Em 1823, o presidente dos Estados Unidos, James Monroe, impunha ao continente americano a “Doutrina Monroe” que pregava “América para os americanos” (do norte), essa doutrina enraizou a ideia que os EUA teriam a “missão” de proteger os países das américas da interferência europeia. Já em 1901, o presidente Theodore Roosevelt explicita o imperialismo estadunidense com o “Big Stick” que preconizava: “Fale suavemente e carregue um grande porrete, e você irá longe”. Trump reedita essas políticas imperialistas quando impõe seu poderio bélico contra o povo venezuelano. Aqui um parêntese: jamais defendi ditaduras, mas defendo ferrenhamente o princípio da autodeterminação dos povos: os destinos da Venezuela devem ser decididos pela nação venezuelana.

O que está por trás da intervenção bélica do Tio Sam? A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo de gás natural do mundo; além de metais preciosos como ouro, diamante, bauxita, ferro e, principalmente, as estratégicas Terras Raras. Então, o “x” da questão vai muito além do óbvio e ululante, como diria Nelson Rodrigues: associar Maduro ao narcotráfico é apenas uma cortina de fumaça para que os EEUU (em espanhol) se apossem das imensas riquezas da nação venezuelana. Trump, ao contrário de Roosevelt, não fala manso; fala e age como se fosse o senhor feudal das américas e já avisa que irá governar a Venezuela para ressarcir os supostos prejuízos que os Estados Unidos tiveram com as nacionalizações promovidas pelo regime de Hugo Chaves, a partir de 2007: Electricidad de Caracas; CANTV (Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela); Owens- Illinois Venezuela; ExxonMobil, Conoco Phillips, Chevron etc.
Historicamente, as intervenções militares dos USA têm grandes interesses políticos, geopolíticos e econômicos; vejamos: México (1846–1848) – Guerra Mexicano-Americana, resultando na anexação de vastos territórios (Texas, Califórnia, Novo México); Cuba (1898) – Guerra Hispano-Americana; os EUA ocuparam Cuba e Porto Rico após derrotar a Espanha; Nicarágua (1912–1933) – Ocupação militar para proteger interesses econômicos e conter movimentos nacionalistas; Haiti (1915–1934) – Ocupação militar para garantir estabilidade e proteger investimentos norte-americanos; República Dominicana (1916–1924 e 1965) – Ocupações militares para controlar instabilidade política e impedir governos considerados hostis; Guatemala (1954) – Golpe contra Jacobo Árbenz, organizado pela CIA, após reforma agrária que ameaçava a United Fruit Company; Cuba (1961) – Invasão da Baía dos Porcos, tentativa fracassada de derrubar Fidel Castro; Chile (1973) – Apoio da CIA ao golpe que derrubou Salvador Allende, instaurando a ditadura de Pinochet; Argentina (1976) – Apoio indireto à ditadura militar durante a Operação Condor; Granada (1983) – Invasão para derrubar governo marxista e instalar regime pró-EUA; Panamá (1989) – Invasão para capturar Manuel Noriega, acusado de narcotráfico; Brasil - Golpe de 1964 - A CIA e o governo norte-americano apoiaram a derrubada do presidente João Goulart, considerado uma ameaça por suas reformas de base e aproximação com setores de esquerda, Os EUA montaram a Operação Brother Sam, que enviou navios de guerra e apoio logístico caso houvesse resistência ao golpe e Venezuela (2002 e 2026) – Apoio a tentativas de golpe contra Hugo Chávez e, neste dia 03 , captura de Nicolás Maduro em operação militar em território venezuelano.
Quando, na década 1960, o niteroiense Eduardo Alves da Costa, hoje com 89 anos e morando em um cantinho quase escondido na praia de Picinguaba, em Ubatuba, escreveu “No caminho com Maiakóvski” talvez não imaginasse que o imperialismo ianque pudesse ser tão escandalosamente despudorado: “Tu sabes, / conheces melhor do que eu / a velha história. //Na primeira noite eles se aproximam / e roubam uma flor / do nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na Segunda noite, já não se escondem: / pisam as flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada. / Até que um dia, / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa, / rouba-nos a luz, / e conhecendo nosso medo, / arranca-nos a voz da garganta. / E já não podemos dizer nada.”
Sérgio Cintra é professor de Linguagens e está servidor do TCE-MT.
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