Cuiabá, Sábado, 28 de Março de 2026
SEXO AOS 80
28.03.2026 | 18h00 Tamanho do texto A- A+

Viagra, terapia de choque e prótese: “Só é impotente quem quer”

Segundo o cirurgião urologista Walid Khalil, avanços permitem manter ereção mesmo após os 80 anos

Victor Ostetti/MidiaNews

O cirurgião urologista Walid Khalil, que falou sobre a vida sexual masculina

O cirurgião urologista Walid Khalil, que falou sobre a vida sexual masculina

LIZ BRUNETTO
DA REDAÇÃO

O cirurgião urologista Walid Khalil afirmou que não existe idade limite para a vida sexual masculina e que homens com mais de 80 anos podem se manter ativos. Segundo ele, embora o envelhecimento reduza a qualidade da ereção, há alternativas eficazes para reverter o quadro.

Só fica sem ereção, só fica impotente quem quer, porque existem mecanismos para devolver a ereção a todos os homens

 

“É natural diminuir a qualidade da ereção com o processo de envelhecimento, mas não interessa a idade desses homens, 60, 70, 80 ou mais de 80 anos. Só fica sem ereção, só fica impotente quem quer. Existem mecanismos para devolver a ereção a todos os homens”, afirmou o especialista em entrevista ao MidiaNews.

 

Para além das medicações orais, como o viagra e a tadalafila, entre os tratamentos disponíveis, Khalil citou a terapia de ondas de choque, técnica que estimula a formação de novos vasos sanguíneos no pênis, melhorando a circulação e, consequentemente, a qualidade da ereção.

 

O procedimento, segundo o especialista, é indolor e feito em sessões, podendo reverter quadros de impotência sexual.

 

Outra alternativa são as próteses penianas, consideradas uma solução definitiva quando outros tratamentos não apresentam resultado. “Implantou uma prótese, acabou: esse homem pode ter ereção na hora ou no dia que quiser”, disse.

 

Existem modelos maleáveis, que mantêm o pênis rígido permanentemente, e infláveis, que simulam a ereção natural por meio de um mecanismo acionado pelo próprio paciente.

 

Na entrevista, Khalil também abordou o início do declínio hormonal, a influência do estilo de vida na libido e na ereção, os sintomas da baixa testosterona, os riscos para a infertilidade e muito mais. 

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews - A partir de que idade o homem começa a perceber mudanças na libido?

 

Walid Khalil - A partir dos 30 anos é natural todos nós, homens e mulheres, entrarmos em declínio hormonal, o que faz uma grande diferença no processo de envelhecimento, principalmente relacionada ao nosso estilo de vida. Então, quanto mais saudável for o nosso estilo de vida — alimentação, prática regular de atividade física, uma boa noite de sono (recomendação de pelo menos oito horas, dormindo o mais cedo possível) e o controle adequado dos níveis de estresse —, isso vai fazer com que esse declínio dos níveis hormonais seja mais lento.

 

A partir dos 30 anos é natural todos nós, homens e mulheres, entrarmos em declínio hormonal

Se a partir dos 30 anos isso começa a acontecer, imagina 20 anos depois, aos 50. Principalmente falando em saúde do homem, que está relacionada a fatores hormonais, aspectos físicos e mentais. E é uma idade em que esses homens ainda estão na sua melhor fase produtiva, o que puder fazer para diminuir o impacto é importante.

 

A testosterona é o hormônio mais importante para o homem, e a gente já começa a observar uma queda nos níveis a partir dos 40 anos. Os trabalhos mostram que é comum a gente observar uma queda de 1% desse nível a cada ano. Um homem que está com 50 anos e começou essa queda, não aos 30, como eu falei que é comum, mas aos 40, já teve pelo menos 10% de queda.

 

MidiaNews - A reposição de hormônios é a solução para todos os casos?

 

Walid Khalil - A terapia de reposição hormonal tem que ter indicação, deve ser avaliada caso a caso. Não é todo homem que vai precisar de reposição de testosterona. Primeiro, é preciso avaliar o que esse declínio na produção de testosterona está causando para esse homem, se está levando a algum prejuízo na qualidade de vida.

 

A testosterona, como principal hormônio androgênico — responsável pelas características masculinas —, tem um impacto muito grande no sono, na qualidade muscular e na vida sexual, relacionada à libido e também à ereção. Também tem um impacto importante na questão da obesidade, ou seja, níveis baixos de testosterona facilitam o acúmulo de gordura, principalmente a abdominal.

