O empresário João Nery Chiroli, alvo da Operação Gorjeta, realizou, em 20 dias, oito saques em espécie que totalizaram R$ 295 mil da conta da empresa Sem Limite Esporte e Eventos, a Chiroli Esportes. A informação consta no relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).

Conforme a Deccor, os valores foram sacados da conta da Chiroli Esportes entre os dias 9 e 29 de abril, logo após a empresa receber R$ 1,29 milhão do Instituto Brasil Central (Ibrace), também investigado na operação. O montante foi transferido em três repasses de R$ 580 mil, R$ 387 mil e R$ 326 mil, feitos após a destinação de R$ 1,35 milhão em emendas parlamentares à entidade.
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Ainda de acordo com o relatório, todos os saques teriam sido “estrategicamente fixados” abaixo de R$ 50 mil para evitar comunicação automática de operações suspeitas pelas instituições financeiras ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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“Ademais, a concentração das operações em um curto intervalo — entre 09 e 29 de abril de 2025 — com valores estrategicamente fixados abaixo de R$ 50.000,00, evidencia uma possível tentativa deliberada de burlar os mecanismos de controle. Tal prática visa evitar a comunicação automática de operações suspeitas pelas instituições financeiras ao COAF”, escreveu a Deccor.
“Ressalta-se que os agrupamentos das movimentações financeiras em grandes grupos suspeitos constituem indícios de prática do delito de lavagem de capitais, sendo que, no caso em análise, o crime antecedente é, em tese, o peculato”, completou.
O que as investigações apontam é que o dinheiro das emendas impositivas era oficialmente destinado ao Ibrace, sob a justificativa de custear os eventos esportivos. Na prática, porém, quem realmente organizava e executava esses eventos era a empresa Chiroli Esportes, comandada por João Chiroli, que informalmente representava o Ibrace e, segundo a apuração, posteriormente pulverizava os valores recebidos.
Outras transferências suspeitas
Além dos saques, segundo a Deccor, foi identificado que a Chiroli Esportes transferiu R$ 178 mil à Chiroli Uniformes, empresa que tem como sócio-proprietária Magali Gauna Felismino Chiroli, esposa de João Nery. Além disso, a Chiroli Esportes repassou R$ 142 mil ao presidente do Ibrace, Alex Jony Silva, e R$ 20 mil ao pedreiro Jovani José de Almeida.
Victor Ostetti/MidiaNews
O vereador Chico 2000 (sem partido), que foi afastado do cargo após operação policial
“Desponta do referido Relatório, ainda, que o COAF considerou atípico que no período compreendido entre 1º e 30 de abril de 2025, a empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda (Chiroli Esportes) realizado a transferência de R$ 178.000,00 (cento e setenta e oito mil reais) à empresa Chiroli Uniformes Ltda, cuja sócia-proprietária é Magali Gauna Felismino Chiroli, esposa do investigado João Nery Chiroli”.
Segundo o relatório, as movimentações financeiras foram reunidas em dois agrupamentos, sendo que o primeiro identificou sete transferências da Chiroli Esportes à Chiroli Uniformes, no valor total de R$ 108 mil, e o segundo, duas transferências totalizando R$ 70 mil.
“Conforme exaustivamente relatado, a Chiroli Uniformes se trata de uma empresa que não existe fisicamente, e que se utiliza de proposital confusão com a operação da Chiroli Esportes (Sem Limite Esporte e Eventos Ltda) em sua apresentação pública, o que indica se tratar de pessoa jurídica que existe apenas formalmente”.
A operação
A operação foi deflagrada na terça-feira (27), e teve como alvo o vereador Chico 2000 (sem partido), que foi afastado do cargo, o chefe de gabinete dele, Rubens Vuolo Junior, o assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joacyr Conceição Silva e presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva.
Ao todo, a Polícia cumpriu 75 ordens judiciais, que incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Além do afastamento de Chico 2000, o magistrado determinou a suspensão da função pública do chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Júnior, e do assessor parlamentar Joacyr Conceição Silva.
Também proibiu que Chico 2000, João Chiroli e sua esposa, Magali Chiroli, Alex Silva, Rubens Vuolo, Joacyr Silva de acessarem as dependências da Câmara Municipal de Cuiabá, da Secretaria Municipal de Esportes e da sede do Ibrace e de manterem contato entre si, por qualquer meio de comunicação, e com as testemunhas do caso.
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