O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou soltar o DJ cuiabano Patrike Noro de Castro, suspeito de integrar uma organização criminosa que teria feito lavagem de cerca de R$185 milhões em dinheiro oriundo do tráfico de drogas em Mato Grosso. Ele está preso desde agosto de 2025.

A decisão é do ministro Reynaldo Soares da Fonseca e foi publicada nesta segunda-feira (16).
No pedido ao STJ, a defesa alegou quebra de isonomia processual e pediu extensão dos efeitos da decisão que concedeu liberdade ao DJ Diego de Lima Datto, também investigado como suposto líder do esquema, além de alegar ausência de contemporaneidade da prisão preventiva.
Ao analisar o caso, o ministro entendeu que o pedido não poderia ser examinado diretamente pela Corte Superior porque a matéria ainda não havia sido apreciada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), o que configuraria supressão de instância.
“Examinando o ato coator, observa-se que não houve exame do pedido de extensão por parte do Tribunal estadual, sendo inviável a apreciação direta nesta Corte por configurar indevida supressão de instância”, escreveu.
O relator também destacou que, conforme entendimento consolidado no STJ, pedidos de extensão devem ser formulados no mesmo processo em que foi proferida a decisão cujos efeitos se pretende aplicar a outro corréu.
O ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca, que não conheceu habeas corpus de Patrike Noro de Castro
"Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus".
Operação Datar
A investigação da Denarc revelou que o grupo era composto também por pessoas de outros Estados. O alvo principal foi o DJ Diego Datto, que já havia sido preso em uma investigação anterior da delegacia.
Ao todo, a operação cumpriu 67 mandados, incluindo sete de prisão preventiva, 11 medidas cautelares diversas, 14 mandados de busca e apreensão, 19 ordens de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de 16 veículos automotores.
Os mandados foram cumpridos em Cuiabá, Primavera do Leste, e nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Uma empresa e 19 pessoas foram alvos após descoberta de movimentações financeiras milionárias sem registro legal.
Durante as investigações, constatou-se que diversos alvos da operação, incluindo familiares, movimentavam valores expressivos por meio de contas próprias, sem qualquer lastro documental ou origem lícita comprovada.
Conforme a Polícia, parte dos recursos eram fracionados em pequenas quantias e transitavam entre contas de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar e dissimular a real origem do dinheiro.
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