A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou acreditar em uma evolução na imagem da Casa perante a sociedade neste último ano. Para ela, a atitude de alguns não pode comprometer todo o parlamento, que leva há anos a pecha de “Casa dos Horrores”, devido a escândalos de corrupção.

Completando um ano à frente do cargo que assumiu assim que tomou posse de seu primeiro mandato, Paula afirmou que cada vereador deve ser responsabilizado individualmente por suas atitudes.
"É uma desconstrução diária. Falo que a Câmara tem 27 CPFs. São 27 vereadores, mas ela é muito maior do que tudo isso. Quando temos um vereador em uma situação como tivemos esse ano [envolvido em operação policial], ou em uma situação no plenário, não é isso que queremos, mas não podemos rotular uma Casa”, disse em entrevista ao MidiaNews.
Em 2025, dois vereadores, Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB), foram afastados de seus cargos pela Justiça por cerca de quatro meses, por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção investigado pela Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Civil em abril.
Além disso, discussões no plenário com troca de xingamentos, palavrões e até dedo do meio durante sessões, chamaram a atenção negativamente para Câmara.
Paula também falou sobre a relação com o prefeito Abilio Brunini (PL), citou desconforto com a “exclusão” da Câmara na decisão de regularizar as famílias do Contorno Leste e manifestou desejo de não disputar reeleição da Mesa Diretora.
Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):
MidiaNews - A sua gestão entrou com expectativas, principalmente para limpar aquela pecha que se tinha da Câmara de ‘Casa dos Horrores’, que já vem de algumas gestões. Entretanto, este ano teve xingamentos em plenário, brigas e operações policiais. Será possível algum dia melhorar essa imagem e tirar essa pecha?
Yasmin Silva/MidiaNews
"Nossos posicionamentos não são iguais, há uma pluralidade, mas não pode haver o desrespeito"
Paula Calil - É uma desconstrução diária. Falo que a Câmara tem 27 CPFs. São 27 vereadores, mas ela é muito maior do que tudo isso.
Quando temos um vereador em uma situação como tivemos esse ano [envolvido em operação policial], ou em uma situação no plenário, não é isso que queremos, mas não podemos rotular uma Casa. Somos 27 e as atitudes são pontuais, são de alguns vereadores.
A gente vem trabalhando para desconstruir esse estigma de Casa dos Horrores dando mais transparência, aproximando o cidadão da Câmara e é claro que eu, como presidente, tenho como dever manter a ordem em plenário. Acontece situações de debate acalorado em todas as casas legislativas. Nossos posicionamentos não são iguais, há uma pluralidade, mas não pode haver o desrespeito.
Finalizando o ano, avalio que embora tivemos vários problemas, foi um ano que houve uma evolução e acredito que até o final do nosso biênio vamos falar cada vez menos em ‘Casa dos Horrores’. Mas isso depende do coletivo, essa desconstrução é diária.
MidiaNews - Recentemente, um projeto com aumento de cargos e reajuste de salários gerou polêmica. Não parece que está indo um pouco na contramão do município, por exemplo, que está querendo cortar gastos? Isso também não é prejudicial para a imagem do parlamento?
Paula Calil - Desde o início da legislatura, recebo na presidência os servidores de carreira e comissionados que trouxeram algumas propostas de melhorias para a categoria. Eu disse: ‘Nesse primeiro momento, não temos condições, temos um orçamento, temos a lei de responsabilidade fiscal e temos que trabalhar para ver o que conseguimos de melhorias para o próxima ano’.
Quando chegou a LOA [de 2026], já com uma previsão do duodécimo para o exercício do ano de 2026, começamos, com a nossa equipe técnica, a ver o que conseguimos atender aos servidores, tanto de carreira, como também os comissionados.
E é importante colocar que os servidores comissionados estão hoje com uma perda do poder de compra em torno de 48%. O custo de vida subiu desde 2019, mas o salário do servidor comissionado da Casa permaneceu o mesmo.

Isso não é uma questão de valorização, é um reajuste, estamos recompondo as perdas de forma parcial, uma vez que temos que avaliar que o salário mínimo sofre aumento todos os anos e os comissionados não têm o RGA e nem esse aumento. Tudo isso vai caber no duodécimo da casa, respeitando a lei de responsabilidade fiscal (LRF).
MidiaNews – E os novos cargos?
Paula Calil - Não criamos cargos, dentro dos gabinetes dos vereadores tem um limite estipulado para que eles façam as devidas contratações e aumentamos o limite de 18 para 20, para que eles possam fazer esse remanejamento.
