo, invertemos uma das maiores equações que nós brasileiros orgulhávamos e lutávamos para acontecer, que é menos Brasília e mais Brasil.

 

Com a reforma tributária vão estar todos os nossos prefeitos com o pires na mão lá em Brasília pedindo recurso para um conselho gestor que a gente não sabe que vai atuar em nome de quem. É em nome do governo central lá de Brasília que vai falar: olha, só vou te dar dinheiro se você beijar o meu anel aqui ou se isso será distribuído de maneira austera, porque com certeza a gente sabe que eles acabam cuidando mais dos seus e perseguem, no caso, os seus opositores.

 

E isso a gente sabe que o PT sabe fazer muito bem. Então não tenha dúvida que a eleição do Flávio Bolsonaro é justamente isso. Ele já falou. Minha meta é cortar imposto. Então nessa reforma tributária que gente achava que iam reduzir o imposto, fazer um imposto único, na verdade aumentou a questão do imposto de serviço mesmo. E pagava 5%, vai pagar 25%. Faça conta, se para pintar um quarto você gastava 100 reais, agora você vai gastar 125 reais. É muito dinheiro.

 

Porque não existe almoço grátis na política. A máquina do PT é inchada, é cheia de cargos, é cheia de ministérios e eles gastam desmedidamente. Pega o cartão corporativo do Lula, é R$ 1 bilhão e 400 mil. É muito dinheiro. É R$ 1,4 bilhão. É muito dinheiro. O Bolsonaro iria levar 100 anos de mandato para gastar o que o Lula gastou em menos de quatro. 

Não existe almoço grátis na política. A máquina do PT é inchada, é cheia de cargos, é cheia de ministérios e eles gastam desmedidamente. Pega o cartão corporativo do Lula, é R$ 1 bilhão e 400 mil

 

MidiaNews – O que o senhor e seu grupo político farão para derrotar o presidente Lula no projeto de reeleição dele? Quais ações serão tomadas em Mato Grosso e no Brasil para derrotar o presidente? A polarização é suficiente?

 

Coronel Assis – Eu acho que não. Mas não tem como a gente fugir da polarização. A eleição será polarizada, sim. A democracia é isso, a democracia é um lado e o outro lado, e a gente tem que respeitar. Ninguém está querendo por a opinião em cima da minha ou a minha em cima da sua, não é isso. É promover o bom debate, se eu conquistar o seu voto para o nosso lado, fantástico. Senão, você vai votar de acordo com suas convicções.

 

Mas não tenho dúvida que a nossa luta para a eleição de Flávio Bolsonaro vai ser travada nas trincheiras. Estamos nos organizando aqui no Estado, vou trabalhar firmemente para a gente eleger o Flávio. Acredito que tenhamos uma certa vantagem, não é que vai ser fácil, mas Mato Grosso é um Estado muito conservador e tenho plena convicção que de acordo com as pesquisas que estamos vendo lá em Brasília, de consumo interno, que temos chance de virar.

 

E eu vou dizer mais, não é só polarização, não é só discurso que eles são da esquerda e nós da direita? Não! Nós iremos mostrar o que está acontecendo no Brasil. Vá no mercado, faça uma compra hoje e vá daqui a três meses e faça a mesma compra. Tenho certeza que o seu poder de compra está caindo.

 

Porque a política econômica da esquerda é errada, ela não é correta. Não adianta eu querer isentar um determinado ramo da economia. Porque essa conta vai ter que passar para um outro ramo. E se esse ramo aqui for o ramo de combustíveis, sua gasolina, seu gás de cozinha vai ficar mais caro. Não existe almoço grátis em economia. Então, tenho certeza que isso será o calcanhar de Aquiles, de Lula e sua turma.

 

E eles vão contra-atacar. Qual será o contra-ataque deles?  Medidas que são populistas, né? Vão dar, sei lá, talvez, pacote de leite para as pessoas. Vão tentar fazer tudo.