 

Precisamos entender, primeiro, como esse homem está em termos laboratoriais e avaliar os sintomas. Esse homem precisa apresentar sinais de que seu nível de testosterona está baixo. É comum ele relatar diminuição do ânimo e da disposição, fadiga, cansaço, insônia, diminuição da libido, do desejo sexual, das ereções matinais e da qualidade da ereção durante o ato sexual, além de alterações na cognição. Esses homens começam a relatar que estão se sentindo um pouco mais esquecidos, que não têm mais a mesma memória e concentração de antes.

 

Assim, a queda dos níveis de testosterona pode estar associada a esses sinais e sintomas.

 

 

MidiaNews - Existe uma diferença entre queda de libido e disfunção erétil? Como o homem pode identificar cada caso?

 

Walid Khalil - Sim, existe diferença. A queda da libido está relacionada à diminuição do desejo pelo sexo, pelo namoro. Enquanto isso, a diminuição da ereção ou o quadro de disfunção erétil está ligado à dificuldade de ter ou manter uma boa ereção.

 

Elas podem estar ligadas, principalmente quando há queda na libido, podendo desenvolver um quadro de diminuição da qualidade da ereção. Mas o contrário nem sempre é verdadeiro. Há muitos homens que nos procuram dizendo que a libido, o desejo, a vontade estão normais, mas que a qualidade da ereção não. Nesse caso, já está ligado a outros fatores, como uma boa circulação sanguínea, uma boa irrigação do órgão, para que ele possa ter uma boa ereção.

 

A dieta está muito ligada a essa queda hormonal, fazendo com que os efeitos apareçam cada vez mais cedo

MidiaNews - Quais são os fatores que mais derrubam a libido masculina após os 50?

 

Walid Khalil - Hoje em dia, vemos cada vez mais a diminuição tanto da libido quanto da ereção e dos níveis hormonais em homens a partir dos 40 e 50 anos. E isso está muito relacionado ao estilo de vida que estamos levando. Os principais fatores, sem dúvida, começam pela alimentação. Nela, existem substâncias que colaboram para a diminuição ou alteração desses hormônios no corpo, como o álcool e alimentos superindustrializados, com a presença de disruptores endócrinos — substâncias químicas que alteram a ligação dos hormônios. 

 

E substâncias presentes em plásticos, como o BPA e os ftalatos, presentes em plásticos mais maleáveis e também em cosméticos, como desodorantes, sabonetes, shampoos e detergentes, além de agrotóxicos comuns nos alimentos. Hoje vemos, com frequência, homens não só na faixa dos 40 e 50 anos, mas também mais jovens, com menos de 30, apresentando níveis hormonais baixos, principalmente de testosterona. Ou seja, a dieta está muito ligada a essa queda hormonal, fazendo com que os efeitos apareçam cada vez mais cedo na população masculina. O cigarro também contribui, assim como o excesso de bebida alcoólica.

 

MidiaNews - Doenças como diabetes e hipertensão também influenciam?

 

Walid Khalil - Muito. O que vemos cada vez mais na população, principalmente aqui no Estado, é um número grande de pessoas obesas. E a obesidade está muito ligada à queda desses hormônios. Com isso, vai favorecer a diminuição da libido e, consequentemente, da ereção. A obesidade também está muito relacionada ao aumento do risco para diabetes e ambos são problemas de saúde que acarretam um risco elevado de desenvolver alterações na ereção, na libido e na qualidade da vida sexual desses homens.

 

 

 

MidiaNews - Ansiedade, depressão e autoestima pesam tanto quanto a saúde física?

 

Walid Khalil - Pesa, sim. Dividimos em fatores orgânicos, psicogênicos e mistos. Os fatores orgânicos são diabetes, hipertensão, dislipidemia, colesterol e triglicerídeos muito altos, déficits hormonais, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

 

Mas existem fatores psicogênicos, que pesam muito e, às vezes, são os únicos — nem chegam a configurar uma causa mista. É comum o fator orgânico desencadear o psicogênico. O psicogênico, ou psicológico, envolve ansiedade, depressão, estresse, medo e insegurança. É comum que o homem que está passando por um problema de ereção desenvolva medo e insegurança: medo de falhar, de buscar a parceira e não ter sucesso, de se frustrar. E, quando ele vai para uma relação sexual pensando que vai falhar, não tenha dúvida que irá falhar. Isso vai aumentando cada vez mais o nível de insegurança. Quanto maior a insegurança, maior o estresse e maior o nível de ansiedade. E isso vai se tornando uma bola de neve, ficando cada vez mais difícil sair dessa situação.

