O presidente da Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho), Lucas Beber, afirmou que o recorde de exportação de soja do Brasil no último ano foi favorecido pela guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Segundo o dirigente, o conflito permitiu que Mato Grosso saltasse de 9,6 milhões de hectares cultivados em 2019 para os atuais 13 milhões de hectares, com a conversão de áreas de pecuária em lavoura.
“O Brasil bateu recorde de exportação de soja no último ano devido justamente a essa guerra comercial entre Estados Unidos e China. Nós conseguimos viabilizar economicamente essa produção justamente pela melhora logística e a primeira guerra comercial entre as duas potências”, disse Beber à imprensa.
“Infelizmente, a crise agora não está estimulando muito os preços baixos das commodities, mas se não houvesse essa guerra comercial, poderia estar ainda pior e o Brasil não teria avançado tanto. Desde 2019, a guerra comercial entre Estados Unidos e China está beneficiando o Brasil em ganhar mercado que antes era norte-americano”, acrescentou.
Beber explicou que a logística, com a ligação ao Porto de Miritituba (PA), somada ao cenário externo, viabilizou economicamente a produção. Entretanto, mesmo com o otimismo o presidente disse que a produção em 2026 sofrerá queda devido a alta taxa de juros, que está deixando o produtor sem lucro.
Lucro "negativo"
Segundo ele, o que tem salvo o produtor é mesclar com o cultivo de milho.
"Esse ano não se repete a média que Mato Grosso teve o ano passado, provavelmente nós teremos 10% a menos de produtividade, mas temos um pequeno incremento de aumento de área. Então a produção total do estado deve ser menor que o ano passado e a produtividade também”, afirmou.
“O lucro hoje, se você considerar só a cultura da soja, o produtor está no negativo, principalmente considerando as altas taxas de juros. Hoje é necessário ter duas culturas, que é o milho, que graças a Deus ainda está com preços bons e que está ajudando o produtor a ter uma mínima rentabilidade”, completou.
Sobre o comportamento do dólar e a taxa de juros nos Estados Unidos e como isso afeta a produção brasileira, Beber adotou um tom cauteloso, classificando projeções futuras como "palpite". Para ele, as atenções devem se voltar ao cenário interno brasileiro e ao calendário eleitoral de 2026.
"É difícil, enquanto não tem as coisas consolidadas, tudo é palpite. Eu acredito que nós temos que nos ater agora mesmo é o cenário político brasileiro deste ano, que vai ser um grande divisor de águas para o que virá para o futuro aqui dentro do país", concluiu o dirigente.
Veja:
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
|
0 Comentário(s).
|