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20.07.2017 | 15h44 Tamanho do texto A- A+

Silval diz que esquema pagou dívida com Piran e Alan; veja vídeos

Audiência foi conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital

Alair Ribeiro/MidiaNews

Silval Barbosa ao chegar no Fórum de Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (20), para depor sobre a 4ª fase da Operação Sodoma

Silval Barbosa ao chegar no Fórum de Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (20), para depor sobre a 4ª fase da Operação Sodoma

DOUGLAS TRIELLI E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou nesta quinta-feira (20) que parte do dinheiro de um esquema envolvendo uma desapropriação do Estado em uma área do Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, foi usado para pagar dívidas com os empresários Valdir Piran e Alan Malouf.

 

Em depoimento à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, o peemedebista preferiu não relevar qual a origem da dívida com Piran.

 

Quanto a Alan, disse que pagou uma dívida de R$ 1 milhão, com dinheiro obtido por meios “não legais”.

 

O depoimento é relacionado à quarta fase da Operação Sodoma, deflagrada em setembro do ano passado. A investigação é sobre um esquema envolvendo uma desapropriação no valor de R$ 31,7 milhões, que pertenceria à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários.
 
Do valor total pago pela área, metade (R$ 15,8 milhões) teria retornado a título de propina para a organização criminosa liderada por Silval. O peemedebista já confessou os crimes em depoimento no início do mês passado à Delegacia Fazendária.

 

Ainda no depoimento, Silval negou que tenha sido agredido por Piran, conforme depoimento do ex-secretário Pedro Nadaf. E isentou o seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Corrêa Araújo.

 

Confira como foi a audiência:

 

Silval e réu chegam ao Fórum (Atualizado às 13h53)

 

O ex-governador foi o primeiro réu a comparecer no Fórum, ao lado do advogado Délio Lins. Em seguida, chegou o advogado Levi Machado, também réu do processo. Ele esperou o depoimento do empresário Antônio Rodrigues de Carvalho, dono da empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários, e um dos delatores da ação penal (leia AQUI).

 

Dívida com o Valdir Piran (Atualizado às 15h45)

 

Ao começar seu depoimento, o peemedebista disse que a desapropriação do terreno no Bairro Jardim Liberdade foi feito com intenção de “saldar uma dívida com o [empresário] Valdir Piran”.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Silval Barbosa e Selma Arruda

Silval Barbosa cumprimenta a juíza Selma Arruda antes de início de depoimento

“O Pedro Nadaf [ex-secretário] me disse que o Chico Lima [procurador aposentado] disse que o processo de desapropriação estava pronto para pagar. Fizemos uma reunião - eu, Nadaf e Chico Lima - para resolver isso”, disse.

 

“Nessa reunião, eles me disseram que o proprietário da área estava disposto a nos passar um retorno do valor que seria pago. Então, eu determinei que o Nadaf e Chico Lima tocasse isso. Eles trataram desse assunto com o proprietário”, afirmou.

 

Prioridade (Atualizada às 15h54)

 

Silval disse ter chamado o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves, e pedido “prioridade” no pagamento do terreno “porque isso aqui iria resolver um problema de dívida”.

 

“Da mesma forma, tratei com o Marcel de Cursi [Fazenda], para ele liberar o recurso. O Pedro Nadaf disse que poderia ter um retorno para os secretários e eu disse a ele que, pagando a dívida do Piran, não tinha problema”.

 

“Eu não entendi o motivo que o levou a determinar um contrato com o Filinto Müller para ter o retorno para pagar a dívida com o Piran. Poderia fazer o contrato com o próprio Piran”.

 

Dinheiro a Malouf (Atualizada às 15h58)

 

No depoimento, Silval disse que parte do dinheiro foi enviado ao empresário Alan Malouf.

 

“Além da dívida com Piran, o dinheiro da desapropriação foi usado para o Alan Malouf. Foram R$ 200 mil. Também foi pago R$ 200 mil para o Antonio Carlos Milas [jornalista preso na Operação Liberdade de Extorsão]”.

 

Carta branca (Atualizada às 16h05)

 

Silval afirmou que o ex-secretário Pedro Nadaf era de sua “total confiança” e que tinha “carta branca” para resolver seus problemas.

 

Não sei por que o Afonso disse que o chamei de cagão. Eu nunca disse isso dele. Nunca pressionei ele

“Com relação a participação do Pedro Nadaf, era uma pessoa de extrema confiança minha e tinha carta branca para tomar decisões para resolver os problemas das dívidas”.

 

“Não o chamei de cagão” (Atualizada às 16h08)

 

Ainda no depoimento, Silval Barbosa negou ter chamado o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, de "cagão".

 

A afirmação foi feita por Dalberto no início deste mês. Segundo ele, o adjetivo foi usado em razão de ele querer estudar melhor a viabilidade de executar o esquema investigado na 4ª fase da Operação Sodoma.

 

“Eu não sei por que o Afonso disse que o chamei de cagão. Eu nunca disse isso dele. Nunca pressionei ele. Nada disso”, afirmou.

 

Governo não extorquia ninguém (Atualizada às 16h12)

 

“O governo não extorquia ninguém. As pessoas faziam porque tinham interesses em fazer. Porque via a possibilidade, como nesse caso, de receber. Eu não sabia desses contratos simulados, fiquei sabendo só depois da operação”, afirmou.

