Rubens Vuolo Junior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000 (sem partido), alvo da Operação Gorjeta, afirmou que usou seu cartão pessoal para comprar materiais de construção para o parlamentar, como “favores pessoais”.

A informação consta no relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), elaborado no âmbito da operação que apura desvios de emendas parlamentares da Câmara de Cuiabá, deflagrada na última terça-feira (27).
Conforme o documento, Rubens teria dado a informação no inquérito da Operação Perfídia, em 2025, da qual Chico também foi alvo. Na ocasião, o servidor teria dito que era uma “prática habitual” e que tudo era reembolsado pelo vereador por meio de depósito bancário e valores em espécie.
“Frise-se que os reembolsos dos favores, como pontua a Autoridade Policial, não se mostra crível que sejam realizados, ainda que eventualmente, com entrega de valores em espécie, dada a vasta popularização das transferências eletrônicas por dispositivos móveis, sobretudo com a utilização do Pix. A princípio, sob ordem lógico-fática, não se encontra justificativa plausível para que se proceda dessa forma”, analisou a Deccor.
A Perfídia foi deflagrada em julho do ano passado, e além de Chico 2000, também investigou o vereador Sargento Joelson (PSB) por suspeita de cobrança de pagamento de propina de R$ 250 mil da empreiteira HB20.
Ainda de acordo com a investigação à época, a empreiteira era responsável pela obra do Contorno Leste, orçada em R$ 125 milhões, e a suposta cobrança de propina seria para aprovar o projeto de lei necessário para que o município quitasse débitos com a empresa.
A Operação Gorjeta teve como alvo Chico 2000, Rubens Vuolo Junior, os empresários João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes, e sua esposa, Magali Gauna Felismino Chiroli, o presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva, o assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joaci Conceição Silva.
“Forte vínculo”
No relatório, ainda consta que Rubens ingressou na Câmara Municipal em 1º de janeiro de 2016, e sempre esteve vinculado ao vereador Chico 2000.
“A corroborar a forte vinculação entre ambos, há as informações prestadas por Rubens no Termo de Interrogatório n.º 2025.8.191142, no âmbito do Inquérito Policial n.º 29/2024-DECCOR, no âmbito da Operação Perfídia, em que assinalou que atua na Câmara Municipal de Cuiabá desde 2016, período em que passou a auxiliar de forma contínua o vereador Chico 2000”.
Afastamentos judiciais
Além dos comprimentos de busca e apreensão, a operação resultou no afastamento de Chico 2000, a suspensão da função pública do chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Júnior, e do assessor parlamentar Joaci Conceição Silva.
Também proibiu que Chico 2000, João Chiroli e sua esposa, Magali Chiroli, Alex Silva, Rubens Vuolo, Joacyr Silva de acessarem as dependências da Câmara Municipal de Cuiabá, da Secretaria Municipal de Esportes e da sede do Ibrace e de manterem contato entre si, por qualquer meio de comunicação, e com as testemunhas do caso.
Ao todo, a Polícia cumpriu 75 ordens judiciais, que incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
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