Cuiabá, Quinta-Feira, 5 de Março de 2026
"FAMÍLIA DO CRIME"
05.03.2026 | 10h00 Tamanho do texto A- A+

Líder de facção, filha influencer e genro são os alvos de operação

Eles são acusados de lavar R$ 20 milhões do tráfico no interior de MT; "Angéliquinha" segue foragida

Reprodução

Os alvos da Operação Showdown: Angéliquinha (foragida), a filha Kauany Beatriz, o genro Guilherme Luareth

Os alvos da Operação Showdown: Angéliquinha (foragida), a filha Kauany Beatriz, o genro Guilherme Luareth

PIETRA NÓBREGA
DA REDAÇÃO

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Showdown para cumprir quatro mandados de prisão contra integrantes de uma família apontada como responsável pela lavagem de R$ 20 milhões oriundos do tráfico de drogas administrado por uma facção criminosa na região de Alta Floresta (a 800 km de Cuiabá).

 

Os alvos foram identificados como Angélica Saraiva de Sá, a Angéliquinha, líder da facção que está foragida desde agosto de 2025; a filha dela, Kauany Beatriz, 20 anos; o namorado de Kauany, Guilherme Luareth, 24; e o pai de Angéliquinha, Paulo Felizardo, 52.

 

Kauany e Guilherme foram presos em Alta Floresta. Paulo Felizardo foi localizado e detido em uma região de garimpo em Novo Astro, distrito de Nova Bandeirantes (a 1.070 km de Cuiabá).

 

Angéliquinha, considerada de alta periculosidade, segue foragida e, segundo informações da inteligência policial, está escondida em uma favela. A corporação não divulgou a localização para não atrapalhar as buscas.

 

Além das prisões, a Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.

 

As ordens partem da 5ª Vara Criminal de Sinop e são cumpridas em Alta Floresta e Nova Bandeirantes com apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, das delegacias municipais e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

 

Esquema com garimpo ilegal, jogos de azar e empresas de fachada

 

As investigações, que duraram um ano e sete meses, apontam que o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões em valores incompatíveis com a renda declarada. O dinheiro era obtido com o tráfico de drogas comandado por Angéliquinha e passava por um complexo esquema de lavagem de capitais.

 

Para dar aparência lícita aos recursos, a família utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas. Outra ferramenta eram plataformas digitais de jogos de azar on-line, nas quais os valores eram inseridos e posteriormente apresentados como ganhos legítimos.

 

Um dos braços do esquema era a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta, gerenciado por Paulo Felizardo, pai da líder da facção. Ele também administrava um bar e prostíbulo próximo a Nova Bandeirantes, local que, segundo a polícia, servia de apoio para extorsões a garimpeiros e para a prática de tráfico de drogas. O ouro extraído era utilizado como mecanismo para ocultar e reinserir os recursos ilícitos no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro.

 

Filha e genro ostentavam vida luxuosa nas redes sociais

 

Enquanto o dinheiro do tráfico era lavado, Kauany Beatriz e Guilherme Luareth ostentavam uma vida de luxo. A filha de Angéliquinha mantém um perfil no Instagram com mais de 40 mil seguidores, onde compartilhava detalhes da rotina, compras de imóveis, carros de luxo e viagens internacionais.

 

Angéliquinha, que comanda as atividades do Comando Vermelho em Alta Floresta, fugiu em agosto de 2025 do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde cumpria pena. A operação desta quinta-feira mira não apenas a líder, mas toda a estrutura familiar que dava suporte financeiro à facção.

 

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