A médica Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma, ex-diretora financeira da Unimed Cuiabá na gestão 2019–2023, afirmou que a ex-assessora jurídica da cooperativa, Jaqueline Proença Larrea, tem um patrimônio "fora do normal", e que se surpreendeu ao conhecer uma das casas dela, no Florais do Valle.

As informações constam no acordo de colaboração premiada firmada pela médica com o Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Bilanz. A ação da Polícia Federal investiga um rombo financeiro estimado em cerca de R$ 400 milhões na cooperativa, além de possíveis fraudes contábeis praticadas durante a gestão presidida por Rubens de Oliveira Junior.
Além de Suzana, Rubens Junior e Jaqueline Larrea, também são investigados o ex-consultor executivo da Unimed, Eroaldo de Oliveira, a ex-superintendente administrativa-financeira Ana Paula Parizotto e a ex-chefe de núcleo de compliance, a contadora Tatiana Gracielle Bassan Leite. Eles foram presos pela PF na época da operação.
"Ela possui uma casa maravilhosa no Florais do Valle. Eu fui num jantar onde havia dois médicos de fora, de outras Unimeds, e eu conheci a casa dela nesse dia. Eu sou filha de pedreiro. Posso não ter posse, mas eu sei calcular as coisas. Eu olhei e falei: 'gente, isso aqui é uma dimensão fora do normal'", disse Suzana ao promotor do MPF.
"Comecei a achar alguma coisa diferente naquele monte de carros. Acho que tinha uns quatro carros. Um caminhonete, que abre, tem degrau, uma Ram. O outro era um Camaro, e mais Mercedes, essas coisas", completou.

A médica também apontou que Jaqueline possuía imóveis fora do Estado e constantemente falava sobre novas aquisições patrimoniais.
"Ela me disse que iria adquirir uma cobertura em João Pessoa, de frente para o mar. Disse disse que tem uma herança para receber. O pai dela faleceu, e havia uma negociação de herança de uma fazenda em Poconé. [Que tinha] imóvel, apartamento em Goiânia".
"Ela falou que comprou dois terrenos no Alphaville 2. Ela falou: 'vou construir'. Falei: 'mas vai mudar daquela casa?'", disse Suzana. "Ela iria construir uma outra casa, e do lado, no outro terreno, iria fazer só garagem, porque a que tinha no Florais não cabia todos os carros", contou.
"Eu soube posteriormente, por causa desse WhatsApp fofoca, que ela tinha adquirido uma lancha em um valor grande. Eu nunca vi, então não sei. Mas é um patrimônio considerável".
"Mentora intelectual"
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) apontou a advogada como “grande autora intelectual” da suposta fraude contábil na Unimed Cuiabá. Ela era considerada braço direito do ex-presidente Rubens de Oliveira.
“Cabe apontar que Jaqueline foi a grande autoria intelectual do esquema de fraude contábil na Unimed Cuiabá. Pois,além de ser representante da operadora no Processo Administrativo (...), que tinha por objeto o acompanhamento econômico financeiro da Unimed Cuiabá, era ela quem comandava o Departamento Jurídico da cooperativa, setor responsável pelo envio dos ofícios que pretendiam atender os esclarecimentos feitos pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)”, consta na denúncia.
Divulgação
A médica Suzana Palma, que fez acordo de delação premiada
Conforme o órgão acusador, foi ela também quem assinou diretamente, em 9 de novembro de 2022, o pedido de reunião com a ANS para tratar da resposta da Unimed Cuiabá a questionamentos feitos pela agência reguladora no DIOPS (Documento de Informações Periódicas das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde).
O DIOPS (Documento de Informações Periódicas das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde) deve ser enviado à ANS trimestralmente, e serve para monitorar a saúde econômico-financeira e os dados cadastrais das operadoras de planos de saúde.
“Assim, além de também exercer controle sobre as informações econômico-financeiras que seriam disponibilizadas à ANS por meio do DIOPS, era Jaqueline quem, de fato, elaborava e providenciava as manifestações da cooperativa nos autos do procedimento administrativo da ANS, de acompanhamento econômico-financeiro da Unimed Cuiabá, especialmente aquelas concernentes às respostas encaminhadas nos ofícios assinados por Rubens, nas datas de 09 e 14 de novembro de 2022 e 02 de março de 2023”, diz a denúncia.
As investigações apontam que a antiga gestão da cooperativa teria manipulado informações contábeis, especialmente no DIOPS. A perícia contábil da Polícia Federal concluiu que o balanço financeiro de 2022 apresentava distorções que transformaram um prejuízo superior a R$ 400 milhões em um superávit de R$ 371,8 mil.
Os investigados respondem por crimes como falsidade ideológica, estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, relacionados às irregularidades que teriam ocorrido durante a gestão entre 2019 e 2023.
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