Há um ano e três meses no comando do Palácio Alencastro, o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) elevou o tom e refutou as críticas de que usa em excesso as suas redes sociais. Segundo o prefeito os rivais são “hipócritas” e “canalhas”.

“Onde que político está falando que eu sou prefeito TikTok? Na internet [...] Ele deveria estar imprimindo um jornal e sair distribuindo esse material pra tudo quanto é canto. O que ocorre é a hipocrisia, e é uma canalhice sem tamanho”, disse ao MidiaNews.
“Enquanto eu posto um vídeo, ele [um crítico] está lá, todo dia, usando a rede social pra falar que eu estou postando vídeo. Agora, o importante é: reclamando ou não, a gente está trabalhando. Achando ruim ou não, a gente está trabalhando. Falando mal ou não, a gente está trabalhando. E os resultados estão aí”, completou.
Em seu gabinete, o prefeito Abilio Brunini destacou os avanços no transporte público, na saúde infantil e reativação de espaços públicos em Cuiabá, como o Aquário Municipal e a fonte do parque das Águas.
Abilio também comentou a polarização política, disse manter posição sem apoio definido na disputa ao Governo entre os pré-candidatos Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL), avaliou Pivetta como resolutivo.
MidiaNews – Há um ano comandando Cuiabá, qual promessa de campanha o senhor considera que mais avançou e qual ficou aquém do esperado?

Abilio Brunini – A área em que mais avançamos é a do transporte público. Estamos mudando o sistema do transporte. Colocamos a gratuidade nos finais de semana. Ainda estamos implementando o Cuiabá Card, que é um programa de assinatura para o transporte público. Isso é importante. Muda a forma de usar o transporte público. Isso vai provocar uma mudança significativa em Cuiabá. A gente vai sentir isso a partir do dia 1º de maio.
Outra mudança que a gente já fez foi o Centro Médico Infantil, que é uma proposta nossa, da gente cuidar dessa parte da pediatria com uma atenção diferenciada. E agora, durante a noite do aniversário de Cuiabá, foi informado que vamos ter neuropediatra. Isso é importante.
As CADs [Cuidadoras de Alunos com Deficiência] agora são contratadas direto para a Prefeitura. Elas auxiliam o desenvolvimento das crianças com deficiência, com mobilidade reduzida, dos autistas. Isso é importante para a gente.
A gente colocou o café da manhã nas escolas, porque antes não tinha. Só tinha merenda. Estamos mexendo muito com os espaços públicos da cidade. O aquário a gente deixou gratuito para toda a população. Levamos vida para o Porto, que antes era deixado de lado. Muita gente falava: ‘Eram as costas para o Rio Cuiabá’. Não! Agora, estamos fazendo grandes eventos no Porto.
Estamos botando para funcionar o Parque das Águas. A fonte começou a funcionar, que estava três anos parada. O Parque das Águas passou a ser um lugar de eventos. O Parque Tia Nair levamos entretenimento para lá. Fizemos mudanças significativas no Bairro Pedra 90. Ou seja, tem muita coisa que a gente está conseguindo entregar.
MidiaNews – E o que ainda está “emperrado”?
Abilio Brunini – O que temos mais dificuldade, mas estamos começando a soltar esse problema, é a questão da pavimentação urbana. Conseguimos um empréstimo de R$ 112 milhões com o Banco Santander, e é com recursos próprios da Prefeitura, não tem dinheiro do Governo Federal, dinheiro do Lula, não é nada. É recurso do próprio contribuinte de Cuiabá, por meio do IPTU, ICMS, ISS, que vai ajudar a pagar esse empréstimo. E como a nota de avaliação no Tesouro Nacional está bem colocada, vamos conseguir mais R$ 120 milhões no segundo semestre. Ou seja, R$ 200 milhões apenas para investimento em pavimentação asfáltica. Essas melhorias, a gente está conseguindo implementar em curto e médio prazo.
