Cuiabá, Quinta-Feira, 1 de Janeiro de 2026
RETROSPECTIVA 2025
01.01.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

Enfrentamento de caos financeiro e ajustes marcam 1° ano de Abilio

Gestão foi marcada por dificuldades herdadas de Emanuel Pinheiro e mudanças no primeiro escalão

Victor Ostetti/MidiaNews

O prefeito Abilio Brunini, durante sua posse na Câmara em 1º de janeiro

O prefeito Abilio Brunini, durante sua posse na Câmara em 1º de janeiro

GIORDANO TOMASELLI
DA REDAÇÃO

O primeiro ano da gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) à frente da Prefeitura de Cuiabá foi marcado por uma série de medidas de contenção de gastos devido à situação financeira herdada da administração anterior. 

 

Logo ao assumir o cargo, Abilio declarou que a Capital enfrentava um colapso econômico, o que resultou na assinatura imediata de um decreto de calamidade financeira. O documento serviu de base para ações de corte de despesas e renegociação de contratos com fornecedores.

 

Segundo a equipe econômica, o déficit ultrapassava R$ 1 bilhão. Na época, Abilio criou um Gabinete de Renegociação de Contratos, onde cancelou alguns e reajustou outros, definindo depois opções de parcelamento para os de maior valor.

 

Abilio afirmou que o decreto de calamidade era necessária para garantir a manutenção de serviços essenciais, como o funcionamento de unidades de pronto atendimento e a coleta de lixo, que apresentavam instabilidade no período de transição de governo. A Saúde era a Pasta mais afetada. 

 

Abilio apresentou um levantamento detalhado apontando um déficit de R$ 120 milhões apenas na área. De acordo com o prefeito, o montante era referente a faturas não pagas e falta de repasses para a manutenção da rede de urgência e emergência.

 

Além dos problemas financeiros, a Pasta enfrentava críticas dos vereadores sobre a falta de diálogo da chefe, a médica pediatra Lúcia Helena Barboza. Ela ficou no cargo até 1º de agosto, sendo substituída pela ex-interventora do Estado na Saúde de Cuiabá, Danielle Carmona, que continua à frente da Pasta.

 

Abilio já havia trocado também, com menos de 100 dias, o comando de outra Pasta importante, a Educação, com a saída de Solange Dias e entrada de Amauri Monge. 

 

Além disso, Abilio recebeu a gestão com o salário de dezembro e o 13º atrasados, o obrigado a reorganizar o calendário de pagamento dos servidores, que foi normalizado meses depois.

 

Fusões

 

Buscando reorganizar a máquina, Abilio realizou algumas mudanças na estrutura administrativa da gestão. Segundo ele, o objetivo era “enxugar” a máquina pública. 

 

Em setembro ele criou a Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego e realizou a fusão da Secretaria de Planejamento com a de Assuntos Estratégicos, que passaram a se chamar Secretaria Municipal de Planejamento Estratégico e Orçamento.

 

Outra fusão foi da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico com a da Agricultura e Trabalho. A Semob também se fundiu com a Segurança Pública, sob o comanda da coronel Francyanne Lacerda. 

 

A maior das fusões, entretanto, foi das secretarias de Cultura e Esporte e Lazer com a de Educação, que passou a ser a ordenadora de despesas das duas primeiras, que começaram a gestão como pastas independentes.

 

Desafios 

 

Nos primeiros meses de gestão Abilio ainda enfrentou enchentes, como a que atingiu os moradores do bairro São Matheus em janeiro. Na época, foi criado um auxílio emergencial de R$ 1 mil, a ser pago em parcela única, aos cidadãos que tiveram suas casas inundadas pelo Córrego do Gambá.

 

Ainda no mesmo mês, o prefeito teve de decretar situação de emergência na Saúde devido ao alto número de casos de arboviroses, que são doenças como a dengue e chikungunya. Com as chuvas de verão, houve aumento de 200% nos casos de dengue e quase 2.000% nos casos de chikungunya na Capital nos primeiros dias do ano, superlotando os postos de saúde. 

 

Abilio também tornou costume as visitas à Câmara de Vereadores. Quase toda semana o prefeito tem o costume de visitar o parlamento municipal, o que virou alvo de crítica de opositores. Na Casa, ele consolidou sua base e não enfrenta dores de cabeça para aprovar todos os projetos que envia. 

 

Na infraestrutura, um dos focos dos primeiros meses foi uma operação de emergência visando tapar os buracos que predominavam nas vias da cidade, frutos do abandono da gestão anterior. Agora, Abilio defende a implantação do BUD (bonde elétrico urbano) no lugar do BRT, que segue em obras na Capital. 

 

Racha com vice

 

Um dos momentos de maior repercussão do ano ocorreu durante uma vistoria surpresa do prefeito na sede da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) um dia após a exoneração da vice-prefeita, Vânia Rosa (Novo) do cargo de secretária, onde foi alvo de críticas por vereadores. 

 

Na ocasião, Vânia foi até o local e acompanhou a visita ao lado de uma advogada. A inspeção foi filmada por ambos os lados e foi marcada por diversos momentos tensos, como a descoberta de uma maca no gabinete de Vânia, que tornou o momento conhecido como ‘episódio da maca’.

 

O desentendimento resultou até no acionamento da Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência. Depois disso, a relação entre ambos nunca mais foi a mesma.

 

Vânia depois anunciou a reestruturação do gabinete da vice-prefeitura e chegou a assumir o comando do Alencastro por 15 dias durante viagem de Abilio para o Oriente Médio e China. 

 

Entretanto, no início de dezembro, após a divulgação da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2026, enviada por Abilio à Câmara, que não destinava nenhum recurso ao gabinete da vice, Vânia gravou um vídeo com críticas públicas a Abilio, gerando um novo embate. 

 

Para contornar a crise, Abilio assinou um decreto no último dia 23 de dezembro concedendo à Vânia autonomia financeira para ordenar despesas e poder nomear e exonerar cargos comissionados no âmbito de seu gabinete.

 

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