É uma reestruturação. Falo que é uma mini reforma administrativa. Nas demais casas legislativas também existe esse limite.
MidiaNews – Como está a relação entre as vereadoras da Mesa Diretora? Esse ano, a senhora teve um pequeno desentendimento com a vereadora Maysa Leão com boatos até de que ela iria deixaria a Mesa. Isso está resolvido, todas estão alinhadas?
Paula Calil – Está tudo muito tranquilo, vivemos em harmonia, com respeito aos posicionamentos de cada uma.
O que houve entre eu e a Maysa no início do ano é que eu achei importante responder uma situação para esclarecer um fato, uma vez que ela postou na rede social [uma crítica] sobre a Praça do Tio Faissal. Para esclarecer que naquela praça, a minha mãe cuida daquela praça, tio Faisal é meu pai, que é um senhor de oitenta e poucos anos.
Porque quando coloca a sua família, seu pai, sua mãe numa situação que são citados, isso mexe muito com a gente e eu não poderia deixar de esclarecer.
MidiaNews – Mudando de assunto, como a senhora avalia hoje a relação da Câmara com o Palácio Alencastro? Há críticas de que o Legislativo está muito subserviente.
Paula Calil - Somos poderes independentes, se há um choque entre a Câmara e a Prefeitura, por oposição ao Executivo, como ocorre em algumas outras cidades, quem sai perdendo é a população cuiabana.
Yasmin Silva/MidiaNews
"Somos poderes independentes, se há um choque entre a Câmara e a Prefeitura, quem sai perdendo é a população"
Sobre a Câmara ser subserviente, de forma alguma. Eu, estou como presidente, em nenhum momento chamei um vereador na minha sala e falei ‘quero que você vote nesse projeto do Executivo, quero que você assine esse regime de urgência’.
Subserviência seria se eu estivesse fazendo esse trabalho. Na minha avaliação até o presente momento não foram projetos polêmicos que prejudiquem a população cuiabana.
MidiaNews – A senhora disse que nunca chamou nenhum vereador e pediu para votar. O prefeito já fez isso?
Paula Calil - Não, o prefeito Abílio nunca fez. Embora ele seja um prefeito que vá constantemente à Câmara, nunca vi o prefeito chamar o vereador para falar sobre esse ou aquele projeto.
É claro que, por exemplo, o prefeito convida os vereadores para irem à Prefeitura para debater os projetos, o que é normal, porque aí os vereadores também podem dar suas opiniões. Como teve projetos que vereadores deram as suas opiniões e quando ele veio para casa estava de acordo com o que seria melhor para a população cuiabana. Por isso acredito que o prefeito Abilio não teve dificuldades.
MidiaNews – O prefeito faz visitas frequentes à Câmara, isso incomoda vocês, vereadores, de alguma forma?
Paula Calil - Para mim, não causa nenhum tipo de desconforto. Muitas vezes, o prefeito está na Casa e eu nem o encontro. Mas alguns vereadores se sentem desconfortáveis e eles não escondem isso, mas eu, enquanto presidente, não tenho problema algum quanto a isso.
MidiaNews – Se esses vereadores fizessem um pedido para a senhora, para que pedisse ao prefeito que diminuísse as visitas na Casa, a senhora faria esse pedido ao Abilio?
Paula Calil - Faria, sem problema algum, como já fiz. Falei que sinto que há algum desconforto de alguns vereadores. Entretanto, jamais ia falar assim: ‘prefeito, o senhor está proibido de entrar na Casa’. Ele é um cidadão, chefe do Poder Executivo. Mas assim, relato para ele o desconforto por parte de alguns vereadores.
MidiaNews – E na época ele deu uma diminuída?
Yasmin Silva/MidiaNews
"Quem votou no prefeito Abílio já sabia qual era o seu perfil"
Paula Calil - Não, continuou indo. Ele vai, é o perfil dele. Quem votou no prefeito Abílio já sabia qual era o seu perfil. Eu falei para o prefeito do desconforto, se quem sabe ele viria menos. Ele disse: ‘Paula, eu gosto de ir na Câmara’. É isso.
MidiaNews – E qual avaliação a senhora faz desse primeiro ano de gestão Abilio?
Paula Calil - Quando iniciamos a gestão no ano de 2025, tínhamos uma cidade suja, esburacada. Tivemos logo no mês de janeiro uma série de alagamentos, uma epidemia de arbovirose, porque não houve trabalho preventivo.
No dia 2 de janeiro, as contas do Executivo estavam sem recursos. No dia 10, o Executivo deixou de receber um recurso, porque estava com uma certidão negativa. A saúde com muitos problemas, as escolas não iniciaram o ano letivo no período correto, houve atraso para chegar aos uniformes das crianças...