MidiaNews - Cuiabá herdou problemas estruturais em áreas como saúde, mobilidade e finanças. Qual foi a decisão mais difícil que o senhor precisou tomar até agora?
Victor Ostetti/MidiaNews
"Toda decisão que é corte de despesa, redução de gasto, traz um certo desgaste interno. Mas resulta em benefícios para população", diz o prefeito Abilio Brunini
Abilio Brunini - Muitas decisões são difíceis de tomar e acabam não indo a público. São decisões de bastidores, administrativas. Hoje, a Prefeitura diminuiu a máquina: temos menos servidores hoje do que no passado.
Estamos em 44% da Lei de Responsabilidade Fiscal, no passado eram 50%. E isso, em número de servidores, significa bastante. E estamos mudando a forma de aplicar os recursos públicos. Estamos priorizando o recurso público chegar no bairro, mas para isso o dinheiro é contenção de despesa. Ou seja, é diminuir gastos.
A gente está com um projeto de arrancar as impressoras das secretarias, para diminuir gasto com papel. E estamos mudando a forma de administrar o município para que sobre dinheiro para o que precisa. E toda decisão que é corte de despesa, redução de gasto, traz um certo desgaste interno. Mas resulta em benefícios para população.
E dentro disso a gente ainda reduziu a taxa do lixo nos primeiros dias do ano. Foi uma decisão difícil. Porque qual é o prefeito que assume cortando receita, querendo deixar de receber? Cortar despesas e renunciar a receitas são decisões difíceis. E vai na contramão... Muitas vezes, quando um prefeito ou um governador assume um Executivo quebrado, o primeiro passo dele é aumentar imposto e não foi o primeiro passo que nós fizemos.
MidiaNews - O senhor falou sobre o funcionalismo público. Durante as campanhas eleitorais foram publicas as resistências desse setor com o senhor. Hoje, depois de um ano, acha que está tendo menos resistência desse público? Eles estão conseguindo entender as medidas tomadas?
Abilio Brunini – Hoje, eles podem compreender que sou um prefeito melhor para o servidor público do que o prefeito anterior. Eu pago em dia, dou RGA sem manifestação, sem greve, sem briga. Estou ajudando a resolver alguns planos de carreira dos servidores públicos.
Existe a questão de posicionamento político, posicionamento público e os fatos. Os fatos são que estou ajudando o servidor público mais do que qualquer um outro já ajudou.
Porque a gente está entendendo as necessidades do servidor público e passando para ele compreender as necessidades do cidadão que não é servidor público. E acho que essa harmonia vai dar certo.

MidiaNews - No ano passado, o secretário Marcelo Bussiki disse que havia R$ 2,4 bilhões em dívidas deixadas pelo ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Este ano, comunicou que já haviam sido pagos R$ 500 milhões. O quanto isso atrapalhou o início da gestão?
Abilio Brunini - Para se ter ideia, o orçamento da Prefeitura de Cuiabá somando todas as receitas é de R$ 5 bilhões. Nesse orçamento, você pagar R$ 500 milhões de dívida, você pagou 10% do seu orçamento em dívida. Isso é muito, não é?
As pessoas pensam: ‘Ah, ele pagou R$ 500 milhões de dívida, não é nada’. É muito! Compromete o orçamento, a execução financeira do município. Só que se a gente não paga, a cidade trava. Os prestadores de serviços suspendem a atividade, a gente passa a ter muito mais dificuldade. Então, pagar dívida é parte do processo para a gente reequilibrar as contas.
Então, essas decisões administrativas foram tomadas, são decisões difíceis, e estão dando resultado para a gente agora.
MidiaNews - Mas o quanto que isso atrapalhou a gestão?
Abilio Brunini - Foi um 2025 muito difícil. Um 2025 com muita reclamação.
MidiaNews - Hoje, a Prefeitura já tem um fôlego financeiro?
Abilio Brunini - Está melhor do que em 2025. Acredito que vamos ter um 2026 melhor e um 2027 abastado. Um 2027 cheio de sucesso e bons resultados.