 

MidiaNews – Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo as investigações, ofereceu vantagens para políticos da esquerda e da direita, pessoas do Judiciário e gente do Governo. Esse movimento é a certeza da impunidade no Brasil? Como punir ele e todos os envolvidos nesse escândalo?

 

Coronel Assis – A impunidade é o oxigênio da barbárie. Quando a gente fala de barbárie não é só a pessoa sem cabeça, com o peito aberto, sem coração, esquartejado, jogado os copos pela cidade. Não é só isso não! É a barbárie financeira. Esse Vorcaro, na minha concepção, é um tipo de mafioso que se achava acima do bem e do mal e que não tem limite por conta da questão financeira. E ele acabou enganando muita gente no país.

 

Ele tinha um banco que não era banco, tinha um capital garantidor que não garantia nada, estava negociando esse banco que estava cheio de dívidas para um banco que era estatal. Justamente para que esse banco estatal assumisse essas dívidas e claro que ninguém faz isso ou se movimenta dessa forma sem ter uma guarida, sem ter um escudo. 

 

Então na verdade, Vorcaro tinha que estar preso. Os caras estavam ameaçando até bater em jornalista, bater em senhoras. Eu fiz até uma leitura de um trecho que ele chama uma moça de vagabunda, que tinha que dar um pau nela. É um absurdo. Mas isso é resultado da certeza da impunidade. E como nasce impunidade no país? Nasce justamente a partir do momento em que o cara comete um crime e alguém alivia para ele.

 

Nós temos aqui exemplos até mesmo em decisões da mais alta corte, que se chama STF. Aqui não quero de maneira alguma que entendam que estou criticando ministro A ou ministro B. Estou falando da decisão. Isso não como parlamentar, mas como cidadão, como pai de família, como uma pessoa que paga seus impostos.

 

 

MidiaNews – A segunda prisão do banqueiro e as novas revelações de perseguição e ameaças contra jornalistas e políticos já são suficientes para uma CPI do Banco Master? O senhor assinou a CPI e por quê?

 

Coronel Assis – A CPMI do Banco Master, que foi protocolada com mais de 280 assinaturas, é um instrumento que vai possibilitar a busca de informações. Por exemplo, o Sr. Zé e a Dona Maria, que moram lá no bairro periférico aqui de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, não conseguiriam entender muito bem essa questão da fraude financeira que o Vorcaro promovia.

 

Talvez consigam até entender ou absorver a informação de que ele comprava figurões da política brasileira com festas regadas a prostitutas importadas de fora do Brasil, porque não falavam nossa língua e não conheciam essa possível autoridade.

 

Todas essas informações talvez consiga processar, mas não consegue enxergar a magnitude disso e a  face violenta de Vorcaro, ameaças que fez. Inclusive, tinha um amigo que é apelidado de Sicário, que para quem não sabe é como são chamados matadores de aluguel na América Latina. Os sicários de Pablo Escobar.

 

MidiaNews – Qual é a autonomia que deputados e senadores têm, na CPMI do INSS, para coletar provas para punir os envolvidos no desvio de dinheiro e com a ligação do Banco Master, nos descontos indevidos praticados?

 

Coronel Assis – Acredito que teríamos que abrir a CPMI do Banco Master justamente para tentar separar as situações e talvez pegar algumas provas que já foram produzidas na CPMI do INSS e trazer para essa investigação. Mas é uma comissão mista de investigação.

 

É um grande instrumento que hoje está servindo para tirar debaixo do tapete ou abrir um pouco essa cortina de fumaça para mostrar isso para o povo. Às vezes, é difícil chegar essa informação no povo, porque infelizmente não estou aqui generalizando de maneira alguma, mas a grande parte da imprensa não mostra.

Não precisamos de um Judiciário perseguidor, mas justo, que não tome parte nem para A, nem para B. Mas que faça justiça

 

MidiaNews – O que fazer para corrigir esses dois casos escandalosos que estamos acompanhando sobre desvios do INSS e Daniel Vorcaro? O que a direita tem feito para tentar barrar esse tipo de impunidade de uma pessoa tão poderosa?

