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Juiz manda investigar 12 emendas de R$ 4,8 milhões para instituto

Ibrace recebeu valores de quatro vereadores; maioria dos repasses foram feitos por Chico 2000

Victor Ostetti/MidiaNews

Fachada do Ibrace e o juiz Cássio Leite de Barros Netto, que determinou a auditoria

Fachada do Ibrace e o juiz Cássio Leite de Barros Netto, que determinou a auditoria

JONAS DA SILVA
DA REDAÇÃO

O juiz Cássio Leite de Barros Netto, responsável por autorizar a Operação Gorjeta, determinou a auditoria, no prazo de 120 dias, em 12 emendas destinadas por vereadores de Cuiabá ao Instituto Brasil Central (Ibrace) para apurar irregularidades. O total dos valores a serem investigados soma R$ 4,8 milhões. 

Defiro o pedido de determinação à Controladoria-Geral do Município para que realize auditoria no prazo de 120 dias

 

Das 12 emendas a serem auditadas do instituto, sete são de autoria do vereador Chico 2000, no valor de R$ 3,65 milhões. Ele foi afastado e teve bens bloqueados na operação, assim como o Ibrace. 

 

Outras três emendas são dos vereadores Cezinha Nascimento (União), no valor de R$ 728 mil, e Dídimo Vovo (PSB), no total de R$ 100 mil, além do ex-vereador Dr. Luiz Fernando, no valor de R$ 350 mil, pagas entre 2023 e 2025, segundo as investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).

 

Uma emenda de 2023, da 6ª Corrida Pela Vida, sem autor e valor também está na lista. Todas as emendas a serem auditadas referem-se a corridas de rua. 

 

“Defiro o pedido de determinação à Controladoria-Geral do Município para que realize auditoria no prazo de 120 dias, em todos os Termos de Fomento firmados entre Ibrace e Município de Cuiabá desde 2022”, descreve o magistrado em sua decisão.

 

 

Veja:

 

Reprodução

Operação Gorjeta - Auditoria

 Relação em verde das emendas de vereadores a serem auditadas

 

A Operação Gorjeta, deflagrada na terça-feira (27), investiga desvio de recursos públicos por emendas e os crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como vítima a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes.

 

O que as investigações apontam é que o dinheiro das emendas impositivas era oficialmente destinado ao Ibrace, sob a justificativa de custear os eventos esportivos.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Chico 2000

O vereador afastado Chico 2000, que fez a maioria dos repasses

Na prática, porém, quem realmente organizava e executava esses eventos era a empresa Chiroli Esportes, comandada por João Chiroli, que informalmente representava o Ibrace e, segundo a apuração, posteriormente pulverizava os valores recebidos.

 

“As pesquisas encontraram elementos para determinar que 12 dessas emendas parlamentares foram efetivamente pagas e, em todos esses casos, foram encontradas evidências de vinculação entre o Ibrace e a Sem Limite Esporte e Eventos (Chiroli Esportes) ou João Nery Chiroli ou Chiroli Uniformes”, acrescenta o juiz na decisão.

 

As investigações preliminares da Polícia Civil identificaram 20 emendas parlamentares que foram destinadas ao Ibrace entre 2023 e 2025. E destas, 12 foram pagas ao instituto.

 

Outros alvos da operação

 

A Operação Gorjeta também cumpriu mandados de busca e apreensão contra o chefe de gabinete do vereador Chico 2000, Rubens Vuolo Junior e o assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joaci Conceição Silva.

 

Além dos empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes, e sua esposa, Magali Gauna Felismino Chiroli, e Alex Jones Silva, presidente do Ibrace.

 

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