MidiaNews - No início da gestão, o senhor recebia muita crítica a respeito das redes sociais. Hoje, a gente nota que reduziu um pouco essa frequência de postagens. Isso é proposital?
Abilio Brunini - Não, é só que não tenho tempo mesmo. Não é proposital. O engraçado é que todos aqueles que reclamam que fico na internet, estão na internet reclamando. Ou seja...
Por exemplo, se um político fala: “Ah, o Abilio é um prefeito TikTok”. Onde esse político está falando isso? Na internet. Ele tá usando o TikTok, o Instagram, para falar que sou um prefeito da rede social? Olha só a incoerência.
Ele deveria estar imprimindo um jornal, pegando um papel, e sair distribuindo esse material para tudo quanto é canto. “Ah, esse prefeito tem que sair da internet ”. O que ocorre é a hipocrisia. E é uma canalhice sem tamanho.
Enquanto posto um vídeo, às vezes, em dois ou três dias, ele está lá, todo dia, usando a rede social pra falar que estou postando vídeo. Mas está tudo bem. Enquanto ele estiver falando de mim e eu também estiver falando de mim, está todo mundo falando de mim.
Victor Ostetti/MidiaNews
"Estamos com muito problema de buraco? Sim, a gente recebeu assim. Agora, a gente está trabalhando pra entregar a resolução", disse prefeito
Agora, o importante é: reclamando ou não, a gente está trabalhando. Achando ruim ou não, a gente está trabalhando. Falando mal ou não, a gente está trabalhando. E os resultados estão aí. Veja o Parque das Águas, que estava há três anos sem funcionar a fonte, já está funcionando. Um ano de mandato, a gente entregou o Centro Médico Infantil. Imagina como que ia ser essa crise viral agora sem esse Centro Médico Infantil.
Estamos com muito problema de buraco? Sim. Mas por quê? Porque a gente recebeu assim. Agora, a gente está trabalhando pra entregar a resolução pros problemas do buraco.
MidiaNews – O senhor tem adotado um perfil menos combativo do que o usado nas campanhas e até na Câmara Federal. No aniversário de Cuiabá, vimos o senhor ser muito aplaudido pelos cuiabanos. Como tem sentido a recepção dos cuiabanos depois desse primeiro ano de gestão?
Abilio Brunini - Eu sempre tive uma boa recepção dos cuiabanos. O que tem é o grito daqueles que não gostam da gente, que às vezes é mais alto. Mas, sempre tive um bom apoio da população cuiabana. Onde vou, sou muito bem recebido. Eu ando nas ruas. Não tem problema de andar no meio do povo. Eu vou no bairro, brinco, converso com a molecada, vou na UPA, vou no hospital, vou na escola, vou no mercado, vou em todo lugar. Eu vou.
Mas estou 60% ou 80% do meu tempo aqui na Prefeitura de Cuiabá. Me reunindo, resolvendo os problemas. E no pouco tempo que vou na rua, recebo esse carinho da população.
Agora, tenho um posicionamento que é polarizado. A minha posição política é de direita. E quem é de esquerda, não gosta do Abilio. Posso resolver o problema do mundo, que não vão gostar de mim. Eu posso salvar a Amazônia, ele não vai gostar de mim.
Ao contrário, o Lula pode matar as onças pintadas tudinho e mandar a Janja fazer no almoço e o povo vai amar o Lula. Porque as pessoas são hipócritas nesse sentido. Elas não estão nem aí se o Abílio é um bom prefeito ou um mau prefeito. É porque o Abílio não gosta de petista, não gosta do Abílio.
MidiaNews - O senhor falou sobre essa polarização e seu perfil. Já chegou a receber ou tem recebido algum tipo de ameaça, de violência?
Abilio Brunini - Eu já nem contabilizo mais, já faz parte da rotina.

MidiaNews - Mas não dá medo?