 

Quando há um fator orgânico associado, pesa ainda mais, e vai precisar de uma ajuda específica. Muitas vezes, não é apenas o meu papel como especialista em andrologia e medicina sexual, mas também o de um terapeuta, psicólogo ou sexólogo para ajudar a tirar esse homem desse quadro.

 

MidiaNews - Medicamentos como Viagra e Tadalafila são seguros para qualquer homem?

 

Walid Khalil - Essas medicações foram desenvolvidas na década de 90 e vieram para mudar o cenário da disfunção erétil. Elas têm um bom nível de segurança e são utilizadas para melhorar a circulação sanguínea, levando mais sangue para o órgão, já que a ereção está diretamente ligada a uma circulação adequada no pênis.

 

São medicações seguras, mas todo homem deve passar por uma avaliação médica antes de iniciar o uso, para que não corra nenhum risco. Isso porque são medicamentos que promovem vasodilatação e não podem ser associados a algumas outras medicações, principalmente a uma específica que pode potencializar esse mecanismo de ação e levar a riscos tanto para o coração quanto para o cérebro, como infarto ou derrame. Por isso, devem ser utilizadas sob supervisão médica.

 

 

MidiaNews - Como é feito esse uso, é pontual ou seria recorrente?

 

Walid Khalil - Temos as duas formas de uso. A tadalafila, hoje, possui uma dose mais baixa do que a que foi lançada inicialmente no mercado. Começamos lá na década de 90 com o Cialis de 20 miligramas; depois, foi lançada a versão de 5 miligramas, que é de uso diário.

 

A de 20 miligramas é para ser usada sob demanda, ou seja, no dia em que eu for ter relação, tomo a medicação algumas horas antes. Esse homem precisa do estímulo da parceira para que essa medicação haja e, assim, consiga o resultado, que é a ereção. O Viagra não pode ter interação com alimentos. Se você estiver de estômago cheio e tomar, o efeito pode ser reduzido.

 

MidiaNews - Quando o homem começa a fazer uso desses medicamentos, o uso se torna permanente?

 

Walid Khalil - Não necessariamente. Essas medicações vão auxiliar na melhora da circulação sanguínea. Às vezes, esse homem iniciou o uso porque estava passando por algum momento difícil e houve a recomendação, mesmo sem ter um fator orgânico estabelecido — não é um diabético, um tabagista crônico, que já tem um prejuízo na microcirculação. Veja bem, quando esse paciente apresenta prejuízo na microcirculação e vem desenvolvendo disfunção erétil ao longo dos anos, possivelmente é um candidato a ter que fazer uso dessas medicações pelo resto da vida.

 

Mas, quando esse homem não tem nenhum problema de saúde e desenvolveu pontualmente um quadro de dificuldade de ter ou manter uma boa ereção, pode ser que, após avaliação médica e indicação de outros tipos de tratamento, deixe de usar. Hoje, existem tratamentos não invasivos, como as ondas de choque de baixa intensidade, que permitem melhorar a circulação sanguínea peniana de forma natural, sem necessidade de medicação.

 

 

MidiaNews - Como funciona a terapia de ondas de choque?

 

Walid Khalil - A terapia de ondas de choque é uma modalidade de tratamento desenvolvida na década de 50 para tratar cálculos renais. A mesma máquina que foi criada para quebrar pedras nos rins, após alguns anos, teve seu potencial identificado: nas áreas onde as ondas atuavam, havia aumento da rede de vasos e melhora da circulação sanguínea naquela região. Então, surgiu a ideia: por que não usar essa terapia no pênis, melhorando o que chamamos de angiogênese, que é o processo fisiológico por meio do qual novos vasos sanguíneos são formados a partir de vasos já existentes. Isso acontece, por exemplo, naturalmente no coração, onde há formação de novos vasos para proteger a parede do miocárdio. Só que isso não acontece no pênis de uma forma natural.

 

Essa terapia, por meio de ondas de baixa intensidade, ajuda a estimular a formação desses novos vasos. Com isso, há melhora da circulação sanguínea no pênis, promovendo uma melhora na qualidade da ereção. A aplicação é feita em todo o pênis. Existe um protocolo em que as ondas são distribuídas para promover a formação desses novos vasos em todo o corpo cavernoso, que é a estrutura responsável por se encher de sangue. São dois corpos cavernosos, além do corpo esponjoso, que fica abaixo e envolve a uretra.

