A decisão do deputado Wilson Santos (PSD) de usar um requerimento antigo, assinado há três anos, para abrir a CPI da Saúde, sem consultar novamente os parlamentares que à época subscreveram o documento, é um gesto que escancara o que a política tem de mais atrasado, oportunista e antiético.

Requerimento não é cheque em branco eterno. Assinatura não é autorização perpétua. Contextos mudam, fatos mudam, posições políticas mudam. Ignorar isso é tratar o Parlamento como mera formalidade burocrática — e não como um espaço vivo de debate, responsabilidade e respeito institucional.
Ao resgatar um papel velho para viabilizar uma CPI, que pretende investigar contratos da Secretaria Estadual de Saúde, Wilson Santos não apenas atropela os colegas, como desmoraliza o próprio instrumento da CPI, que deveria ser sério e lastreado em vontade política atual e transparente. É o tipo de manobra que alimenta o descrédito da população com a classe política.
Mais grave ainda é o caráter abertamente oportunista da iniciativa. A CPI surge não por compromisso com a verdade ou com o interesse público, mas como instrumento eleitoral, um palanque para atacar o atual Governo do Estado.
Wilson Santos age claramente como aliado direto de Carlos Fávaro (PSD), ministro de Lula (PT), usando o Parlamento estadual para tentar atingir seus objetivos, independente da decência.
Trata-se de uma prática preguiçosa, que foge do diálogo; covarde, que evita o enfrentamento aberto; e antiética, porque se apoia em atalho vergonhoso para impor uma decisão que deveria ser coletiva, atual e transparente.
Se a CPI é necessária, que se tenha a coragem de construir apoio agora, às claras, olhando os pares nos olhos. Ressuscitar assinaturas de três anos atrás, em pleno calendário eleitoral, não é estratégia — é o retrato fiel do pior da política que o país, e Mato Grosso, deve superar.
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