 

Coronel Assis – Cadeia brava. Um cara desse ia pegar 40 anos de cadeia no regime fechado e vai pensar mil vezes antes de pelo menos tentar roubar o dinheiro do velhinho, promover uma fraude financeira no mercado financeiro nacional e internacional. Porque eu vi uma reportagem, dias atrás, que o FBI estava de olho nele já. Um cara que se achava sem fronteiras e sem limites.

 

Existe um teórico americano chamado Gary Becker, que é um economista que ganhou Prêmio Nobel de Economia e criou uma teoria chamada Teoria Econômica do Crime. Um criminoso como o Vorcaro, como o careca do INSS, como Georgina de Freitas, da década de 90 que fraudava o INSS, eles fazem conta.

 

Tipo, por exemplo, o que é que vai dar para mim se eu roubar isso aqui? Será que posso ser preso? Será que sendo preso vai ser em flagrante? Sendo flagrante, vou ser condenado? Sendo condenado, vou cumprir quantos anos de prisão? E o que isso me custa? Ah, custa isso. Então vou roubar. Então, vou fazer. 

 

Então hoje se não tiver algo que barre isso, que promova esse medo para o cara vai falar: o crime compensa. E isso não estou falando nem só do Vorcaro, não. É o cara que está aqui montando uma boca de fumo, membro de facção. Ele pensa tudo isso antes de fazer. Crime é escolha. Então só vai escolher cometer o crime se ele achar que compensa. E os caras viram, compensam. 

 

MidiaNews – Quais os impactos que o STF e o ministro Alexandre de Moraes fizeram, na sua opinião, para o ambiente político? Quais os argumentos reais para a direita usar acusar perseguição judicial contra os seus líderes?

 

Coronel Assis – A todo instante a gente vê isso. Infelizmente, existe, sim, esse consórcio entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário no sentido de ter uma formalização, um firmamento dessa opinião hegemônica deles em relação ao que o Brasil é hoje. É quase uma ingenuidade achar que isso não acontece. Eu não tenho nada contra a pessoa de Alexandre de Moraes. Ele pode ser quem ele quiser ser. Mas como cidadão, como parlamentar, tenho contra as decisões dele. Então bato em cima das decisões. Não concordo.

 

E é meu direito não concordar, como é seu direito também de não concordar com a minha opinião. Mas você me respeita da mesma forma que eu respeito a sua opinião. Não precisamos de um Judiciário perseguidor, mas  justo, que não tome parte nem para A, nem para B. Mas que faça justiça. Dessa forma que está hoje, infelizmente a gente não consegue enxergar isso.

 

E fiquei muito preocupado com todas aquelas notícias que saíram da possível participação de Alexandre Moraes como possível lobby para a aquisição e a compra do Banco Master pelo BRB. Isso é um absurdo! Quando a gente fala desse contrato da esposa do Moraes com o BRB, um contrato milionário de quase R$ 130 milhões, então isso tudo para o cidadão comum aqui fica difícil de entender, fica difícil de digerir.

 

Então, todas essas coisas vão contribuindo para que a gente perca um pouco dessa nossa fé na justiça. Sou pró-magistratura, pró-justiça, pró-ministério público. Porque acho que se não tivermos esses elementos juntos, dentro desse esforço concentrado com o Legislativo e com o Executivo,  não vamos fazer com que o Brasil avance.

 

 

MidiaNews – Quais estratégias e ações o senhor e o seu grupo farão para ter estrutura e mobilização a favor do Flávio Bolsonaro em Mato Grosso? Vão fazer o que nos municípios para atrair o eleitor?