 

Assim, a aplicação das ondas ocorre nos dois corpos cavernosos e também na crura, na parte inferior entre o saco escrotal e o ânus, direcionando as ondas para a região do períneo, onde também há tecido cavernoso. Isso porque o corpo cavernoso não está apenas na haste peniana — a parte externa visível —, mas também internamente, com tamanho semelhante.

 

Toda essa região é estimulada para formar mais vasos e melhorar a circulação sanguínea. O procedimento é totalmente indolor, rápido e realizado em sessões. Hoje, considero pelo menos seis sessões para homens com disfunção erétil leve e, no mínimo, doze sessões para aqueles com disfunção erétil moderada. Vários homens reverteram o quadro com esse tratamento.

 

 

MidiaNews - Existe risco de dependência psicológica dos medicamentos?

 

Walid Khalil - Sim. Há homens que só “funcionam” se tiverem um Viagra no bolso. Por mais que não usem, é isso que lhes dá segurança. Lembra que eu falei que o fator psicológico está relacionado ao medo e à insegurança? Então, tudo aquilo que posso fazer para diminuir meu medo e minha insegurança em ter uma ereção vai ajudar.

 

MidiaNews - Em que casos o Viagra e a tadalafila são contraindicados?

 

Walid Khalil - Há pessoas que precisam usar medicações para o coração ou para a pressão arterial à base de nitrato ou nitroprussiato. Essas medicações não podem ser usadas em conjunto. Há, ainda, casos de homens com algum problema cardiológico, cardiovascular mais grave; nesses casos, quem vai determinar o risco é o cardiologista. Por isso, é importante também ter o acompanhamento de um médico cardiologista, para que esses pacientes, que já têm um problema cardiológico ou cardiovascular, sejam orientados sobre a liberação ou não para o uso dessas medicações.

 

Há homens que só “funcionam” se tiverem um Viagra no bolso. Por mais que não usem, é isso que lhes dá segurança

MidiaNews - Existe uma “idade limite” em que o homem consegue ter vida sexual ativa?

 

Walid Khalil - Não existe. Há homens com 75, 80 anos que têm uma vida sexual ativa e boa até hoje. É natural diminuir a qualidade da ereção com o processo de envelhecimento, mas, como estamos falando aqui de mecanismos para devolver uma boa qualidade de vida sexual, hoje costumo dizer: não interessa a idade desses homens, 60, 70, 80 ou mais de 80 anos. Só fica sem ereção, só fica impotente quem quer, porque existem mecanismos para devolver a ereção a todos os homens.

 

MidiaNews - Existe uma frequência “ideal” para as relações sexuais?

 

Walid Khalil - Não existe uma média ideal. Isso precisa ser muito conversado entre o casal. Muitas vezes, os casais têm idades próximas e, logicamente, da mesma forma que diminui a vontade do homem por conta da queda desses níveis hormonais, diminui também para a mulher. Eles têm que entrar em acordo: manter uma média de uma vez, duas vezes por semana, uma vez a cada duas semanas, uma vez por mês. Primeiro, é preciso avaliar a necessidade individual de cada um. O sexo fortalece a convivência e a conexão, independentemente da idade, seja homem, seja mulher. Tenho pacientes mulheres com mais de 80 anos que têm uma vida sexual ativa, assim como homens próximos de 80 anos com níveis espetaculares de testosterona, sem fazer terapia de reposição; eles têm libido, têm desejo. Às vezes, a ereção pode não estar tão boa, mas, se há tratamento para melhorar a ereção, vai funcionar normalmente.

 

Existem mecanismos que podem devolver permanentemente a ereção ao homem, como as próteses penianas. As próteses vieram, também, como uma forma de resolver o problema da impotência sexual masculina. Então, quando estou diante de um quadro, de uma situação em que nem medicação oral, nem ondas de choque, às vezes nem uma medicação injetável — que é outra forma de terapia, em que posso aplicar uma medicação no pênis para provocar uma ereção —, quando nenhuma forma de tratamento resolve, o implante de próteses penianas é a solução definitiva. Implantou uma prótese, acabou: esse homem pode ter ereção na hora ou no dia que quiser.

 

MidiaNews - Como funcionam essas próteses?

