Cuiabá, Quinta-Feira, 5 de Março de 2026
ACUSADO DE VENDA DE SENTENÇAS
05.03.2026 | 07h00 Tamanho do texto A- A+

CNJ: esposa de desembargador recebeu R$ 140 mil de intermediador

Dirceu dos Santos foi afastado do TJ-MT suspeito de recebimento de propina e nepotismo cruzado

MidiaNews

O desembargador Dirceu dos Santos, que foi afastado do TJ-MT

O desembargador Dirceu dos Santos, que foi afastado do TJ-MT

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A atual esposa do desembargador Dirceu dos Santos, afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), Carla Patrícia Monteiro dos Santos, recebeu uma transferência de R$ 140 mil da empresa Veritas Construtora e Incorporadora, ligada ao empresário Luciano Cândido Amaral.

 

O que pode ter mascarado o recebimento de vantagens ilícitas intermediadas pelo empresário em favor do desembargador

A informação consta na decisão do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, que determinou o afastamento de Dirceu do cargo na segunda-feira (2), por suspeitas de venda de sentenças e nepotismo cruzado.

 

O empresário Luciano Cândido é apontado como intermediador do desembargador junto ao advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.

 

Segundo a decisão de Campbell, a transferência de R$ 140 mil foi realizada em 28 de março de 2024 pela empresa Veritas diretamente para a conta de Carla Patrícia.

 

"O que ratifica sobremaneira os indícios de recebimento de vantagem indevida por intermédio de Lucinao Cândido Amaral e suas empresas, e também por meio de Carla Patrícia, atual esposa do desembargador Dirceu dos Santos em nítida situação de lavagem de capitais na modalidade dissimulação", consta na decisão

 

A investigação, conforme o corregedor,  ainda apontou que o empresário e o magistrado mantinham relação empresarial direta.

 

De acordo com dados da Receita Federal e da Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat), Dirceu dos Santos foi sócio da empresa MaisLaser Cuiabá Ltda. entre 26 de outubro de 2022 e 10 de dezembro de 2024, tendo como sócio justamente Luciano Cândido Amaral.

 

O período da sociedade coincide com o momento em que, segundo a investigação, foram realizadas transferências expressivas por parte de Roberto Zampieri em favor de Amaral, sem que houvesse justificativa comercial para os pagamentos.

 

A investigação apontou também, de acordo com Campbell, que a empresa MaisLaser possui os mesmos contatos telefônicos e eletrônicos de outras quatro empresas controladas por Amaral, o que indicaria a existência de vínculos econômico-financeiros entre os negócios do empresário e o desembargador. Entre essas empresas está justamente a Veritas Construtora e Incorporadora, responsável pelo depósito feito à esposa do magistrado.

 

Conexões financeiras investigadas

 

Conforme a decisão, o advogado Roberto Zampieri realizou transferências que somam cerca de R$ 600 mil para o empresário Luciano Cândido Amaral e empresas ligadas a ele entre os anos de 2020 e 2023.

 

Além dos repasses feitos por Zampieri, de acordo com a decisão, a investigação identificou diversas transações financeiras entre o próprio desembargador Dirceu dos Santos e Luciano Amaral ou empresas ligadas a ele.

 

Também foi constatado que a MaisLaser Cuiabá, empresa da qual Dirceu foi sócio até 2024, recebeu transferências da Veritas Construtora.

 

"O que pode ter mascarado o recebimento de vantagens ilícitas intermediadas pelo empresário em favor do desembargador, inclusive por meio de imóveis", aponta outro trecho da decisão.

 

Segundo o decisão, pagamentos realizados por Dirceu à empresa Veritas podem estar relacionados a negociações imobiliárias intermediadas por Luciano Amaral, que teriam sido utilizadas para ocultar valores recebidos indevidamente.

 

A decisão destacou ainda que o magistrado possui expressivo patrimônio imobiliário, considerado incompatível com os rendimentos recebidos na magistratura.

 

 

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