 

Coronel Assis – Isso está muito bem sendo conduzido pelos grupos políticos. Aqui em Mato Grosso, a maioria dos grupos políticos vão todos ter Flávio Bolsonaro em seu palanque. Mato Grosso é um Estado conservador. Nós estaremos percorrendo o interior, buscando, a nossa reeleição, os nossos votos, mas também levando o nome de Flávio Bolsonaro. Queremos trazê-lo em Mato Grosso, para trazer esse sentimento de pertencimento, como o presidente Bolsonaro também tinha aqui. Lógico, que tudo isso faz parte de uma grande estratégia. 

  

MidiaNews – Qual a alternativa a direita fará para atrair o eleitorado com o ex-presidente Bolsonaro? O que fazer para suprir a ausência física dele na mobilização do eleitor?

 

Coronel Assis – Nós temos grandes nomes no Brasil para fazer isso. O próprio Flávio Bolsonaro, que é uma pessoa que carrega muita gente, tem uma fala muito tranquila, muito coerente dentro dessa construção política. Hoje, desponta-se como um grande motivador e convocador da militância da direita. O deputado Nicolas Ferreira também, assim como Gustavo Gayer aqui no Centro-Oeste. Temos nomes para  fazer essa convocação e trazer o povo.

O cara é feminicida e vai ter visita íntima? Negativo! Tem que proibir esse tipo de pessoa. Tem um projeto de lei meu que estabelece critérios objetivos para se conceder o laudo de sanidade moral

 

MidiaNews – A direita deve caminhar dividida na eleição em Mato Grosso este ano, com dois nomes fortes, inclusive com debates públicos sobre quem é direita em MT. 

 

Coronel Assis – Essa equação vai ser resolvida com o tempo. Eu não consigo enxergar divisão, uma vez que todo mundo aqui que tem a característica de ser conservador, de ser de direita deve caminhar com Flávio Bolsonaro para a majoritária nacional. A majoritária do Estado tem a sua característica estadual, como é uma prerrogativa de Mato Grosso.

 

Devem ter também algumas outras situações em outras unidades federativas do país. Mas isso se resolve com conversa e com acordos republicanos. O nosso maior partido é o povo, nosso maior objetivo é melhorar vida do povo. E o resto se encaixa.

 

MidiaNews – O senhor decidiu deixar a União Brasil e provavelmente vai se filiar ao PL. Por que dessa decisão? Existe alguma insatisfação com o grupo do governador?

 

Coronel Assis – Claro que não. Isso faz parte da política. Estamos se avizinhando de um novo pleito eleitoral e dessa janela eleitoral não é só eu que estou saindo não. O deputado Max Russi, sai de um partido que ficou muito tempo e está indo para outro que é o Podemos, o Beto Dois a Um está indo para lá, assim como deputado Fabinho Tardin. Não é só o Coronel Assis que está mudando de partido.

 

Estou mudando de partido, porque tenho a possibilidade de ter alinhamento das minhas pautas muito mais bem posicionadas no PL do que no União. Então é uma decisão minha, que tomei alinhado e avalizado pelo presidente estadual do PL, o Ananias, pelo presidente nacional Valdemar da Costa Neto.

 

Sou vice-líder da oposição pelo segundo ano consecutivo em uma bancada de oito parlamentares do Estado, você ser vice-líder da oposição no Congresso Nacional na Câmara dos Deputados é muita coisa, tem que ter muita articulação. Eu recebi convite não só do PL, mas do Novo, do Republicanos, porque você se relaciona com outros parlamentares. Mas a decisão é pelo PL.

 

 

MidiaNews – O PL estará sem puxadores de voto da eleição em 2022, como Abilio, que virou prefeito, José Medeiros, que vai ao Senado, e Amália Barros, que faleceu. Não teme que isso possa prejudicar a sua reeleição no PL?

 

Coronel Assis – Eu acho que não. Na verdade, o PL, pelo que conversei com o presidente Ananias, tem uma chapa muito bem montada, estruturada, com uma matemática muito pé no chão. Acredito que vai ter um bom resultado.

 

MidiaNews – O senhor já definiu a data de filiação no PL? Já tem essa programação? Como que vai ser isso?

