Cuiabá, Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2026
JÚRI DE FEMINICÍDIO
22.01.2026 | 11h00 Tamanho do texto A- A+

"Esperto e malandro", diz delegado sobre ex-marido de Raquel

Guilherme Pompeo afirmou que Romero Xavier tinha comportamento obsessivo e perseguia a ex-mulher

Alair Ribeiro/TJMT

Romero Xavier Mengarde, acusado de encomendar o asssassinato da ex-esposa, Raquel Cattani

Romero Xavier Mengarde, acusado de encomendar o asssassinato da ex-esposa, Raquel Cattani

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

O delegado Guilherme Pompeo, da Polícia Civil, responsável pela investigação do feminicídio de Raquel Cattani, afirmou em depoimento no Tribunal do Júri em Nova Mutum, nesta quinta-feira (22), que o ex-marido da vítima, Romero Xavier Mengarde, réu no caso, é uma pessoa “esperta” e “malandra”. Conforme o delegado, ele também 

 

Além de Romero, também é julgado o irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde, autor confesso das 34 facadas que resultaram na morte da empresária, em 18 de julho de 2024.

 

Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar

A vítima foi surpreendida por Rodrigo em sua chácara, no Pontal do Marape, zona rural do município. Conforme a confissão, ele foi levado até a propriedade pelo irmão e recebeu R$ 4 mil para cometer o assassinato.

 

Segundo o delegado, ao longo das oitivas realizadas com Romero na delegacia, ele demonstrava ausência emocional, o que chamou sua atenção, uma vez que se tratava do assassinato da mãe de seus filhos.

 

Ainda conforme Pompeo, quando era questionado, o ex-marido da vítima sempre dava respostas pensadas, demoradas e parecia constantemente observá-lo. Além disso, o delegado identificou que ele tinha comoportamento obsessivo e perseguia Raquel.

 

Alair Ribeiro/TJMT

Guilherme Pompeo Pimenta Negri

O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, em depoimento no Tribunal do Júri de Romero e Rodrigo Mengarde

Ao ser questionado pela promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, o delegado confirmou que uma vizinha de Raquel relatou ter ouvido da própria vítima, dias antes do crime, a seguinte frase: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar.”

 

O delegado ainda relembrou o episódio do dia em que descobriram o corpo, em 19 de julho de 2024, no qual a vizinha foi convicta ao acusar Romero e o xingou na frente de todos. Na ocasião, estavam reunidos amigos e familiares da vítima no sítio do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), pai da empresária.

 

A conduta de controle ainda foi evidenciada após testemunhas relatarem que a empresária foi surpreendida por Romero poucas semanas antes do feminicídio, no sítio dos pais dela, disse o delegado. Conforme os relatos, Romero apareceu de forma inesperada, à noite, o que teria causado choque e medo em Raquel.

 

Para o delegado, apesar de não haver registros de agressões físicas perpetuadas por Romero contra a vítima, as testemunhas apontaram que ela sofria pressão psicológica, sendo tratada de forma desrespeitosa e agressiva. Esse comportamento negativo, para ele, atingia também os filhos do casal.

 

O mesmo histórico de violência psicológica foi relatado pelo delegado Edmundo Félix de Barros Filho, que contou que Romero xingava e humilhava Raquel, e inclusive com fazia "chacota" com o fato da vítima ter deficiência auditiva. Edmundo também citou relatos de testemunhas de que o ex-marido da vítima tentou se suicidar ao ingerir medicamentos, como forma de manipulação para evitar o divórcio.

 

Alair Ribeiro/TJMT

Edmundo Félix de Barros Filho

O delegado Edmundo Félix de Barros Filho, em depoimento no Tribunal do Júri de Romero e Rodrigo Mengarde

Vida ceifada em 15 minutos

 

Pompeo ainda revelou à promotora Andreia de Menezes que o crime foi praticado em 15 minutos. Conforme seu depoimento, o tempo foi definido a partir do cruzamento de imagens de câmeras, registros de deslocamento, mensagens trocadas pela vítima com um amigo e dados telefônicos.

 

Ele explicou que a investigação funcionou como um “quebra-cabeça”, no qual cada elemento ajudou a delimitar o intervalo de tempo do crime. O delegado contou que a última mensagem enviada por Raquel foi avisando que havia chegado em casa. 

 

Poucos minutos depois, houve apenas uma resposta curta, o que, segundo a apuração, indicaria que o celular já havia sido subtraído. A partir disso, a polícia conseguiu delimitar um intervalo muito curto, estimado em cerca de 10 a 15 minutos, em que o crime ocorreu.

 

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Assassinos de Raquel Cattani enfrentam júri popular nesta quinta

 

 

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