Cuiabá, Quinta-Feira, 5 de Março de 2026
FRAUDES EM MT
07.11.2024 | 17h17 Tamanho do texto A- A+

MPE monta "organograma" de família suspeita de esquema; veja

O empresário Edézio Correa, réu e colaborador da Operação Sodoma, é apontado como líder

Reprodução

A ação de hoje teve como foco a Prefeitura de Barão de Melgaço

A ação de hoje teve como foco a Prefeitura de Barão de Melgaço

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), do Ministério Público Estadual, montou um organograma sobre a atuação dos alvos da Operação Gomorra, deflagrada nesta quinta-feira (7) contra um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos em prefeituras e câmaras municipais de Mato Grosso.

 

A ação de hoje teve como foco a Prefeitura de Barão de Melgaço. A Prefeitura foi alvo de um mandado de busca e apreensão.

 

Conforme o organograma, o esquema era liderado pelo empresário Edézio Correa, que foi réu colaborador da Operação Sodoma, que apurou esquema de pagamento de propina da gestão do ex-governador Silval Barbosa.

  

As empresas dele que são investigadas no suposto esquema tem como sócios a sua esposa Tayane Beatriz Silva Bueno, a sua irmã Eleide Maria Correa e seus sobrinhos Roger Correa da Silva, Waldemar Gil Barros e Janio Correa da Silva. Todos foram presos temporariamente.

  

O grupo é proprietário da Pontual Comércio e Serviços de Terceirizações, Pantanal Gestão e Tecnologia, Saga Comércio e Serviço Tecnologia e Informática Ltda e Centro América Frotas Ltda.

 

O organograma mostra que Tayla Beatriz era sócia do marido na Pontual Comércio. Já o sobrinho Roger Correa era sócio de Edezio na Pantanal Gestão e Tecnologia. 

 

Waldemar era sócio do tio na Pantanal e na Saga Comércio. Esta última empresa ainda tinha como sócia a irmã de Edezio, Eleide Maria. Ela também é sócio do irmão na Centro América Frotas, assim como Janio Correa

  

Segundo o Naco, as empresas investigadas atuam em diversos segmentos, sempre com foco em fraudar a licitação e disponibilizam desde o fornecimento de combustível, locação de veículos e máquinas, fornecimento de material de construção até produtos e serviços médico-hospitalares.

  

As investigações revelaram ainda que nos últimos cinco anos, os montantes pagos às empresas chegam à quantia de R$ 1,8 bilhão, conforme a lista de contratos divulgada no Radar MT do Tribunal de Contas do Estado (TCE) .

 

Veja fác-simile: 

 

 

 

 

Esquema em Barão

 

De acordo com o Naco, a identificação do esquema ocorreu após a análise de todos os processos licitatórios homologados pela Prefeitura de Barão de Melgaço com a empresa Centro América Frotas no período de 2020 até os dias atuais.

  

Foi verificado, durante a investigação, que outras empresas que haviam participado dos certames tinham como sócios pessoas do mesmo núcleo familiar do proprietário da empresa Centro América Frotas. Além disso, algumas delas sequer possuem atividade empresarial em funcionamento.

  

A análise dos contratos, segundo o Naco, também demonstrou diferenças exorbitantes de valores em contratações semelhantes. Em um dos casos, houve um aumento de mais de nove milhões em contratações realizadas nos anos de 2021 e 2022.

  

Delator

  

Edézio Corrêa foi um dos delatores da 5ª fase da Operação Sodoma, deflagrada em 2017 para investigar a gestão Silval.

  

Em sua delação, ele afirmou que participou do suposto esquema de fraudes em licitação no governo Silval para “abater” os prejuízos que tinha com pagamento de propina à Secretaria de Estado de Administração (SAD).

 

Leia mais: 

 

Empresas receberam R$ 1,8 bi em 5 anos; seis são presos

 

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