Abilio Brunini - No começo dava medo, no começo tinha preocupação e tudo mais. Mas vou fazer o quê? Minha vida está na mão de Deus. Se alguém quiser fazer mal contra mim, ou é Deus guardando, ou não tem o que fazer. Posso ter 20 seguranças, se alguém quiser fazer mal a mim, vai fazer e vai acontecer. Agora, não posso deixar de andar na rua, de ver as pessoas, de conversar, porque o risco é de acontecer alguma coisa. Eu não vou fazer isso.
MidiaNews – O senhor disse, em entrevistas passadas, que deve se manter neutro na questão da eleição para governador do Estado. Justificou que tem um amigo que é Otaviano Pivetta e o outro que é o senador Wellington Fagundes, da mesma sigla do senhor. Essa posição ainda permanece?
Abilio Brunini - O pessoal fica cantando aquela música "Decida", do Milionário e José Rico para mim. Mas não é assim. Estou tendo uma visão macro da política nesse espaço. Tenho um bom relacionamento com os dois candidatos. Bom relacionamento, mesmo! Com o Wellington e com o Pivetta.
Eu, quando deputado federal, me aproximei muito do Wellington. E, na época que fui candidato a prefeito em 2020, tinha construído uma ótima relação com o Pivetta. Acredito que os dois vão apresentar ótimas propostas e que vão ter uma disputa saudável. E eu torço por isso. Uma disputa de ideias.
Mas estou de olho na política macro. Vejo que o projeto do Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, como prioritário, principalmente meu. E nessa prioridade, entendo que os dois pré-candidatos estão pedindo voto para o mesmo candidato a presidente. E acho que até a Natasha Slhessarenko [médica e pré-candidata ao Paiaguás pelo PSD] não vai ter coragem de falar mal do Flávio, por medo de perder voto. Entendo que a maioria dos candidatos ao Governo de Mato Grosso devem pedir voto ao Flávio Bolsonaro para presidente.
E nisso eu tenho essa responsabilidade, de buscar aglutinar aqueles que querem ajudar a resgatar esse País e tirar ele dessas mãos de hoje.
MidiaNews - Mas e quanto a esse posicionamento de neutralidade para o Governo?
Abilio Brunini - Não é neutro.
MidiaNews – De não se comprometer com nenhum dos dois candidatos, que estão à direita...
Victor Ostetti/MidiaNews
O prefeito Abilio Brunini, que disse ser prejudicial não se posicionar quanto a um pré-candidato ao Governo do Estado
Abilio Brunini - Na verdade, isso é até pior. Tenho muito mais prejuízo político nessa relação do que vantagem. Porque os dois esperam que eu me posicione em seu favor e o não posicionamento é perda de pontos.
Imagina, seria muito mais vantajoso eu me posicionar com um candidato que tivesse melhor possibilidade de ganhar e trabalhar para que ele ganhe. E ele ganhando, cobrar os resultados disso.
É muito pior para mim politicamente. Porque no futuro, quando eu possivelmente vier à reeleição ou qualquer outra coisa, qualquer um dos dois candidatos vai poder dizer: “Você não se posicionou, não vou me posicionar, tem outros candidatos”. Então, o prejuízo político para mim é muito maior do que o benefício.
MidiaNews - E ao Senado, o senhor já falou também que deve apoiar o José Medeiros e tem já um segundo candidato?
Abilio Brunini - Isso, vou depender um pouco de Constituição. Legalmente, não posso fazer manifestação política, porque estou num partido político que depende das suas coligações. Não posso fazer uma declaração de infidelidade partidária.
O que vou fazer é respeitar as opções que estão aí e me posicionar ideologicamente sobre elas.
MidiaNews - Há boatos que tem um racha interno ali no PL com a candidatura do Wellington e do Medeiros ao Senado. Há mesmo esse racha?
Abilio Brunini – Nas oportunidades que vi, não teve racha nenhum. Eu vejo na imprensa, às vezes, alguns comentários, mas vejo o senador Wellington se relacionando muito bem com o Medeiros. Eles têm um ótimo relacionamento. Vejo o Ananias Filho se relacionando bem com o Medeiros também.