Mas é uma gestão que procura muito acertar, foi o primeiro ano para se encontrar. E eu avalio que não é o que nós queríamos, mas Cuiabá evoluiu.
Não vou dizer que a gestão não teve erros, teve, mas também teve acertos. E nós enquanto vereadores fiscalizamos, conversamos e cobramos. Como vamos ter grandes entregas se Cuiabá é uma cidade que tem um passivo?
A gente não pode esquecer que a gestão recebeu duas folhas atrasadas, de dezembro e o 13º. No ano que vem, a gestão vai começar a ter mais entregas.
MidiaNews – Durante o ano, houve alguns desentendimentos entre o prefeito e a vice, Coronel Vânia Rosa (Novo). Essa desarmonia entre prefeito e vice não prejudica a gestão e afeta também a cidade?
Paula Calil - Eu acredito que é ruim e sinceramente não tenho conhecimento das desavenças no sétimo andar.
A gente fica sabendo quando algo se torna público, como foi o caso do orçamento da Vice-Prefeitura. Eu penso que cada um sabe das suas atribuições.
MidiaNews – O prefeito Abilio decidiu iniciar um processo de desapropriação para regularizar área do Contorno Leste. Os vereadores se sentiram excluídos de alguma forma sobre essa decisão?
Paula Calil - Houve uma situação realmente em que dei uma entrevista e não escondo ninguém. Os vereadores acompanharam o caso desde o início e eu estive junto ao desembargador [do Tribunal de Justiça] José Lindote requerendo uma cadeira na comissão de soluções fundiárias, que foi deferida. Quando ocorre uma reunião e a Câmara não é convidada, sendo que o pedido já havia sido deferido, você entende o quê?
A Câmara não fez parte daquela reunião onde, logo em seguida, o prefeito fez um anúncio em relação ao Contorno Leste. Fiquei sabendo pela imprensa.

Por que a Câmara não foi chamada? Não é que a gente quer ter protagonismo, mas é uma discussão onde os vereadores estavam participando ao longo do processo. A gente foi retirado do processo de discussão.
Então gerou um desconforto, sim, não posso falar que não.
MidiaNews – Ano que vem é o último ano do biênio que a senhora vai presidir a Câmara. Pretende disputar novamente alguma cadeira da Mesa Diretora?
Paula Calil - Isso depende de uma construção com os demais vereadores. Eu penso que é cedo, porque as eleições acontecerão em agosto do ano que vem, mas sempre coloco que tenho vontade de continuar participando da Mesa, mas não como presidente.
MidiaNews – Por que a senhora não quer tentar a presidência novamente?
Paula Calil - Eu não tenho desejo, é hora de renovar. Mas quero continuar participando da Mesa Diretora, acho importante.
MidiaNews – Já está havendo conversas nos corredores articulando chapas?
Paula Calil - Ainda não tem um nome definido, mas há uma movimentação. O vereador Ilde Taques está construindo e tem mais vereadores que também estão construindo.
São grupos que se formam, mas não sei quem é o nome [para presidência] dos outros grupos. Tem o grupo do Ilde, tem um grupo do meio, que seriam os independentes e o grupo da oposição.
MidiaNews – A nível estadual, o PL definiu o senador Wellington Fagundes, que vai ser o candidato ao Governo do Estado. A senhora achou que a escolha dele foi a melhor opção?
Paula Calil - Sim, o PL tem condições de ter uma candidatura própria, desde o início sempre fiz essa colocação.
A

decisão mais acertada realmente é a pré-candidatura do senador Wellington e vamos trabalhar para que isso efetivamente aconteça.
MidiaNews – E para o Senado, o PL também já tem um pré-candidato, que é o deputado José Medeiros. Quem a senhora defende para a segunda vaga?
Paula Calil - A segunda vaga ainda não sei. Não tenho uma preferência por um nome no momento.
MidiaNews – A senhora não tem um desejo de disputar a Câmara Federal?
Paula Calil - Confesso a você que quero exercer os meus quatro anos de vereadora, fazer um trabalho por Cuiabá. Agora, se o partido convocar para disputar uma vaga na Câmara Federal e se eu me sentir preparada para isso, não tenho problema nenhum.
As oportunidades surgem, você tem que avaliar, mas não deixar passar. Não é a minha intenção, quero exercer meus quatro anos enquanto vereadora, mas sou partidária.
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1 Comentário(s).
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| Paulo 04.01.26 13h25 | ||||
| Kkkk mas quando | ||||
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