 

Walid Khalil - Existem dois modelos hoje em dia, a prótese maleável e a inflável. Essas próteses têm a capacidade de devolver a rigidez ao pênis, ou seja, são implantadas dentro dos corpos cavernosos. São dois cilindros implantados dentro dos corpos cavernosos: um modelo fica permanentemente ereto, que é a prótese maleável; nesse caso, o pênis não abaixa mais, ele permanece na posição rígida para o resto da vida. O outro modelo é o inflável, uma prótese que imita muito a ereção natural, na qual eu aciono uma bombinha que é colocada no escroto; ela é pequenininha. Ao acioná-la, ela enche os corpos cavernosos com soro, que fica armazenado em um reservatório acima da bexiga, levando esse soro para dentro dos cilindros, que enrijecem o pênis. Terminou de usar, aperta-se a bombinha, o soro sai de dentro dos cilindros, que estão nos corpos cavernosos, retorna para o reservatório e o pênis volta para a posição flácida novamente.

 

O sexo fortalece a convivência e a conexão, independentemente da idade, seja homem, seja mulher

Lembrando que o pênis é um órgão elástico. Por mais que você não tenha uma frequência semanal de namoro ou de relação sexual, pelo menos estimule esse pênis para ter ereção toda semana, porque ele é um órgão que precisa ser estimulado; ele tem que estar o tempo todo se enchendo de sangue para que, como todo órgão, não atrofie. O desuso atrofia.

 

MidiaNews - A masturbação ajuda a manter a saúde sexual nessa fase?

 

Walid Khalil - Acredito que sim. O homem que não tem uma frequência tão boa por conta da parceria, que às vezes não está disponível, por exemplo, uma frequência de um encontro semanal, seria interessante estimular o órgão, seja através da masturbação ou do toque, sem ter que chegar a uma masturbação, mas pelo menos mantendo esse pênis ereto para que ele continue se enchendo de sangue.

 

MidiaNews - O prazer para o homem que usa uma prótese é igual ou diferente?

 

Walid Khalil - É a mesma coisa, não muda nada. A prótese só devolve a capacidade erétil para esse pênis. A ejaculação acontece da mesma forma, o desejo está muito relacionado à parte hormonal, à excitação, e a ejaculação vai acontecer da mesma forma.

 

MidiaNews - O preconceito ou vergonha atrasa o diagnóstico? Ainda existe muito tabu?

 

Walid Khalil - Sim. A gente vê que cada vez mais o homem tem diminuído esse preconceito, esse medo, essa vergonha e vem quebrando esses tabus. Homens cada vez mais maduros, mais idosos, têm procurado melhorar a sua qualidade de vida sexual. Isso é gratificante, porque a gente percebe que tem havido uma evolução na mentalidade dos homens.

 

MidiaNews - Com que frequência é recomendado procurar um urologista nessa fase?

 

Walid Khalil - O urologista é o médico responsável pela saúde do homem, então, desde o início da nossa vida. As mães não costumam levar as meninas ao ginecologista desde pequenininhas? Os homens também devem começar esse acompanhamento desde a adolescência. Aí, a gente consegue acompanhar melhor a evolução, principalmente da genitália, se o pênis está se desenvolvendo bem, se os testículos estão com um tamanho adequado.

 

Então, para que a gente possa orientar com relação à alimentação, retirar esses disruptores endócrinos, que é muito comum em crianças causarem atraso ou acelerarem a puberdade. O homem que já está em uma idade mais adulta deve fazer uma consulta de rotina com o urologista para ver como está a sua saúde de um modo geral. Não somos responsáveis apenas por cuidar do órgão genital, do sistema reprodutor masculino, mas também da saúde do homem como um todo.

 

MidiaNews - Gostaria de deixar uma mensagem final?

 

Walid Khalil - Hoje, tenho muitos pacientes que tratam de problemas de infertilidade, esse é um tema importante de ser lembrado. As alterações hormonais, que acabam sendo fatores de risco para outras doenças, como diabetes, hipertensão e dislipidemia, que vão causar vários prejuízos à saúde do homem, também podem causar infertilidade.

 

Até mesmo porque cada vez mais temos visto os homens deixando para serem pais mais tarde. É muito importante os cuidados e esse acompanhamento, principalmente antes dos 40. Eu diria até antes dos 30, para que esse homem, que tem a pretensão de ser pai mais tarde, não tenha nenhum problema que esteja afetando ou dificultando sua fertilidade.

 

Assista a íntegra da entrevista:

 

 

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