 

Coronel Assis – Não, não tem data ainda. Tenho que sentar agora nessa próxima semana com o presidente Ananias, com presidente Valdemar. Tem uns colegas que querem fazer um ato lá em Brasília também.

O presidente Ananias está pensando em um ato aqui em Mato Grosso também, com a presença de Flávio Bolsonaro. Isso vai ser decidido lá na frente.

 

MidiaNews – Mudando de assunto, qual sua análise da gestão do governador Mauro Mendes? O senhor vai apoiá-lo na futura candidatura ao Senado?

 

Coronel Assis – Eu avalio como uma gestão boa. O Mauro entregou muito. Não tem como a gente negar isso. Agora, a questão do apoio, vamos precisar conversar. Não sentei ainda com o Mauro Mendes para falar com ele. Devo sentar ainda para a conversar sobre essa questão de migrar para outro partido. Na política, existe a máxima de que você sai de uma porta, mas mantém essa porta aberta, da mesma forma que vou fazer essa fala com o presidente Rueda, que é o presidente nacional do partido.

 

Tudo na nossa carreira política tem que ser conversado, acertado, e assim que a gente sentar e conversar, a gente vai ver. Na verdade, Mauro nem falou que ele ainda vai ser candidato ao Senado. Pelo menos não anunciou. 

 

MidiaNews – Se não for apoiar Mendes, vai apoiar quais outros nomes da direita?

 

Coronel Assis – Vou caminhar com o José Medeiros.  Agora, o segundo apoio a gente vai ter que sentar e conversar com todo mundo. Que esteja alinhado ao nosso pensamento de direita.

 

Como falamos, precisamos de senadores para poder ter esse freio e contrapeso lá no Senado em relação a talvez outros poderes. Então é essa a proposta que preciso ouvir dos nossos candidatos para poder também oferecer o meu apoio. José Medeiros, tenho certeza que vai fazer isso.

Estou mudando de partido, porque tenho a possibilidade de ter alinhamento das minhas pautas muito mais bem posicionadas no PL do que no União. Então é uma decisão minha

   

MidiaNews – O senhor foi autor de algumas políticas importantes no Estado de Mato Grosso para combater o feminicídio. Quais foram?

 

Coronel Assis – Eu fui comandante-geral da Polícia Militar e nós criamos a Patrulha Maria da Penha, que é um sistema de policiamento, um programa de policiamento que presta segurança às mulheres vítimas de violência doméstica, das mulheres que estão sob medida protetiva de urgência. 

 

Esse programa nasceu com iniciativas que já estavam acontecendo no Estado e foi identificado pela coronel Mirella na época, que era minha auxiliar. Ela sistematizou isso e fizemos disso um programa de policiamento. Isso hoje deve estar no mínimo em 30 municípios aqui no Estado do Mato Grosso.

 

E faz um serviço em rede junto com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Prefeituras e isso deixa essas mulheres seguras. E das mulheres que nós cuidamos naquela época, eram 7 mil, nenhuma foi vítima de feminicídio e nenhuma sofreu aí a quebra da sua medida produtiva de urgência. E No Congresso Nacional nós continuamos trabalhando a pauta da violência contra a mulher.

 

São várias propostas de lei que nós fizemos lá. Proposta de lei que proíbe visita íntima para o cara que matou mulher. O cara é feminicida e vai ter visita íntima? Negativo! Então tem que proibir esse tipo de pessoa. Tem um projeto de lei meu que estabelece critérios objetivos para se conceder o laudo de sanidade moral. Quem não se lembra daquele bombadão lá de São Paulo que deu tantas porradas na mulher e depois falou que estava ouvindo vozes, para tentar se safar da justiça.

  

Infelizmente, o Brasil hoje tem um avanço de feminicídio, a gente sabe disso. Mato Grosso, infelizmente, é campeão também nisso, nós temos índices horríveis de feminicídios no nosso Estado e aqui fica a nossa observação. 