Não vejo essa construção dentro do partido. Às vezes está na imprensa um comentário, alguma coisa assim, mas dentro do partido a gente não tem isso. E as pré-candidaturas já estão postas, consolidadas.
MidiaNews - Ainda está um pouco cedo, mas o senhor consegue fazer uma avaliação da gestão Pivetta?
Yasmin Silva/MidiaNews
O prefeito Abilio Brunini que disse ver Pivetta (ao fundo) com um perfil resolutivo
Abilio Brunini - Está muito cedo. Ele chegou colocando um pouco da sua personalidade. Ele é diferente do Mauro Mendes e sempre falo sobre isso. Ele vai dar continuidade nos bons projetos do Mauro, mas vai inserir a sua personalidade. O Pivetta é muito do fazer e menos do falar.
Acredito que ele tenha muita dificuldade de expressar o desejo do coração dele, vontades, as coisas de fazer, porque ele não é muito comunicador. Mas em relação à ação, ele é muito resolutivo. Quando chego em uma reunião com ele e digo: “Pivetta, vamos fazer isso?”. Ele fala: “Vamos fazer isso”, e já passa para o secretário tomar a decisão de fazer.
Essa resolutividade é muito legal. Agora, a parte de falar, talvez tenha essa dificuldade. Toda vez que ele vai ao público, vejo que ele não é muito comunicativo. E aí o mato-grossense vai ter que escolher: se quer um perfil que traga resultados, mesmo que não seja tão comunicativo, se quer um outro perfil que seja mais comunicativo ou que seja mais simpático.
Eleição não é só resultado prático, a pessoa vai pela empatia. Às vezes, escolhe um ladrão corrupto, que tem um monte de escândalo de corrupção nas costas, em detrimento de outro, porque é chato, feio e fala difícil.
Eu mesmo perdi a eleição para o Emanuel por 1% dos votos e ele com o vídeo do Paletó. E por muito tempo falaram que eu não ganhava nem para presidente de bairro, porque eu tinha perdido para um cara que era acusado de escândalo de corrupção. As pessoas ficavam com medo de mim, achavam que as minhas palavras eram duras.
Eleição não é só resultado, eleição é conexão com o eleitor. Quando você consegue criar, ele escolhe.
MidiaNews - E o senhor tem esse diálogo com o Pivetta, de conversar sobre eleição, disputa?
Abilio Brunini - O Pivetta é um cara muito ocupado. Não é um cara que você senta à vontade para conversar. Mas no pouco tempo que tive com ele, é bem receptivo às conversas. Agora, sobre a eleição, já não falo muito com ele. Eu falo mais de gestão mesmo.
Eu digo: “Oh, estou resolvendo um problema assim, preciso asfaltar tal lugar, o que você acha? Vamos fazer isso junto? Vamos trazer os campos de grama sintética para Cuiabá?”. Isso é o que a gente mais tem conversado.
Agora, tenho gostado das decisões dele. Eu vi que ele tomou minha secretária [Coronel da PM Susane Tamanho]. E fez uma ótima escolha. A Coronel Susane é uma pessoa incrível. Eu vejo gente fazendo polêmica na internet que ele escolheu a primeira pessoa LGBT para a Segurança Pública, mas olho de forma diferente. Ele escolheu uma pessoa super capacitada, super qualificada.
MidiaNews – A propósito, como está a sua relação com a vice-prefeita Vânia Rosa?
Abilio Brunini - Tenho uma boa relação com ela, mas já falei: “Não gosto do seu partido [MDB]”. Mas isso é escolha a partidária. Ela faz o que quer da vida, escolhe o caminho político que achar melhor, mas tenho uma boa relação com ela.
MidiaNews - E tem alguma resistência, agora que ela trocou de partido, de o senhor se licenciar e deixá-la comandar a Prefeitura para alguns dias?
