Um detento identificado como Adrian Oliveira Ferreira fugiu na manhã desta quarta-feira (07) após passar por uma audiência de custódia realizada no município de Porto Alegre do Norte ( a 1.000 km de Cuiabá).
Diante da fuga, servidores do Judiciário Estadual relataram uma situação de insegurança em razão das novas diretrizes para a realização de audiências de custódia de forma presencial no município.
Adrian foi preso em flagrante por tráfico de drogas no município de Confresa, na tarde de segunda-feira (05), após denúncias apontarem movimentações suspeitas em uma residência próxima ao Eco Park da cidade.
Após a prisão, ele foi encaminhado a Porto Alegre do Norte para a realização da audiência de custódia.
Na audiência, realizada por volta das 9h desta quarta-feira, no Fórum da cidade, a prisão em flagrante de Adrian foi convertida em prisão preventiva.
No entanto, momentos após a decisão do magistrado, o detento fugiu do local e segue foragido.
Em conversa com o MidiaNews, uma servidora do Judiciário relatou o momento da fuga. Segundo a técnica judiciária, o preso aguardava em uma cela a finalização de outra audiência de custódia quando conseguiu romper uma das grades e escapar.
“No momento em que terminou a audiência dele, informei aos policiais que ele ficaria ali para a coleta da biometria, para depois ser encaminhado à cadeia pública. Os policiais o colocaram em uma cela ao lado da sala onde realizo as audiências.
Enquanto eles conduziam outra presa para atendimento, eu permaneci sozinha com ele, e foi nesse intervalo que Adrian conseguiu fugir”, relatou.
Em uma gravação enviada à reportagem, a servidora mostra a dinâmica da fuga. Nas imagens, é possível ver uma das grades da cela danificada após a ação do detento.
Insegurança
Em seu relato a servidora detalhou a sensação de insegurança após o episódio. Segundo ela, após uma resolução determinada em dezembro de 2025, todas as audiências de custódia na comarca passaram a ocorrer de forma presencial.
Contudo, apenas uma servidora permanece presente durante as audiências. Conforme o relato, juízes, promotores e advogados participam de forma remota, enquanto o servidor fica frente a frente com o preso, sem segurança adequada.
“Somente técnicos judiciários e analistas estão fazendo essa audiência presencial. Juízes, Ministério Público e advogados participam de casa. Quem fica frente a frente com o preso, a menos de um metro de distância, é o servidor, sem segurança, sem arma e sem qualquer garantia da integridade física”, declarou.
Segundo a servidora, com a nova logística do processo judicial, os servidores ficam expostos, já que mantêm contato direto com os detentos.
“Nossa reivindicação é para que isso não ocorra mais, ou que haja segurança adequada. Não há necessidade de o servidor ficar sozinho com o preso dentro do fórum. Se promotor, advogado e juiz participam por videoconferência, por que apenas o servidor de nível mais baixo precisa estar frente a frente com o preso?”, questionou.
“Se ele quisesse me manter refém, conseguiria”, finalizou.
Veja:
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