Cuiabá, Domingo, 30 de Novembro de 2025
CRÍTICA AO GOVERNO
30.11.2025 | 15h41 Tamanho do texto A- A+

Alcolumbre critica atraso no envio da indicação de Messias ao Senado

Presidente do Senado diz que “causa perplexidade” que mensagem de indicado ao STF ainda não tenha sido encaminhada pelo Planalto

Reprodução

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

GABRIEL BUSS
METRÓPOLES

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), divulgou, neste domingo (30), uma nota com críticas a setores do Executivo. Alcolumbre disse que “causa perplexidade” que a mensagem de indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não tenha sido enviada à Casa pelo Palácio do Planalto.

 

Alcolumbre reclamou que setores do governo Lula criam a “falsa narrativa” de que divergências entre os Poderes se resolvem por ajustes de “interesses fisiológicos, com cargos e emendas”.

 

“É nítida a tentativa de setores do Executivo de criar a falsa impressão, perante a sociedade, de que divergências entre os Poderes são resolvidas por ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas. Isso é ofensivo não apenas ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”, argumentou.

 

A nota de Alcolumbre é publicada no momento de tensão entre ele e o Palácio do Planalto por causa da indicação ao STF. O presidente do Senado queria que o nome escolhido fosse do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu Messias, atual Advogado-Geral da União (AGU). Nos corredores da Casa, senadores dizem não haver os 41 votos necessários para sacramentar o indicado do governo.

 

A indicação foi anunciada em 20 de novembro, mas até agora o governo não enviou a mensagem ao Senado. Na última terça (25), Alcolumbre anunciou que a sabatina de Messias será em 10 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), porém se a mensagem não chegar, o Senado não pode sabatinar o escolhido de Lula.

 

Na nota publicada neste domingo, o presidente do Senado disse que o prazo dado para a realização da sabatina “guarda coerência” com “quase totalidade” dos indicados anteriores.

 

“O prazo estipulado para a sabatina guarda coerência com a quase totalidade das indicações anteriores e permite que a definição ocorra ainda em 2025, evitando a protelação que, em outros momentos, foi tão criticada”, afirmou o político do Amapá. A protelação a que ele se refere é a do hoje ministro do STF André Mendonça, que por uma escolha de Alcolumbre, ficou meses esperando sua sabatina no Senado.

 

Como mostrou o Metrópoles, Lula tem o desejo de entregar pessoalmente a mensagem a Alcolumbre, e a expectativa é que o encontro entre os dois seja realizado nos próximos dias. Com a relação ruim com o Senado por não ter escolhido Pacheco, e com chance de ser derrotado, o Planalto tenta distensionar o ambiente antes do envio da mensagem.

 

Mensagem oficial ao Senado

 

A confecção da mensagem oficial da Presidência é realizada pela Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil

 

O documento apresenta informações como o currículo profissional do indicado, uma carta de apresentação, lista de processos judiciais em que participou, e declarações que negam nepotismo e envolvimento em empresas estatais, por exemplo

 

Até a última atualização desta reportagem, o documento ainda estava sendo feito e não havia data certa para despacho ao Senado.

 

Interlocutores usam o argumento de que quando o ministro do STF Cristiano Zanin foi indicado por Lula, a Casa Civil levou 12 dias para enviar a mensagem oficial ao Senado depois da publicação no Diário Oficial da União (DOU).

 

Nos bastidores, porém, Alcolumbre tem sinalizado que mantém o desejo de que a sabatina ocorra ainda neste ano e que, se o governo não enviar os documentos no prazo, vai usar a oficialização da indicação de Messias publicada no DOU em 20 de setembro.

 

Alcolumbre aproveitou a manifestação para defender a separação entre os Poderes.

 

 “Nenhum Poder deve se julgar acima do outro, e ninguém detém o monopólio da razão. Tampouco se pode permitir a tentativa de desmoralizar o outro para fins de autopromoção, sobretudo com fundamentos que não correspondem à realidade”, argumentou.

 

Ao final, o presidente do Senado disse que da parte de sua presidência, nada “alheio ao processo” será capaz de interferir na decisão “livre, soberana e consciente” do Senado.

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