O delegado Guilherme Pompeo, da Polícia Civil, responsável pela investigação do feminicídio de Raquel Cattani, afirmou em depoimento no Tribunal do Júri em Nova Mutum, nesta quinta-feira (22), que o ex-marido da vítima, Romero Xavier Mengarde, réu no caso, é uma pessoa “esperta” e “malandra”. Conforme o delegado, ele também
Além de Romero, também é julgado o irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde, autor confesso das 34 facadas que resultaram na morte da empresária, em 18 de julho de 2024.

A vítima foi surpreendida por Rodrigo em sua chácara, no Pontal do Marape, zona rural do município. Conforme a confissão, ele foi levado até a propriedade pelo irmão e recebeu R$ 4 mil para cometer o assassinato.
Segundo o delegado, ao longo das oitivas realizadas com Romero na delegacia, ele demonstrava ausência emocional, o que chamou sua atenção, uma vez que se tratava do assassinato da mãe de seus filhos.
Ainda conforme Pompeo, quando era questionado, o ex-marido da vítima sempre dava respostas pensadas, demoradas e parecia constantemente observá-lo. Além disso, o delegado identificou que ele tinha comoportamento obsessivo e perseguia Raquel.
Alair Ribeiro/TJMT
O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, em depoimento no Tribunal do Júri de Romero e Rodrigo Mengarde
Ao ser questionado pela promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, o delegado confirmou que uma vizinha de Raquel relatou ter ouvido da própria vítima, dias antes do crime, a seguinte frase: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar.”
O delegado ainda relembrou o episódio do dia em que descobriram o corpo, em 19 de julho de 2024, no qual a vizinha foi convicta ao acusar Romero e o xingou na frente de todos. Na ocasião, estavam reunidos amigos e familiares da vítima no sítio do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), pai da empresária.
A conduta de controle ainda foi evidenciada após testemunhas relatarem que a empresária foi surpreendida por Romero poucas semanas antes do feminicídio, no sítio dos pais dela, disse o delegado. Conforme os relatos, Romero apareceu de forma inesperada, à noite, o que teria causado choque e medo em Raquel.
Para o delegado, apesar de não haver registros de agressões físicas perpetuadas por Romero contra a vítima, as testemunhas apontaram que ela sofria pressão psicológica, sendo tratada de forma desrespeitosa e agressiva. Esse comportamento negativo, para ele, atingia também os filhos do casal.
O mesmo histórico de violência psicológica foi relatado pelo delegado Edmundo Félix de Barros Filho, que contou que Romero xingava e humilhava Raquel, e inclusive com fazia "chacota" com o fato da vítima ter deficiência auditiva. Edmundo também citou relatos de testemunhas de que o ex-marido da vítima tentou se suicidar ao ingerir medicamentos, como forma de manipulação para evitar o divórcio.
Alair Ribeiro/TJMT
O delegado Edmundo Félix de Barros Filho, em depoimento no Tribunal do Júri de Romero e Rodrigo Mengarde
Vida ceifada em 15 minutos
Pompeo ainda revelou à promotora Andreia de Menezes que o crime foi praticado em 15 minutos. Conforme seu depoimento, o tempo foi definido a partir do cruzamento de imagens de câmeras, registros de deslocamento, mensagens trocadas pela vítima com um amigo e dados telefônicos.
Ele explicou que a investigação funcionou como um “quebra-cabeça”, no qual cada elemento ajudou a delimitar o intervalo de tempo do crime. O delegado contou que a última mensagem enviada por Raquel foi avisando que havia chegado em casa.
Poucos minutos depois, houve apenas uma resposta curta, o que, segundo a apuração, indicaria que o celular já havia sido subtraído. A partir disso, a polícia conseguiu delimitar um intervalo muito curto, estimado em cerca de 10 a 15 minutos, em que o crime ocorreu.
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