 

Compra de ouro (Atualizada às 16h20)

 

Silval afirmou não ter conhecimento a respeito da participação do ex-presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), João Justino Paes de Barros, no esquema.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Silval Barbosa

Silval com os documentos que levou para audiência com Selma Arruda

Justino, um dos delatores da Operação Sodoma 4, disse que utilizava um avião fretado da empresa aérea “Abelha” para ir até Peixoto de Azevedo (672 km ao Norte de Cuiabá) comprar barras de ouro para Nadaf e Cursi. O dinheiro utilizado na compra foi obtido por meio da propina recebida no esquema de desapropriação.

 

“Sobre o João Justino, não sei nada de sua participação. Mas com relação a essa compra de ouro para o Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, quero dizer que em lugar nenhum na região norte se compra ouro com desvalorização de 30%. Eu já trabalhei com isso lá, se ele fez isso, venderam ouro falso para ele”.

 

Preço da região (Atualizada às 16h23)

 

A juíza Selma Arruda, então, questiona se houve um superfaturamento na aquisição do terreno: "Foi informado para mim que era o preço da região e que o proprietário daria o retorno porque queria receber. Isso que foi me passado".

 

“Eu só sei que o Pedro Nadaf ficou com R$ 500 mil desse valor da desapropriação pelo processo. Eu só sabia que ia retornar R$ 10 milhões para pagar a dívida, não sabia que ia ter retorno para os secretários Pedro Nadaf, Chico Lima, Afonso Dalberto e Marcel de Cursi”.

 

Sem participação (Atualizada às 16h24)

 

A promotora Ana Cristina Bardusco Silva, do Ministério Público, perguntou sobre a participação de Sílvio Cezar Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete do peemedebista: “Até onde conheço, ele só fez o despacho do processo da desapropriação. Não tinha conhecimento de nada e não recebeu nada".

 

Dívida com Piran e Milas (Atualizada às 16h30)

 

Sobre a dívida com o Piran, Silval diz que são dívidas de campanha e do seu grupo político. "Mas prefiro não revelar, especificamente, de quem era porque tem outro processo investigando esse assunto".

 

Essa história do Pedro Nadaf de falar que houve cadeirada é sensacionalismo

Sobre a dívida com o Antonio Carlos Milas, Silval afirma que era decorrente de uma extorsão que o jornalista fazia contra ele e seus secretários: "No total, minha dívida com ele era de R$ 800 mil, mas desse caso ele recebeu R$ 200 mil, o restante o Nadaf fez de outras fontes".

 

"Ele me extorquia de diversas formas, de coisas que eles sabiam dentro do governo e ameaçavam revelar”, disse sobre o jornalista.

 

Sem agressão (Atualizada às 16h38)

 

O ex-governador também negou recente depoimento de Nadaf sobre agressão. À juíza, o ex-secretário disse que Valdir Piran chegou a tentar agredir Silval com uma cadeira por conta do não pagamento desta dívida e pelo fato de o ex-governador ter lhe passado um cheque sem fundos.

 

"Não houve agressão. Ele chegou lá nervoso dizendo que queria receber, que era para darmos jeito. Eu disse que não conversaria com ele daquela maneira, que na hora que se acalmasse a gente se falaria"

 

"Essa história do Pedro Nadaf de falar que houve cadeirada é sensacionalismo. O Piran só estava nervoso, pessoas que tomam remédio, esquece".

 

Dívida com Malouf (Atualizada às 16h45)

 

Silval afirmou que sua dívida com o empresário Alan Malouf era de R$ 1 milhão. Segundo ele, a dívida foi liquidada, mas que o dinheiro não foi por “meios legais”.

 

O Sílvio estava em um processo de depressão bem grande no CCC, tomava remédio. Os últimos meses não conversava nada com ninguém

"Minha dívida com ele era de R$ 1 milhão. Eu determinei que o Pedro Nadaf desse um jeito e a dívida foi liquidada. Desse caso [da desapropriação do terreno], ele recebeu R$ 200 mil. Todo valor que o Alan recebeu foi de propina. Ele sabia que o Estado não tinha condição de pagar por vias legais".

 

Depressão no CCC (Atualizada às 17h00)

 

Bardusco questiona sobre ameaça de Sílvio Correa contra Pedro Nadaf: "Para mim ele negou ter ameaçado o Pedro. Disse que tinha feito um comentário apenas, não disse para mim que se arrependeu, mas, com certeza, deve estar, porque é uma pessoa muito humana. O Sílvio estava em um processo de depressão bem grande no CCC, tomava remédio. Os últimos meses não conversava nada com ninguém", disse Silval.

 

Questionado pela defesa de João Justino sobre a compra de ouro falso, o peemedebista disse: "Eu não falei que o João Justino comprou ouro falso. Disse que ninguém compra ouro com desvalorização de 30%, e se compra é a falso. Mas o próprio Ministério Público explicou que o Justino comprou apenas uma vez com essa desvalorização, o resto foi a preço de mercado".

 

Fim de depoimento (Atualizado às 17h10)

 

Após alguns questionamentos dos advogados, a juíza Selma Arruda encerrou o depoimento do ex-governador Silval Barbosa.

 

Veja trechos do depoimento de Silval (Atualizada às 17h20)

 

 

 

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