Cuiabá, Quinta-Feira, 5 de Março de 2026
OPERAÇÃO AGRO-FANTASMA
05.03.2026 | 09h00 Tamanho do texto A- A+

Alvo de golpe ameaçou "cortar cabeça" de trio; TJ impôs proteção

Silvano dos Santos enviou áudios de WhatsApp ao trio; juíza proibiu ele de se aproximar dos empresários

Divulgação

No detalhe, os empresários Pedro Cardoso, Mário Assis e Sergio Assis, acusados de estelionato

No detalhe, os empresários Pedro Cardoso, Mário Assis e Sergio Assis, acusados de estelionato

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso concedeu medida protetiva aos empresários Pedro Henrique Cardoso, Sergio Pereira Assis e Sergio Cometki Assis, contra o produtor rural Silvano dos Santos, de Comodoro.

 

Visando garantir uma real segurança à integridade física e psicológica defiro as medidas cautelares requeridas, pelo prazo de 90 dias

Os três empresários foram alvos da Operação Agro Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil, na quarta-feira (4), que investiga um suposto esquema na compra de grãos que gerou um prejuízo de R$ 70 milhões a Silvano.

 

A decisão é da juíza Maria Rosi de Meira Borba, do Juizado Especial Criminal de Cuiabá, e foi assinada na terça-feira (3).

 

A medida teria sido deferida após Silvano enviar áudios por WhatsApp nos quais teria ameaçado cortar a cabeça dos empresários. Ele também teria ameaçado tirar a vida da filha de quatro anos de Pedro Cardoso.

 

"Assim, visando garantir uma real segurança à integridade física e psicológica do requerente Pedro Henrique Cardoso, Sergio Pereira Assis, Mario Sergio Cometki Assis, defiro as medidas cautelares requeridas, pelo prazo de 90 dias, podendo ser renovada, se comprovada a necessidade", escreveu a juíza na decisão.

 

A magistrada determinou que o produtor rural está proibido de se aproximar das vítimas, familiares e funcionários das empresas, devendo manter distância mínima de 500 metros. Também está proibido de manter qualquer tipo de contato, por telefone, e-mail ou outros meios de comunicação.

 

Em caso de descumprimento, Silvano poderá responder por crime de desobediência e sofrer medidas mais severas, como uso de tornozeleira eletrônica ou até prisão preventiva.

 

Denúncia

 

Em 24 de fevereiro, Silvano registrou denúncia na Polícia Civil relatando um suposto esquema de estelionato envolvendo as empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria.

 

Segundo o boletim de ocorrência, o produtor afirmou que foi procurado durante a colheita da soja de 2025 por um corretor identificado como Rafael, que se apresentou como representante das empresas.

 

Inicialmente, foram realizadas pequenas operações de venda de soja, todas pagas regularmente, o que teria gerado confiança no negócio.

 

Posteriormente, o produtor passou a comprar grãos de terceiros em seu próprio nome, sob promessa de pagamento posterior pelo grupo empresarial. Com base nessas garantias, ele assumiu compromissos que, segundo relatou, ultrapassaram R$ 70 milhões.

 

Ednilson Aguiar

Maria Rosi de Meira Borba

A juíza Maria Rosi de Meira Borba, do Juizado Especial Criminal de Cuiabá, que concedeu medida protetiva aos empresários

Ainda conforme o relato, os pagamentos ocorreram normalmente até novembro de 2025. A partir de dezembro, porém, quando venceram parcelas de maior valor, os investigados teriam interrompido os pagamentos, deixando o produtor responsável pelas dívidas assumidas junto a fornecedores.

 

O B.O aponta ainda que parte dos grãos teria sido revendida por valores menores que os de aquisição, sem que os recursos fossem utilizados para quitar as obrigações.

 

Além disso, o produtor afirmou ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5,8 milhões, mas teria recebido apenas cerca de R$ 2 milhões, restando saldo em aberto desde janeiro de 2026.

 

Para honrar compromissos, ele declarou ter contraído empréstimos de R$ 16 milhões no Sicoob, R$ 5 milhões no Sicredi e renegociado financiamento de R$ 2,5 milhões.

 

Como garantia das operações, os empresários teriam indicado um imóvel registrado em Cuiabá. Contudo, segundo o B.O, o bem estaria envolvido em disputas judiciais.

 

Operação

 

Na Operação Agro Fantasma, a Polícia Civil cumpriu, em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande (MS), cinco mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens dos investigados.

 

Segundo as investigações, os empresários convenciam produtores a utilizar o nome de suas propriedades para comprar grãos a prazo. A empresa revendia os produtos à vista para indústrias e se comprometia a quitar as dívidas posteriormente.

 

Nos primeiros meses os pagamentos eram realizados, o que gerava confiança. Depois, segundo a polícia, o grupo deixava de pagar os valores, deixando os produtores responsáveis pelos débitos.

 

Em um dos casos investigados, a inadimplência teria ultrapassado R$ 58 milhões. A investigação também apura suspeitas de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos.

 

Entre os bens sequestrados está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões, além de veículos de luxo como Porsche e Dodge Ram.

 

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