 

 

 

MidiaNews – Como melhorar isso o monitoramento e as políticas contra o feminicídio para funcionar de fato, proteger as mulheres?

 

Coronel Assis – Hoje, temos três marcos legais contra a violência e contra o feminicídio. A lei Maria da Penha, que nós temos a tipificação de feminicídio, em outros países não existe feminicídio, é homicídio. E nós temos o pacote antifeminicídio. Então, o que mais precisa se fazer para que se deixe de matar a mulher em razão disso.

 

O feminicídio é um processo. Ele começa com uma discussão, com uma ofensa verbal, às vezes começa com um empurrão, com um soco, uma surra. Só que, às vezes, muitas mulheres já vão fazendo a ocorrência, vão protocolando. Só que nós precisamos de uma agilidade em quem tem a obrigatoriedade de promover a aplicação dessas três lei aqui, que é a justiça. E a justiça precisa vir para o jogo.

 

Então nós temos que, sim, se o cara oferecer risco, tem que ficar preso. Ele tem que ficar preso.

Se aquele cara, aquele monstro lá de Sorriso que estava foragido, se ele estivesse preso, ele mataria a mãe e as três meninas? Não. Claro que não. Então, não vem falar para mim que cadeia não resolve. Cadeia resolve

 

MidiaNews – Além dessas políticas e propostas, quais outras ações efetivas precisam para combater a tragédia de um Mato Grosso bicampeão de feminicídio?

 

Coronel Assis – Eu acredito que a aplicação da lei. Nós temos que ser rigorosíssimos na aplicação dessa lei. Se a mulher fez um BO de feminicídio falando que o cara está querendo matar ela, o Judiciário tem que pegar esse cara e colocar tornozeleira. Mas o cara infringe a primeira vez, leva uma advertência administrativa, infringe a segunda, leva mais uma advertência. Na segunda que o feminicida infringe, ele vai lá e mata a mulher. Se ele infringiu a primeira vez, tem que ir para cadeia.

 

Tem que se encontrar dentro desses três marcos de lei aqui, lei Maria da Penha, tipificação feminicídio e pacote antifeminicídio, uma forma de colocar o cara preso. Porque você vai falar pra mim que se o cara tivesse preso, ele mataria aquela mulher? Se aquele cara, aquele monstro lá de Sorriso que estava foragido, se ele estivesse preso, ele mataria a mãe e as três meninas? Não. Claro que não. Então, não vem falar para mim que cadeia não resolve. Cadeia resolve.

 

Porque parece simplório. Se nós pegarmos um exemplo de El Salvador,  o pior índice de homicídio das Américas, do hemisfério ocidental. Por que caiu e hoje é o melhor índice de controle de homicídio do mundo? Parece simples, mas prendeu quem matava. Quem que matava? As facções, as pandilhas, os pandilheiros. E eles matavam. Onde eles estão hoje? Na cadeia, classificados como terroristas.

  

MidiaNews – O senhor é a favor de prisão perpétua para os casos de feminicida?

 

Coronel Assis – Eu sou a favor de prisão perpétua para todo mundo que cometeu determinado tipo de crime. Mas o Brasil, vamos dizer de cláusulas pétreas, não pode. Então vamos convocar uma constituinte e vamos derrubar isso. Vamos abrir um referendo. Inclusive, eu tenho um projeto de referendo, é do Sargento Fahur, da Câmara dos Deputados, para tentar abrir um referendo para falar para o nosso público: você é a favor ou você é contra prisão perpétua? Só para você ter uma ideia, o Brasil é uma das poucas democracias ocidentais que não tem prisão perpétua e não tem prisão de pena de morte. 

 

Procure outras democracias ocidentais no mundo que você vai ver o que eu estou falando. Então assim, nós queremos combater um câncer com um remédio homeopático. Não vai ter como. Ou a gente toma as rédeas ou o próximo passo da violência criminal é mexicanização da violência.  

 

Assista à íntegra da entrevista:

 

 

 

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