Cuiabá, Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026
ATROPELAMENTO DE IDOSA
21.01.2026 | 17h45 Tamanho do texto A- A+

Juiz cita “desprezo pela vida humana” e mantém advogado preso

Paulo Roberto Gomes tentou fugir da cena do acidente, mas foi interceptado por um policial à paisana

Alair Ribeiro/TJMT

O juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, que determinou a prisão preventiva de Roberto dos Santos

O juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, que determinou a prisão preventiva de Roberto dos Santos

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão preventiva do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, acusado de atropelar e matar a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande, na terça-feira (20). 

 

A decisão foi assinada pelo juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal do município, durante audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (21). Na decisão, o magistrado afirmou que Paulo "tem desprezo pela vida humana". 

 

"No caso em análise, a conduta imputada ao acusado revela acentuada gravidade concreta, pois o homicídio teria sido praticado mediante atropelamento, seguido de evasão do local, sem qualquer tentativa de socorro à vítima, evidenciando desprezo pela vida humana e elevado grau de reprovabilidade social", escreveu o juiz.

 

O magistrado ainda negou pedido de prisão domiciliar requerido pela defesa de Roberto, que alegou enfermidades como hipertensão arterial, trombose e diabetes mellitus. Apesar de entender que são doenças que demandem acompanhamento médico, o juiz avaliou que o tratamento pode ser realizado pelo sistema prisional.

 

"Destaco, ainda, que os documentos médicos juntados são antigos, vez que anteriores a 07/2024, de modo que não há comprovação atual de eventual tratamento de enfermidade que justificasse a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar".

 

Ao enfatizar a necessidade da custódia cautelar diante do risco que Paulo representa ao processo caso permaneça em liberdade, a decisão destacou que ele tentou fugir logo após o atropelamento.

 

Ainda ressaltou que o advogado possui histórico de utilização de documento falso com a finalidade de ocultar sua identidade, "e se eximir de responsabilização penal em crime anterior, inclusive com condenação transitada em julgado, conduta que demonstra deslealdade processual e desprezo pelas instituições de persecução penal".

 

"Tal circunstância evidencia, neste primeiro momento, o risco à aplicação da lei penal, uma vez que o comportamento pretérito revela propensão do agente a empregar meios fraudulentos para frustrar a atuação estatal, dificultar sua identificação e evitar eventual responsabilização criminal", avaliou.

 

O acidente

 

Paulo dirigia uma Fiat Toro que atingiu a idosa e lançou seu corpo para a pista contrária, fazendo com que ela fosse atropelada novamente e tivesse seu corpo partido ao meio.

 

Ele foi interceptado após fugir do local por um policial que estava à paisana e presenciou o acidente. 

 

O advogado prestou depoimento na tarde de terça-feira (20) à Polícia Civil, e afirmou que passou mal antes do acidente.

 

Na ocasião, ele afirmou que a vítima é quem teria atingido o seu veículo. "O corpo dela que acertou o meu carro do lado", disse. 

 

Vida pregressa 

 

O advogado foi condenado a 19 anos de prisão em 2007 por matar a amante, a estudante de fisioterapia Rosimeire Maria da Silva, de 25 anos. O crime aconteceu na noite do dia 13 de abril de 2004 no município de Juscimeira. 

 

Conforme informações da Polícia à época do crime, Paulo era empresário do ramo de autopeças em Lucas do Rio Verde e, mesmo casado, ‘namorava’ Rosimeire em Cuiabá. O advogado matou a jovem asfixiada na banheira de um motel. Em seguida, cortou as pontas dos dedos e sua cabeça para dificultar a identificação.

 

O corpo da jovem foi jogado no Rio São Lourenço e encontrado em um barranco. Já a cabeça da vítima teria sido jogada no Rio das Mortes, mas nunca foi encontrada.

À época do crime, Paulo usava o nome falso de Francisco Vaccani e já era procurado pela Polícia por ter matado com um tiro na nuca o delegado Eduardo da Rocha Coelho, em 1998, no Rio de Janeiro.

 

O crime ocorreu durante uma discussão na viatura da Polícia. Paulo, que era policial civil e estava no banco de trás do veículo. Ele foi preso em flagrante pelo colega de serviço e encaminhado à Polinter da cidade de Araruama, mas fugiu, vindo para Mato Grosso. Ele foi condenado, em 2006, a 13 anos de prisão.

 

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