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31.01.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

Polícia: chefe de gabinete usou cartão pessoal em gastos de Chico

Rubens Vuolo afirmou que era um hábito comum e que recebia reembolsos em espécie de Chico 2000

Montagem/MidiaNews

O chefe de gabinete Rubens Vuolo Junior (no detalhe), que foi alvo de operação policial

O chefe de gabinete Rubens Vuolo Junior (no detalhe), que foi alvo de operação policial

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

Rubens Vuolo Junior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000 (sem partido), alvo da Operação Gorjeta, afirmou que usou seu cartão pessoal para comprar materiais de construção para o parlamentar, como “favores pessoais”. 

Os reembolsos dos favores não se mostra crível que sejam realizados, ainda que eventualmente

 

A informação consta no relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), elaborado no âmbito da operação que apura desvios de emendas parlamentares da Câmara de Cuiabá, deflagrada na última terça-feira (27). 

 

Conforme o documento, Rubens teria dado a informação no inquérito da Operação Perfídia, em 2025, da qual Chico também foi alvo. Na ocasião, o servidor teria dito que era uma “prática habitual” e que tudo era reembolsado pelo vereador por meio de depósito bancário e valores em espécie. 

 

“Frise-se que os reembolsos dos favores, como pontua a Autoridade Policial, não se mostra crível que sejam realizados, ainda que eventualmente, com entrega de valores em espécie, dada a vasta popularização das transferências eletrônicas por dispositivos móveis, sobretudo com a utilização do Pix. A princípio, sob ordem lógico-fática, não se encontra justificativa plausível para que se proceda dessa forma”, analisou a Deccor.

 

A Perfídia foi deflagrada em julho do ano passado, e além de Chico 2000, também  investigou o vereador Sargento Joelson (PSB) por suspeita de cobrança de pagamento de propina de R$ 250 mil da empreiteira HB20.

 

Ainda de acordo com a investigação à época, a empreiteira era responsável pela obra do Contorno Leste, orçada em R$ 125 milhões, e a suposta cobrança de propina seria para aprovar o projeto de lei necessário para que o município quitasse débitos com a empresa.

 

A Operação Gorjeta teve como alvo Chico 2000, Rubens Vuolo Junior, os empresários João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes, e sua esposa, Magali Gauna Felismino Chiroli, o presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva, o assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joaci Conceição Silva.

 

“Forte vínculo”

 

No relatório, ainda consta que Rubens ingressou na Câmara Municipal em 1º de janeiro de 2016, e sempre esteve vinculado ao vereador Chico 2000. 

 

“A corroborar a forte vinculação entre ambos, há as informações prestadas por Rubens no Termo de Interrogatório n.º 2025.8.191142, no âmbito do Inquérito Policial n.º 29/2024-DECCOR, no âmbito da Operação Perfídia, em que assinalou que atua na Câmara Municipal de Cuiabá desde 2016, período em que passou a auxiliar de forma contínua o vereador Chico 2000”. 

 

Afastamentos judiciais

 

Além dos comprimentos de busca e apreensão, a operação resultou no afastamento de Chico 2000, a suspensão da função pública do chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Júnior, e do assessor parlamentar Joaci Conceição Silva.

 

Também proibiu que Chico 2000, João Chiroli e sua esposa, Magali Chiroli, Alex Silva, Rubens Vuolo, Joacyr Silva de acessarem as dependências da Câmara Municipal de Cuiabá, da Secretaria Municipal de Esportes e da sede do Ibrace e de manterem contato entre si, por qualquer meio de comunicação, e com as testemunhas do caso.

 

Ao todo, a Polícia cumpriu 75 ordens judiciais, que incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.

 

Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.

 

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