O líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil), afirmou que foi “deselegante e de má-fé” a forma como o deputado Wilson Santos (PSD) utilizou assinaturas para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que poderá investigar contratos suspeitos na Secretaria de Estado de Saúde (SES), revelados pela Operação Espelho, em 2023.

Wilson se valeu de um requerimento antigo, daquele ano, para propor, na semana passada, a abertura da CPI, sem consultar novamente os parlamentares que à época subscreveram o documento.
O líder do Governo adiantou que irá provocar o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), para que seja definido se as “assinaturas de três anos atrás” ainda têm validade para a instalação da CPI ou se precisam ser revalidadas ou confirmadas pelos deputados que as subscreveram.
“Foi até deselegante a forma como o parlamentar apresentou essas assinaturas para uma CPI, deselegante mesmo”, disse Dilmar ao MidiaNews, nesta segunda-feira (9).
“Vou provocar o presidente para que ele comunique os deputados sobre a assinatura, para saber se permanece ou não com ela. Porque ele usou, no meu ponto de vista, de má-fé. Assinaturas lá de 2023, três anos depois, é isso que eu vejo”, acrescentou.
Dilmar ainda ressaltou que o requerimento para criação da comissão foi apresentado de uma forma estratégica, na abertura dos trabalhos legislativos, na semana passada.
“O presidente em exercício, que estava presidindo a sessão, deputado Júlio Campos, fez uma leitura simbólica. Ele não leu que se tratava de uma CPI”, argumentou.
Outros dois deputados ouvidos pelo MidiaNews, que preferiram não se identificar, afirmaram que foram surpreendidos com a criação da CPI.
“Ele foi muito sorrateiro. Foi covarde. Não assinei nada recentemente. Não fui consultado”, disse um deles.
Já o autor do requerimento, deputado Wilson Santos, afirmou que todos os parlamentares são conscientes e responsáveis pelos próprios atos. Ele não considera antiética a manobra e sustenta que o pedido está em conformidade com o Regimento Interno da Assembleia Legislativa.
“Eles assinaram, são adultos, são conscientes. É só checar se as assinaturas são verdadeiras ou não. O regimento não estabelece isso [se as assinaturas precisam ser recentes ou não]”, declarou, ao admitir o uso do requerimento antigo.
A CPI foi formalmente criada com a publicação, na sexta-feira (6), de um ato assinado pelo presidente Max Russi. Os blocos parlamentares têm até a próxima sexta-feira (13) para indicar os integrantes da comissão.
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