O delegado João Paulo Firpo, da Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), afirmou que o empresário e ex-detento Fabrício Campana é o líder de um complexo esquema criminoso de sonegação fiscal que atuava em operações de comercialização de grãos.

Segundo Firpo, de dentro da Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis, Fabrício conseguia os dados de outros detentos ou de pessoas próximas a eles para registrar, em seus nomes, empresas de fachada.
O delegado disse que, segundo as investigações, o esquema funcionava com o auxílio do contador Marcelo Rodrigues de Arruda, que teve o registro de atuação profissional suspenso pelo período de 180 dias para investigação.
Fabrício era o principal alvo da Operação CNPJ na Cela, deflagrada na manhã desta terça-feira (3), mas não foi localizado em nenhum dos endereços em que a Polícia esteve. Até o mês de janeiro, ele estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Apesar de não ter sido localizado, Fabrício não é considerado foragido, uma vez que o mandado não era de prisão, e sim de busca e apreensão.
“Ele foi preso recentemente, estava de tornozeleira e, por ordem judicial, provavelmente porque cumpriu o requisito da pena, tirou a tornozeleira. Ele era o principal alvo e não foi encontrado em nenhum dos três endereços dele: a empresa, a casa em construção e a casa em que mora”, explicou o delegado.
Segundo ele, a esposa de Fabrício, também alvo da operação e que não teve a identidade revelada, não foi localizada. Estavam na casa apenas familiares do casal. No local, os policiais encontraram quase R$ 27 mil em espécie.
“As ordens eram de busca e apreensão, não tinha prisão, cautelar de suspensão de atividade de contador e a suspensão da atividade de 21 empresas de fachada, dentre elas a que deu origem ao nome da operação, já que eles colocaram a sede de uma das empresas no presídio”, disse.
Operação
Segundo a Polícia, a operação teve início a partir de informações da Secretaria de Fazenda. O setor de inteligência identificou que empresas recém-criadas estavam com um volume muito grande de emissão de notas fiscais em operações envolvendo grãos.
Foi feito um levantamento das pessoas físicas que compunham o quadro societário dessas empresas, e foi identificado que muitas delas tinham passagem pelo sistema penitenciário, inclusive durante o período de constituição.
Outras pessoas usadas como laranjas eram de baixa renda, sem condições de movimentar os montantes declarados. Segundo a Polícia, parte dessas pessoas sequer sabia que seus nomes estavam sendo usados no esquema.
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