Abilio Brunini - A legislação é bem clara: se eu me afastar a partir de 15 dias, ela assume. Se me afastar menos de 15 dias não tem uma justificativa legal para assumir. Se caso eu precisar, durante esse período eleitoral, me afastar durante 15 dias e ajudar a Samanta Iris, que é pré-candidata a deputada estadual, ela assume com naturalidade. É o direito dela legal.
Quando falo que o MDB não vai assumir a Prefeitura de Cuiabá, estou dizendo que um partido não vai assumir a prefeitura. Mas a Vânia é legítima, é o direito legal dela, ela ajudou a gente.
MidiaNews – Em uma entrevista recente, o senhor criticou a Assembleia Legislativa e falou que ela não tem ajudado Cuiabá. O que está acontecendo, por que a Assembleia não ajuda o Cuiabá?
Abilio Brunini - Estamos sendo atacados pelos deputados da Assembleia. Eles nos atacam. De forma de brincadeira ou irresponsável. O território de Cuiabá está sendo atacado.

A partir do momento que deputados em um movimento sem consultar a Prefeitura, sem uma audiência pública, sem chamar a gente para uma reunião sequer, decidem arrancar um pedaço do território de Cuiabá e passar para outro município, isso é um ataque direto.
Essa afronta que fizeram de transferir o Hospital Júlio Müller e um pedaço do Nova Esperança, que é distrito de Cuiabá, um pedaço do Pequizeiro, para outro município, que não tem sequer infraestrutura para cuidar do que tem... Lá temos investimento de água, esgoto, transporte, lixo, um monte de coisa... Se torna um ataque direto ao território de Cuiabá e os deputados da Assembleia Legislativa fizeram isso.
E quando eles tomam consciência de que fizeram isso, de que surrupiaram o município de Cuiabá em seu território, e não fazem nada para mudar, é outra história. Uma coisa é que fez, mas não percebeu que fez, sem querer. A outra coisa é que já foi amplamente divulgado que fizeram isso e não mudar nada.
Por quanto tempo? Estão esperando o quê? Que eu suspenda todas as licenças, alvarás, a documentação? Que eu passe a cumprir essa decisão suspendendo todos os direitos e as conexões do Hospital Júlio Müller com Cuiabá. E isso vai atrasar em seis ou sete meses a entrega do hospital, porque depois vão ter que fazer todo o procedimento de novo, com a Caixa Econômica, por exemplo? O dano à entrega do Hospital Júlio Müller é gigante.
E quando falei que precisamos fortalecer a nossa representatividade na Assembleia e ter pessoas que defendam de Cuiabá, é porque não vejo um deputado estadual ir na tribuna defender Cuiabá.
Falar: “O que o Wilson Santos fez foi uma sacanagem com Cuiabá. Ele tomou o Hospital Júlio Müller”. Eu não vejo ninguém fazendo isso.
Victor Ostetti/MidiaNews
O prefeito Abilio Brunini, que usa "bolinha" como objeto antiestresse
MidiaNews - Para finalizar, o senhor está usando uma “bolinha” antiestresse. Estamos notando isso nas coletivas e eventos públicos. É uma indicação médica?
Abilio Brunini – Eu uso ela muito apra focalizar o estresse nela. Eu leio e estudo muito e busco algumas válvulas de escape. Gosto de jogar videogame, mas não tenho tempo para isso. Eu gosto de praticar esportes, de fazer corrida, artes marciais etc, mas não estou tendo tempo para isso.
Como não estou conseguindo desestressar através do esporte, porque gostava muito de andar de bicicleta, de praticar artes marciais e de jogar videogame, mas não tenho nem tempo, hoje pego essa bolinha e fico aqui brincando um pouco de esporte.
É uma forma de desconcentrar os seus problemas e quando a bolinha está em movimento, você tem que, pelo menos uma fração do seu cérebro, tem que pensar que essa bolinha está quicando em algum lugar e desconcentrar um pouco no estresse do dia a dia.
Veja a íntegra:
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